Coluna – Fernando Bezerra Coelho escapa do fogo amigo?

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O fogo amigo em cima de Fernando Bezerra Coelho já virou incêndio e está queimando. Tanto que a visita de dois dias do presidente da república, Jair Bolsonaro, em Pernambuco foi limitada a uma rápida passagem por Recife no próximo dia 23 onde o líder maior da nação participa de uma reunião na esvaziada Sudene. Ficam os votos para que sua presença no órgão signifique seu ressurgimento para financiamento das obras estruturadoras que o Nordeste tanto precisa.

Tanto se cogitou que o presidente da república viria também a Petrolina, mas a derrota do líder do governo no senado parece ter abalado o prestígio de FBC junto ao presidente, afinal, em uma semana em que houve quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro, toda mudança assusta. Fernando Bezerra é relator da MP que altera a estrutura administrativa do Governo e sofreu uma derrota na semana passada: o item do seu relatório que mantém o Coaf no Ministério da Justiça foi rejeitado. Antes disso, sua atuação seguia embalada.

Articulou o desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional, trazendo de volta as pastas da Cidade e Integração Nacional. Foi cotado nos bastidores para voltar a Explanada dos Ministérios, mas sua presença no Senado é fundamental para a garantia de votos para a reforma da Previdência, que ainda se arrasta na Câmara dos Deputados.

A perda no episódio do Coaf acendeu uma luz vermelha inclusive sobre a sua capacidade de angariar os votos necessários para a PEC da aposentadoria. Teria o prestígio e o apoio necessário na Casa Alta do Congresso Nacional? Os questionamentos surgem, mas uma coisa Petrolina sabe e Pernambuco já percebeu: Fernando Bezerra Coelho cai em pé. Entre os líderes escolhidos pelo governo, é o mais experiente em meio a vários iniciantes. Seu primeiro revés não será incapacitante. Resta saber quais cartas o senador traz na manga para voltar a encantar o governo cercado de enciumados prontos para riscar o fósforo.