Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, se defende de investigação e fala em “ação espalhafatosa” e “operação frágil”

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O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), divulgou vídeo nas redes sociais após ser citado na Operação Vassalos, que investiga um suposto esquema de desvios de emendas parlamentares no Sertão de Pernambuco.

Na gravação, Miguel afirmou que não será intimidado. “Não vamos nos intimidar por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso. Vamos continuar trabalhando e lutando para trazer investimento para o nosso estado”, declarou.

O ex-prefeito destacou obras executadas durante sua gestão. “O asfalto está chegando a cada canto da cidade. Durante a última década usamos nossa força política para garantir emendas na cidade que mais cresce no Nordeste”, disse. Ele também ressaltou que manteve diálogo institucional com diferentes governos federais. “Trabalhamos nos governos Temer, Bolsonaro e Lula, independente de bandeiras ideológicas. Nosso compromisso foi com Pernambuco, com transparência, fiscalização dos órgãos competentes, contas aprovadas e obras entregues.”

Miguel classificou a investigação como uma “ação espalhafatosa” e uma “operação frágil”. “Se acham que vão nos intimidar, estão enganados. Não conhecem a força do Sertão. Ninguém para a força de quem trabalha de verdade”, afirmou.

O que apontam os órgãos de controle

A Polícia Federal cumpriu, na quarta-feira (25), 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação tem entre os alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e os filhos Miguel Coelho e Fernando Filho (União Brasil).

De acordo com relatório da PF anexado à decisão do STF, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram uma série de irregularidades em contratos e licitações envolvendo a empresa Liga Engenharia Ltda., apontada como principal beneficiária de repasses destinados à pavimentação em Petrolina a partir de 2017.

Segundo o TCU, há indícios de formação de cartel, com divisão de contratos entre empresas sob responsabilidade da 3ª Superintendência Regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Petrolina, incluindo a Liga Engenharia. De acordo com a investigação, os sócios da empresa, também investigados, são parentes da família Coelho.

Pedidos da PF e decisão do STF

No inquérito, a Polícia Federal solicitou:

  • busca e apreensão domiciliar e pessoal contra 21 pessoas físicas, 14 pessoas jurídicas e quatro repartições públicas;
  • afastamento do sigilo telefônico e interceptação telefônica dos investigados;
  • suspensão do direito de participar de licitações e firmar contratos públicos;
  • afastamento de função pública de investigados em exercício.

Apesar das conclusões dos órgãos de controle, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo indeferimento dos pedidos formulados pela PF na Petição 10.684, conforme decisão assinada por Flávio Dino em 30 de janeiro de 2026.

Ao analisar o caso, Dino divergiu da PGR e autorizou as buscas e apreensões, o afastamento do sigilo telefônico e o compartilhamento de informações com a CGU e o TCU. O ministro, porém, negou o pedido de interceptação telefônica por falta de fundamentação legal e indeferiu as medidas de suspensão do direito de licitar e afastamento de servidores da Codevasf e dos políticos por entender que os requisitos legais não estavam preenchidos.

Na decisão, o ministro enquadrou os fatos, em tese, nos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em licitação ou contrato, supressão fraudulenta de tributos, lavagem de dinheiro e constituição agravada de organização criminosa.

O inquérito de origem, nº 4905, foi instaurado em junho de 2022 a partir de desdobramentos da Operação Desintegração, que apurou suposto recebimento de vantagens indevidas em contratos vinculados ao Ministério da Integração Nacional, quando Fernando Bezerra Coelho chefiava a pasta. Os autos foram redistribuídos ao gabinete de Flávio Dino em 2024.

As defesas dos investigados afirmaram que irão colaborar com as apurações.

Confira de Decisão da Integra