Cerca de 160 trabalhadores em 53 municípios do Sertão estariam sem receber salários e benefícios; sindicato fala em paralisação. Governo afirma que repasses às empresas estão em dia.
Vigilantes que prestam serviço à rede estadual de ensino em Petrolina denunciam atrasos de até três meses nos salários e no pagamento de benefícios. A situação, segundo o Sindicato dos Vigilantes da região, tem agravado dificuldades financeiras de trabalhadores que atuam em escolas públicas e outros prédios do Estado.
Em entrevista ao programa Nossa Voz, o presidente do sindicato, Laércio Vasconcelos, afirmou que os atrasos já atingem o terceiro mês consecutivo e que o vale-alimentação não é pago há três meses. Ele também relatou pendências em férias e depósitos de FGTS.
“Salário é um direito, não é favor. Hoje o trabalhador já está entrando no terceiro mês sem receber, caminhando para 90 dias de atraso. Além disso, o vale-alimentação também está atrasado, e há vigilantes que não recebem férias desde outubro. Estamos falando de pais e mães de família que têm contas de água, energia, pensão alimentícia. Tem trabalhador dizendo que teme ser preso por não conseguir honrar compromissos básicos por causa dessa situação.”
Segundo o sindicato, duas empresas terceirizadas estariam envolvidas nos atrasos: a B1 Vigilância e a Kairos. Ambas teriam contratos com a Secretaria de Educação de Pernambuco para prestação de serviços nas unidades escolares.
De acordo com Laércio, a Secretaria de Educação, por meio da Gerência Regional de Educação (GRE), afirma que os repasses às empresas estão em dia. No entanto, o sindicato questiona a fiscalização dos contratos.
“A Secretaria sempre diz que está em dia com as empresas e que fiscaliza. Mas se está em dia, por que os trabalhadores estão há 90 dias sem receber? A multa que dizem aplicar não resolve o problema de quem está sem comida na mesa. O trabalhador está sofrendo na ponta. Falta uma fiscalização mais rigorosa e uma medida concreta para garantir que o dinheiro chegue a quem de fato presta o serviço.”
Porteiros relatam mesma situação
Durante a entrevista, trabalhadores de outras categorias também relataram atrasos. Um porteiro de uma empresa terceirizada afirmou que está há dois meses sem salário e sem receber vale-transporte e vale-alimentação.
“Estamos fechando dois meses sem salário. São dois vales-alimentação e dois vales-transporte atrasados. Somos pais de família. As aulas continuam normalmente, mas parece que nós não somos essenciais para o funcionamento das escolas. Como fica a segurança dos alunos sem vigilante? Quem assume essa responsabilidade?”
Outro trabalhador denunciou que, além dos salários, o FGTS não estaria sendo depositado desde outubro.
“São três meses de salário atrasado, quatro meses de vale e o FGTS sem depósito desde outubro. A pergunta que fica é: se o Estado diz que está pagando, por que isso está acontecendo? Quem é responsável por essa situação?”
Sindicato fala em endurecer medidas
Segundo o diretor patrimonial do sindicato, Geraldo Menezes, cerca de 160 trabalhadores estariam nessa condição em todo o Sertão, área que abrange 53 municípios. Apenas em Petrolina, aproximadamente 42 vigilantes de uma das empresas enfrentariam atraso salarial.
“A gente tem uma equipe que visita os postos de trabalho para levantar informações, e o que escutamos é só reclamação. As empresas prometem regularizar, mas não cumprem. O trabalhador é quem paga a conta. Estamos acompanhando caso a caso e buscando medidas junto ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público.”
O sindicato informou que já realizou manifestações e denúncias formais e que pode convocar nova paralisação caso a situação não seja resolvida.
“Já fizemos mobilização quando houve dois meses de atraso e só retornamos após o pagamento. Mas o problema voltou. Se continuar assim, vamos endurecer. O trabalhador não aguenta mais.”



