Moradores do Residencial Novo Tempo relatam meses sem água em Petrolina, e Compesa diz que abastecimento deve ser normalizado ao longo da semana

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Moradores do Residencial Novo Tempo 5, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, denunciam dificuldades no abastecimento de água e afirmam que algumas ruas da comunidade estão há mais de sete meses com o fornecimento irregular. O problema afeta diretamente a rotina das famílias e foi tema de entrevistas no programa Nossa Voz, nesta terça-feira (20).

Segundo os relatos, ruas como a 19, 20 e 21 do Novo Tempo 5, além de trechos do Novo Tempo 6, enfrentam longos períodos sem água nas torneiras, mesmo com o pagamento regular das contas.

Durante a entrevista, a moradora Ana Lu fez questionamentos diretos à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e relatou o impacto da situação no dia a dia da comunidade.

“O senhor [ citando Alex Chaves] fala muito dos problemas que tem com a Compesa, mas desde que a Compesa está em Petrolina os problemas são os mesmos. Eu estive numa audiência com vocês e perguntei o que o senhor acharia de vir passar uns dias aqui no Residencial Novo Tempo 5 com a sua família, para ver o que a gente está passando. O senhor sabe o que é uma mãe de família, pessoas com deficiência, autistas, mulheres com fibromialgia, ficarem sem água sequer para fazer uma comida?”, disse.

Ela também criticou a falta de investimentos estruturais no sistema de abastecimento da cidade.

“Petrolina já teria capacidade de ter mais adutoras, mais caixas d’água, como as que têm no José e Maria. Falta consciência, direção e compromisso, porque o dinheiro das contas entra nos cofres de vocês todo mês”, completou.

Outra moradora, Rosicléa, afirmou que o problema está relacionado à rede de distribuição e que, mesmo quando há liberação de água, o abastecimento não chega a todas as ruas.

“Estamos há mais de sete meses sofrendo com a falta de água aqui na nossa rua. Quando a água é liberada e passa um ou dois dias sem, aqui não chega de jeito nenhum. A conta chega, a gente paga, mas a água não tem. Eu quero o problema resolvido”, afirmou.

A falta de água também compromete o sustento de moradores que dependem do recurso para trabalhar. Luciana, que vive no Novo Tempo 5, contou que precisou interromper suas atividades profissionais.

“Eu trabalho com acarajé e não tenho possibilidade de produzir porque não tenho água nas torneiras. Isso é um transtorno, uma dificuldade. Água é vida”, relatou.

A liderança comunitária do Pedra Linda Domingos Libório, que acompanha a situação nos bairros Novo Tempo, Vale Dourado e Pedra Linda, disse que o problema é antigo e que a população já não sabe mais como lidar com a situação.

“Esse problema vem acontecendo há muitos anos. Houve uma divisão no abastecimento, com uma rede nova, e a gente esperava que não tivesse tantos problemas. Ontem mesmo entrou água em algumas casas, mas em outras não chegou. Chega na minha casa e não chega no vizinho. As pessoas do Novo Tempo 5 e 6 estão sofrendo, já recorrendo a carro-pipa”, afirmou.

O que diz a Compesa

O gerente da Unidade de Negócios da Compesa em Petrolina, Alex Chaves, explicou que o sistema que abastece o Residencial Novo Tempo é extenso e possui vários pontos sensíveis, o que pode ocasionar falhas.

“O Residencial Novo Tempo tem apresentado dificuldade de abastecimento mesmo após a crise de outubro e novembro. Tem insistido uma dificuldade principalmente nas duas últimas ruas, a Rua 19 e a Rua 20. A gente vem monitorando e realizando trabalhos nas últimas semanas”, afirmou.

Segundo Alex Chaves, a água percorre um longo trajeto até chegar à comunidade.

“A água sai da estação de tratamento, é bombeada e percorre cerca de oito quilômetros até chegar ao Quati. Lá existe um sistema de bombeamento novo, implantado no final de 2024, que abastece a Univasf, o Bela Vista, o caminho da universidade, e segue para o Novo Tempo e o Pedra Linda. Depois disso, percorre mais sete quilômetros. Estamos falando de aproximadamente 14 quilômetros de tubulação e três estações de bombeamento”, explicou.

O gerente também detalhou que obras recentes contribuíram para o agravamento do problema.

“Nos dias 13 e 14, fizemos duas interligações por conta da obra da BR-407, onde a tubulação precisou ser desviada por solicitação do DNIT. Após essas paradas, voltou a existir um problema maior no Pedra Linda e no Novo Tempo”, disse.

De acordo com Alex Chaves, a equipe identificou uma falha técnica no sistema.

“Ontem identificamos que a causa era uma válvula de nível do sistema, que pode ter sido danificada durante a interligação. Fizemos a substituição ainda no início da noite. Já houve recuperação das pressões no Pedra Linda e sinais de retorno no Novo Tempo durante a madrugada”, afirmou.

Por fim, o gerente afirmou que a expectativa é de normalização gradual do abastecimento.

“A gente acredita que, ao longo desta semana, vamos monitorar de perto e que o abastecimento seja normalizado de forma geral nesse trecho que vem sofrendo desde o final de dezembro”, concluiu.

Enquanto aguardam a regularização, moradores seguem cobrando uma solução definitiva e relatam que dependem de carros-pipa para atender necessidades básicas.