Gilson Machado reage a Anderson Ferreira, diz que adversário “mente” e afirma que deixou o Partido Liberal por “ambiente tóxico”

0

A troca de acusações entre lideranças da direita em Pernambuco voltou a ganhar força nesta sexta-feira (20), após declarações públicas de Anderson Ferreira criticando a atuação de Gilson Machado. O ex-ministro deixou o PL há alguns meses e se filiou ao Podemos, mas o movimento voltou ao centro do debate político após as falas do dirigente liberal.

Durante agenda política, Anderson condenou a postura do ex-correligionário em defesa da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Segundo ele, Gilson teria “traído” tanto o parlamentar quanto a direita pernambucana ao migrar de partido por um projeto pessoal.

“Ele foi para um partido que é o Podemos, que é ligado ao Ministério de Lula e que tem deputados que apoiam Lula. Quer dizer, Gilson vai ajudar a eleger deputados que votam com Lula. Ele não tem propriedade para falar da direita de Pernambuco, especialmente do nosso partido. Gilson traiu Flávio Bolsonaro e traiu a direita por conta de um projeto pessoal. O projeto dele nunca foi o crescimento do PL”, afirmou Anderson.

“Ele mente”, rebate Gilson

Em entrevista ao programa Nossa Voz, Gilson Machado reagiu às declarações e classificou as críticas como infundadas. O ex-ministro afirmou que sua saída do PL ocorreu após desgaste interno e que a decisão foi tomada com aval da família Bolsonaro.

“Eu acho que ele deve ter tomado o remédio errado naquele dia, porque não estava normal. Estava enervado de raiva. Em primeiro lugar, eu não sou desertor. Todos os meus passos foram combinados com Flávio Bolsonaro e com Renato Bolsonaro. Nada do que eu fiz foi sem aval, inclusive minha ida para o Podemos. Se há deserção, foi de um projeto pessoal dos Ferreiros, não da direita”, declarou.

Gilson também afirmou que deixou o PL por discordâncias internas.

“Eu cansei de um ambiente tóxico. O PL em Pernambuco não representa o que eu defendo. Era um ambiente pesado, fechado. Eu não tenho contorcionismo político. Troco de partido, mas não troco de camisa. Continuo alinhado com Jair Bolsonaro”, disse, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Defesa do Podemos e embate direto

O ex-ministro contestou a afirmação de que o Podemos estaria vinculado ao governo federal.

“Ele mente quando diz que o Podemos tem ministério no governo Lula. O Podemos nunca foi um partido de esquerda. Não tem candidato a deputado federal de esquerda. O partido me acolheu e me deu carta branca para trabalhar politicamente. Quem começa mentindo perde credibilidade”, afirmou.

Gilson ainda reagiu às críticas relacionadas à sua trajetória como músico e disse ter sido alvo de preconceito.

“Tenho orgulho de ser sanfoneiro. São mais de 30 anos de banda, mais de três mil shows. Qual é o problema de ser músico? Isso é preconceito com o nordestino, com o forró. Eu não traí ninguém. Quem acusa vai ter que provar”, declarou.

Planos para 2026

Questionado sobre as eleições de 2026, Gilson afirmou que atualmente é pré-candidato a deputado federal, mas não descartou disputar o Senado.

“Estamos montando a chapa do Podemos. Posso ser candidato ao Senado, vamos avaliar as pesquisas. Hoje sou pré-candidato a deputado federal. Essa decisão será tomada mais adiante. O importante é ter mandato para ajudar Jair Bolsonaro em Brasília”, disse.

O embate público escancara um racha entre lideranças da direita em Pernambuco e antecipa o clima de disputa interna que deve marcar o cenário político nos próximos meses. A divergência é pontual ou sinaliza uma divisão mais profunda no campo conservador do estado?