“80% do preço da gasolina é imposto”, destacam representantes do sindicato sobre preço dos combustíveis em Petrolina

0

Nesta terça-feira (1), o programa Nossa Voz recebeu Alfredo Pinheiro, presidente do Sindicato dos Combustíveis, e Publio Ramalho, diretor regional do sindicato, para discutir a variação do preço do diesel e da gasolina, as diferenças de valores entre postos nas áreas centrais e saídas de Petrolina e Juazeiro, e o funcionamento da distribuição de combustíveis na região. Além disso, os convidados destacaram a realização do evento Revenda Conecta, que acontece hoje e amanhã na cidade.

A Petrobras anunciou na segunda-feira (31) a redução de R$0,17 no litro do diesel nas distribuidoras, a mudança entra em vigor hoje (1). A litro do diesel passa a custar, média, R$3,55, valor 4,78% menor que o atual.

Alfredo Pinheiro ressaltou a importância da recente redução do preço do óleo diesel:

“Para a gente, é muito importante a baixa do preço do óleo diesel, pois tudo o que está nas nossas prateleiras, 70% é transportado pelo modal rodoviário. Então, toda redução do óleo diesel beneficia a sociedade, inclusive impactando a inflação. A Petrobras mudou sua política de preços e, há pelo menos duas ou três semanas, praticava a paridade de preços internacionais, o que tornava o produto mais barato do que no Brasil. O governo resolveu tomar medidas, e agora esperamos que esse impacto chegue até o consumidor final. No entanto, a redução não é de 17 centavos, como anunciado, pois temos a adição do biodiesel, que é mais caro do que o diesel. A média será de 13 centavos, dependendo de como as distribuidoras repassem para os postos.”

O presidente do sindicato também explicou por que os repasses de preços não ocorrem de imediato:

“Quando ocorre um aumento, o repasse é quase imediato porque os estoques são grandes. Já quando ocorre uma baixa, o repasse é gradual, pois os postos ainda possuem combustível comprado a preços anteriores. Muitas vezes, a população não entende que a redução acontece na refinaria, mas nós compramos da distribuidora, e não da refinaria. Aqui no Nordeste, pela nova política da Petrobras, estamos sendo atendidos muito mais pelos importadores e pela Cepem da Bahia do que pela própria Petrobras. Hoje, o mercado brasileiro depende de 30% de produtos importados e 70% nacionais, mas, aqui no Nordeste, essa proporção está invertida: 60% do combustível vem de importadores e 40% da Petrobras.”

Publio Ramalho alertou sobre práticas ilegais que influenciam os preços:

“Preços muito baixos podem indicar adulteracão, sonegação ou até lavagem de dinheiro. Muitas vezes, cidades distantes das bases de distribuição têm preços mais baixos do que cidades mais próximas, pois o alcance da fiscalização é menor. Isso permite que práticas ilegais ocorram com mais frequência.”

Ele também esclareceu a diferença entre postos de bandeira branca e bandeirados:

“O posto bandeirado tem um contrato de exclusividade com uma distribuidora por um determinado período, enquanto o bandeira branca não tem esse vínculo e pode comprar de qualquer distribuidora, incluindo aquelas com bandeira. Isso pode influenciar na variação dos preços.”

Questionado sobre a alta dos preços em Petrolina, Alfredo Pinheiro apontou a carga tributária como principal fator:

“O preço alto do combustível é resultado dos impostos. Quando compramos gasolina em Recife, o frete é de cerca de 8 centavos. Já para Petrolina, o custo sobe para 35 a 40 centavos por litro, apenas em transporte. Quem paga impostos regularmente não consegue vender combustíveis por valores abaixo do mercado, pois a margem de lucro é muito pequena. Cerca de 80% do preço final da gasolina é imposto e custo de extração; apenas 20% ficam com distribuidoras, postos e transportadoras.”

Sobre fiscalização, Publio Ramalho orientou os consumidores a exigirem testes de aferição:

“Se houver dúvida sobre a quantidade de combustível entregue, o consumidor pode solicitar um teste de aferição. Todo posto é obrigado a realizá-lo na hora. Se o estabelecimento se recusar, o consumidor deve sair e denunciar. A aferição deve mostrar que 20 litros são, de fato, 20 litros, dentro dos padrões permitidos por lei”, concluiu.