O início de 2026 traz expectativas e incertezas para a economia brasileira, com impactos diretos no dia a dia da população do Vale do São Francisco. Para discutir o cenário local, o programa Nossa Voz conversou nesta terça-feira (6) com a economista Socorro Macedo, integrante do colegiado da FACAPE, sobre salário mínimo, inflação, mercado de trabalho e estratégias financeiras para as famílias.
PIB deve crescer, mas de forma moderada
Segundo Socorro Macedo, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve apresentar crescimento neste ano, mas abaixo do registrado em 2025.
“Então, assim, as projeções do PIB indicam que vamos ter sim crescimento. Porém, veja, esse crescimento vai ser abaixo do que foi previsto, do que aconteceu no ano anterior. Juros ainda continuam persistentes, ainda continuam altos. O crédito se torna caro. A inflação está controlada, mas continua presente. E temos um cenário internacional ainda instável, difícil. Para Petrolina, significa que a economia vai continuar ativa, puxada pelo agronegócio e pelos serviços, mas exige planejamento e cautela”, afirmou.
Custo de vida continua alto
A economista destacou que, apesar do aumento do salário mínimo para R$ 1.621, a população deve continuar sentindo pressão nos preços de itens básicos.
“O custo de vida ainda é principalmente relacionado com alimentos, energia e despesas financeiras. Colocando esses três itens numa cesta, ele termina pesando muito. Mesmo com esse salário que a gente está discutindo, realmente esse novo salário garante um ganho real, mas isso não quer dizer que os preços caíram. Eles apenas vão subir de forma mais gradativa. Petrolina, apesar de sermos produtores agrícolas, ainda tem vários itens da cesta básica que vêm de fora. E junto com o impacto de juros altos, cada vez que você se endivida, isso reflete no cartão de crédito, nos parcelamentos, no endividamento das famílias”, explicou.
Mercado de trabalho e informalidade
Sobre emprego, Socorro Macedo prevê estabilidade, mas sem grandes avanços.
“O mercado deve continuar mantendo os empregos, mas não vamos ter um avanço de emprego tão grande em relação ao que tivemos. O desemprego não terá mais tendência a cair como tem sido. Esse processo vai ser de forma mais lenta e mais seletiva em alguns segmentos. O crescimento do PIB de forma moderada não sustenta uma expansão forte do emprego. Vão crescer bastante a informalidade e o trabalho por conta própria, especialmente ligados aos serviços e comércio. Petrolina, setores como agronegócio, logística, saúde e comércio seguem empregando, mas com mais cautela dentro desse cenário”, afirmou.
Desafios para pequenos negócios
Para empreendedores, os principais desafios continuam sendo o custo do dinheiro e a dificuldade de capital de giro.
“O maior desafio ainda é o custo do dinheiro. Juros altos, dificuldade de capital de giro. E a expansão da contratação informal. Petrolina tem oportunidades claras na cadeia do agronegócio, na exportação de frutas, transporte, serviços e turismo. Quem tiver boa gestão financeira, controle de custos e planejamento vai conseguir atravessar 2026 com segurança. Mas requer cautela, planejamento, nada de euforia”, disse a economista.
Cenário internacional e câmbio
Socorro Macedo ressaltou que fatores externos também devem influenciar a economia local.
“Conflitos internacionais e instabilidade global vão afetar o dólar, influenciando combustíveis, fertilizantes e alimentos. O dólar mais alto encarece os insumos que precisam ser importados, mas favorece a exportação de frutas, fundamental para a economia local. O fiel da balança é como estão as negociações dos nossos produtos no mercado internacional”, explicou.
Estratégias para famílias endividadas
Para quem busca organizar as finanças em 2026, a economista recomenda cautela e planejamento.
“A estratégia principal é negociar dívidas e reorganizar o orçamento. O aumento do salário ajuda, mas não deve ser usado para assumir novas dívidas. É preciso reduzir juros, trocar dívidas caras por mais baratas e recuperar o equilíbrio financeiro. Faça sua planilha, verifique seu planejamento e procure alguém que possa orientar nesse processo. Mesmo quem está no crédito rotativo precisa de cuidado. Início do ano é hora de se planejar e construir. Você tem IPTU, placa de carro, escolas, fardamento e dívidas da gestão anterior. O pequeno ganho do salário precisa ser bem administrado. O crescimento do PIB anterior não garante aumento real de renda para todos”, afirmou.


