Moradores da Rua 91, no Loteamento Nossa Senhora de Fátima, em Petrolina, denunciam há anos a falta de infraestrutura básica e cobram providências do poder público. O principal problema é a ausência de drenagem, que transforma a rua em um cenário de lama, crateras e esgoto a céu aberto sempre que chove, dificultando o acesso às casas e comprometendo a qualidade de vida da população.
Em entrevista nesta sexta-feira (23) ao programa Nossa Voz, moradores relataram que convivem com a situação há mais de uma década, sem respostas efetivas das autoridades. José Irineu, que vive na Rua 91 há cerca de 14 anos, afirmou que o problema se arrasta desde a criação do loteamento.
“É a mesma situação de sempre. Quem vem fazer matéria corre risco de cair ou de se atolar. A gente passa o ano inteiro cobrando e nada é feito. É vergonhoso ver o loteamento crescendo, casas sendo construídas, e a gente sem dignidade para morar. Quando chove, não consigo nem sair de casa com a moto”, desabafou.
Segundo ele, apesar do crescimento imobiliário na região, não há investimentos em infraestrutura. “Só vemos construções, mas soluções não chegam. Nem um carrinho de terra colocaram aqui em todos esses anos”, completou.
A moradora Natália Albuquerque também destacou o sentimento de abandono e cobrou um olhar mais humano por parte do poder público.
“A novela é a mesma, só muda o capítulo. Todos sabem da situação. As obras chegam perto, mas não entram no bairro. Se chovesse mais em Petrolina, como em outros lugares, isso aqui já teria virado uma tragédia. Nós estamos abandonados”, afirmou.
Ela disse ainda que já solicitou a visita de representantes do município. “Não vivo de promessa de homem, vivo de Deus. Estou aguardando desde o ano passado uma visita aqui para tirar as soluções do papel”, declarou.
Raíssa, outra moradora da Rua 91, relatou que a situação se agravou após o início de obras de conjuntos habitacionais próximos.
“Construíram mais de 250 casas, retiraram o aterro da nossa rua e nunca devolveram. A rua ficou cerca de 15 centímetros abaixo da avenida. Pagamos parcelas caras, IPTU, e não temos retorno nem da imobiliária nem da prefeitura”, disse.
Ela afirmou que, atualmente, os moradores precisam fazer manobras arriscadas para conseguir entrar em casa. “Todo mundo aqui construiu com muito suor e não tem o mínimo de infraestrutura”, completou.
Além da lama, os moradores também denunciam problemas graves de esgotamento sanitário. Dona Socorro explicou que a rede de esgoto do loteamento não foi assumida pela Compesa, o que agrava ainda mais a situação.
“Os esgotos estouram e ninguém faz manutenção. Não sabemos a quem recorrer. É lama, esgoto, mau cheiro. A gente não consegue nem ficar feliz quando chove, porque já sabe o transtorno que vem antes, durante e depois”, relatou.
Miguel, morador da área, afirmou que já buscou diversos órgãos e que nem mesmo visitas técnicas resultaram em soluções.
“Já trouxemos representantes aqui, mostramos tudo, e nada foi feito. Em uma chuva forte, isso aqui virou um lago. São centenas de famílias que correm risco. O poder público empurra a responsabilidade e ninguém resolve”, afirmou.
Os moradores cobram ações imediatas para garantir drenagem, pavimentação e a regularização da rede de esgoto. Eles afirmam que pagam impostos e exigem o direito básico de viver com dignidade. Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura de Petrolina e os órgãos citados não haviam se manifestado sobre as denúncias.




