O presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco, Carlos Veras, rebateu, nesta sexta-feira (16), declarações do deputado estadual João Paulo, que afirmou que o PT avalia a possibilidade de deixar a aliança com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) no estado e apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD), que deve disputar a reeleição.
A declaração de João Paulo foi feita durante entrevista, na qual o parlamentar afirmou que o tema já teria sido discutido internamente, inclusive com o senador Humberto Costa. Segundo ele, apesar dessas conversas, a tendência é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha dois palanques em Pernambuco, considerando a provável candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao governo do estado. Para João Paulo, o cenário ainda está em construção e não há uma definição consolidada.
Ao comentar o posicionamento do correligionário, Carlos Veras afirmou que respeita a trajetória política de João Paulo, mas ponderou que esse tipo de discussão precisa ocorrer nos fóruns internos do partido. “Eu tenho muito respeito a João Paulo. Ele foi prefeito do Recife, deputado federal e hoje é deputado estadual. É uma liderança histórica do PT e tem todo o direito de expressar o que pensa”, afirmou.
No entanto, Veras destacou que há instâncias partidárias adequadas para esse debate. “Ele é líder da bancada, é membro do diretório, é membro da executiva estadual, tem assento nos espaços de decisão do partido. Por isso, eu acho que esse debate deveria ser levado à direção executiva do PT em Pernambuco”, disse.
O presidente estadual do PT lembrou que, no início de 2023, o partido tomou uma decisão formal sobre sua posição em relação ao governo estadual. “Naquele momento, a direção do PT decidiu que o partido seria oposição ao governo do estado. Até agora, nenhum membro colocou oficialmente em pauta a mudança dessa decisão. Portanto, do ponto de vista partidário, essa definição continua valendo”, afirmou.
Carlos Veras também criticou a condução do debate pela imprensa. “O PT é um partido democrático, que valoriza o debate e a pluralidade de ideias. Mas eu acho que a gente deveria debater menos pela imprensa e aprofundar mais o debate interno. Esse tipo de discussão pública, muitas vezes atravessada, não contribui para o fortalecimento do partido”, avaliou.
Segundo ele, o PT já dispõe de espaços próprios para tratar da estratégia eleitoral. “Nós temos a direção executiva, a direção estadual e criamos o Grupo de Tática Eleitoral, justamente para discutir cenários, alianças e caminhos para 2026. É nesses espaços que esse debate precisa acontecer”, afirmou.
Durante a entrevista, Veras reforçou que a decisão do partido em Pernambuco estará alinhada à estratégia nacional. “O PT tomará uma decisão ao lado do presidente Lula e do presidente nacional do partido. Será uma decisão conjunta, construída com diálogo e responsabilidade”, disse.
Ao sinalizar a manutenção da aliança com o PSB, Carlos Veras destacou que os partidos compõem juntos o governo federal. “Hoje, o PSB ocupa a vice-presidência da República e tem ministério no governo Lula. O PT também ocupa ministérios, assim como o PSOL, que está à frente da Secretaria-Geral da Presidência. São partidos que constroem juntos o projeto nacional”, afirmou.
Para Veras, esse alinhamento é fundamental para o futuro do estado. “Quem quer governar Pernambuco precisa ter consciência de que é melhor governar ao lado do presidente Lula, que traz investimentos, recursos e políticas públicas para a população pernambucana”, declarou.
O dirigente concluiu reforçando que a prioridade do PT segue sendo o projeto nacional. “Nós temos responsabilidade com o palanque do presidente Lula em Pernambuco. Essa é a nossa prioridade. A partir disso, vamos construir, com unidade e diálogo, a melhor decisão para o estado”, finalizou.



