Carlos Britto confirma pré-candidatura, critica herança política e aponta déficit de representação no Sertão de PE

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O cenário político do Sertão de Pernambuco ganhou um novo componente nesta terça-feira (27). O jornalista, radialista e publicitário Carlos Britto confirmou, em entrevista ao programa Nossa Voz, que vai disputar uma vaga no Legislativo nas eleições de outubro. Embora ainda mantenha em reserva o cargo e a legenda, Britto afirmou que a decisão está tomada e que o anúncio oficial ocorrerá após o Carnaval.

Segundo o comunicador, a entrada na disputa eleitoral foi motivada pela vontade de servir e pela leitura crítica do atual momento vivido por Petrolina e região. Ao ser questionado sobre o que pesou de forma decisiva para sair da análise e entrar diretamente na corrida eleitoral, Britto destacou sua trajetória pessoal e profissional como fator determinante.

“Vontade de servir. Eu sou um profissional de comunicação que alcançou o seu lugar, mas venho de uma família muito pobre, nascido no Km 2, estudando a vida toda em escola pública. Eu sei o que é dificuldade. Tudo o que você pensar de dificuldade, eu conheço. E quando olho para esse tempo todo, vejo a dificuldade das pessoas e a ausência de políticas públicas sérias. Não dá para achar que está tudo bem quando o teu irmão está sofrendo ali”, afirmou.

Durante a entrevista, Britto fez críticas diretas à situação da saúde pública em Petrolina, citando a ausência de serviços de alta complexidade e o impacto disso para a população.

“Se alguém aqui hoje infartar e não tiver plano de saúde, não tem onde ser atendido em Petrolina. Ou vai para Irecê, Serra Talhada ou Caruaru, percorrendo até 300 quilômetros. Como assim uma cidade do porte de Petrolina não tem isso? A UPA gasta mais de R$ 150 mil só com ambulâncias levando pacientes para fora. Perdemos residência de ortopedia, temos uma hemodinâmica fechada que não faz cateterismo. É uma cidade da propaganda e outra da vida real”, criticou.

Ao analisar o quadro político atual, Britto também chamou atenção para a redução da representatividade de Petrolina no parlamento estadual e federal. Segundo ele, o município deixou de ocupar espaços estratégicos que antes garantiam mais força política à região.

“Hoje nós estamos reduzidos a dois deputados federais e um estadual. Já tivemos muito mais. Não dá para Petrolina pensar pequeno desse jeito e achar normal andar para trás”, declarou.

Britto ressaltou que entra na disputa sem a garantia de sucesso eleitoral, mas defendeu a renovação política e o caráter transitório do poder.

“Eu sei que posso ser uma grande decepção em votos ou uma grande revelação. Estou pedindo humildemente ao povo de Petrolina uma oportunidade para servir. Não quero ser servidor da política, nem fazer herança familiar. Mandato é conquista, não é herança. O poder precisa ser transitório, inclusive o meu”, afirmou.

O comunicador também confirmou alinhamento político com a governadora Raquel Lyra (PSD) e defendeu a implantação de um hospital regional como pauta prioritária.

“Sou aliado da governadora Raquel Lyra, uma grande governadora, bem-intencionada. Mas precisamos do hospital regional. A política não é lugar para enriquecer nem para se perpetuar no poder. É para servir”, disse.

Questionado sobre eventuais mágoas com antigos aliados, Britto negou ressentimentos e afirmou que a decisão de seguir um novo caminho foi motivada pela busca de espaço político.

“Não há mágoa, há agradecimento. Reconhecimento. Mas eu tenho direito de trilhar minha estrada. O espaço político eu nunca tive de verdade, apesar de conversas. A amizade permanece”, declarou.

Sobre o cenário eleitoral, Britto afirmou que observa com respeito os nomes já testados e defendeu a abertura para novas lideranças.

“Todo mundo já foi testado, aprovado ou reprovado. Gosto de nomes novos. Gosto da ideia de pessoas que saem do conforto para servir. Acredito em meritocracia. Todo mundo merece oportunidade. Estou pedindo a minha”, afirmou.

Por fim, Britto confirmou que mantém diálogo com diversas siglas e que a definição do partido e do cargo, se estadual ou federal, dependerá da viabilidade do projeto político.

“Conversei com quase todos os partidos. As condições que me derem vão pesar, porque eu não sou político, mas não sou bobo. Não vou ser usado. Sou amigo, sou honesto, mas não sou serviçal”, concluiu.