Em Petrolina, Boulos critica cortes, diz que ministro da educação fala “pataquada” e comporta-se como “moleque de 5ª série”

(Foto: Karine Paixão/Nossa Voz)

Presente em Petrolina nesta sexta-feira (13), o candidato a presidente em 2018 pelo PSOL, Guilherme Boulos está em caravana pelo país, promovendo debates nas universidades sobre a atual conjuntura política do Brasil. Convidado a voltar a Pernambuco, onde esteve no primeiro semestre deste ano debatendo a reforma da Previdência, Boulos veio a maior cidade do Sertão do São Francisco acompanhado de Jô Cavalcante, co-deputada estadual do mandado coletivo Juntas, do presidente estadual do PSOL, Severino Alves dentre outros integrantes da legenda. Ao chegar, visitou o bairro Alagadiço em Juazeiro (BA) e em Petrolina, concedeu entrevista coletiva na Câmara de Vereadores, onde também participou do Ato de Filiação do Partido Socialismo e Liberdade. A agenda encerrou na Universidade de Pernambuco, onde participa de uma conversa com estudantes.

“Isso faz parte de uma caravana que estamos fazendo em todo o país. Essa semana já esteve em Aracaju, em Sergipe, aqui no Estado em Caruaru e no Recife, hoje Petrolina e com uma passagem também em Juazeiro. Essa caravana tem o objetivo de dialogar com a juventude, e por isso também a escolha das universidades, dos institutos federais, as instituições de ensino que estão sendo as vítimas preferenciais da política de desmonte do Estado Brasileiro, aplicada pelo Bolsonaro. Tem universidade que mês que vem não tem dinheiro para pagar a conta de luz. Tem universidade que está a beira de parar porque não tem papel higiênico no banheiro. É uma realidade crítica de descaso com a educação e descaso com a educação é descaso com o futuro e com as próximas gerações”, denunciou Boulos.

Professor desde os 23 anos, Guilherme Boulos fez uma análise junto a imprensa local sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro, principalmente no campo de Educação e seu temor sobre o futuro do país. “Em qualquer país do mundo, podemos olhar a história, que tenha um projeto autoritário começa por querer destruir a educação. Começa por querer domesticar as instituições de ensino. Começa aí, termina queimando livro, como no nazismo. Lamentavelmente é triste dizer que nós não estamos longe. Esses dias no Rio de Janeiro, foram homens armados entrando na Bienal do Livro para apreender um livro que foi censurado. Agora, o cenário da educação pública é catastrófico. Óbvio que a crise da educação não começou com o governo Bolsonaro. Temos que ser justos na análise, ela vem se aprofundando. Quando Temer em 2016 aprova a PEC do Teto que congela investimento público no país por 20 anos no Brasil, ele colocou uma amarra na educação brasileira”, relembrou.

Ainda de acordo com o socialista, nem mesmo o ministro da educação, Abraham Weintraub, apresenta medidas concretas para o setor, comportando-se, segundo Boulos, como um “moleque de quinta série”. “Aí vem o Bolsonaro e faz uma política de cortes generalizados. Foram R$ 6 bilhões na Educação, não apenas no ensino superior. Teve corte na educação básica também. Aliás, esse ano vence o Fundeb que é a principal fonte de recursos para financiar o ensino básico no Brasil. O Weintraub fica gravando vídeo com guarda-chuva, falando pataquada, falando besteira na rádio, provocando um ou outro, agindo que nem moleque de quinta série, mas não falou um A até agora sobre qual é a proposta do Fundeb. O Governo Federal vai acatar a proposta que veio do parlamento e dobrar a parcela do investimento da União no Fundeb de 10% para 20%? Vai ou não vai? Até agora não disse nada”, cobrou.