Exportações podem ser prejudicadas pela falta de auditores em Petrolina e Juazeiro

(foto Milena Pacheco/Nossa Voz)

A falta de auditores fiscais federais agropecuários (Affa) está impactando o crescimento das exportações de frutas no Vale do São Francisco. Sobre este assunto o Nossa Voz recebeu o auditor fiscal agropecuário, Carlos Augusto Pereira que fez um panorama da situação na região.

“Aqui realmente mudou muito o cenário. Nós tínhamos aqui, há 4 ou 5 anos, 12 auditores. Hoje nós temos cinco e há dois anos recebemos um de Salvador. E a situação mudou muito porque, antigamente nós concentrávamos as exportações no segundo semestre. Hoje nós temos exportações o ano todo. A gente exportava para União Europeia, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Hoje nós temos uma gama imensa de países”, explicou o auditor.

Nos últimos cinco anos, a região aumentou a produção em 25% e a queda no número de auditores está dificultando a expansão das exportações. Os acordos comerciais para exportação exigem que fiscalização pelo Estado Brasileiro para que os produtos sejam embarcados, mas não há auditores suficientes para cobrir 12h/dia nas empresas produtoras e os auditores têm feito escala de 8 horas diárias.

Com esse cenário, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), que é a entidade representativa dos integrantes da carreira de Auditor Fiscal Federal Agropecuário, quer a abertura de concurso público. “Agora há pouco nós tivemos conhecimento que a ministra [da Agricultura] mandou uma nota pra Paulo Guedes [ministro da Economia] solicitando a abertura de concurso. Pra se ter uma ideia, 150 vagas pra agrônomos. Por isso estamos nessa luta porque, se abrir concursos, a gente tem que fincar o pé pra garantir vagas para Petrolina e Juazeiro”, salientou.

Ainda segundo informações do Anffa Sindical, a necessidade para todo o Brasil é da contratação de 1.600 novos Affas.

Sobre os Auditores Fiscais Federais Agropecuários

Os profissionais são engenheiros agrônomos, farmacêuticos, químicos, médicos veterinários e zootecnistas que exercem suas funções para garantir qualidade de vida, saúde e segurança alimentar para as famílias brasileiras.

Atualmente existem 2,7 mil fiscais na ativa, que atuam nas áreas de auditoria e fiscalização, desde a fabricação de insumos, como vacinas, rações, sementes, fertilizantes, agrotóxicos etc., até o produto final, como sucos, refrigerantes, bebidas alcoólicas, produtos vegetais (arroz, feijão, óleos, azeites etc.), laticínios, ovos, méis e carnes.

Os profissionais também estão nos campos, nas agroindústrias, nas instituições de pesquisa, nos laboratórios nacionais agropecuários, nos supermercados, nos portos, aeroportos e postos de fronteira, no acompanhamento dos programas agropecuários e nas negociações e relações internacionais do agronegócio.