Vereadora diz ter se sentido alvo de ataques com teor de violência de gênero durante sessão na Câmara de Petrolina

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Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta segunda-feira (2), a vereadora Rosarinha Coelho falou sobre a situação registrada na última quinta-feira (26), durante sessão na Câmara Municipal de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A parlamentar afirmou que se sentiu alvo de desrespeito e de manifestações com teor de violência de gênero durante a votação de vetos do Poder Executivo.

O episódio ocorreu no momento da deliberação de quatro vetos enviados pela Prefeitura. As discussões estavam relacionadas aos trabalhos da Comissão de Justiça, Redação e Legislação Participativa. Durante a sessão, o vereador Manoel da Acosap chamou atenção para que a relatoria tivesse “mais cuidado e atenção” com as matérias que tramitam na Casa. Já o vereador Ronaldo Souza, presidente da comissão, fez observações direcionadas à atuação de Rosarinha na condução dos pareceres.

Questionada sobre como se sentiu diante das falas, a vereadora afirmou que a situação foi além de uma divergência política.

“Às vezes, quem está de fora não sente a agressividade, a forma desrespeitosa e brutal que algum colega trata quando faz o que aconteceu comigo semana passada. Eu disse aos colegas que não vou me calar. Já falei várias vezes que não ousem me destratar, porque eu preciso inspirar outras mulheres com o exemplo. Eu não vou fingir que nada aconteceu.”

Rosarinha destacou que exerce a função de relatora com base em pareceres técnicos e que divergências jurídicas fazem parte do processo legislativo.

“No mundo jurídico existem interpretações diferentes. A procuradoria da Câmara entendeu que os projetos eram constitucionais, o procurador do município teve outro entendimento. Eu, como relatora, escutei o parecer técnico da Casa e dei o meu posicionamento. O prefeito vetou, é direito dele. O vereador pode votar a favor ou contra o veto, também é direito. O que não é direito é desqualificar o trabalho da relatora.”

A parlamentar também afirmou que a forma como as críticas foram feitas, com apontamentos públicos e questionamentos sobre sua capacidade técnica, a fizeram interpretar a situação como violência política de gênero.

“Um dos colegas disse que diploma não adiantava, que ser advogado ou doutor não valia nada ali dentro. Houve dedo apontado, tentativa de me ensinar como fazer relatório. Isso não foi um debate normal de comissão. Se queriam votar a favor do veto, tinham todo direito. Mas não era necessário transformar isso em um ataque pessoal.”

Rosarinha ressaltou que recebeu apoio de outros vereadores após a sessão.

“Vários colegas foram solidários, me abraçaram e entenderam que houve excesso. Eu não estou dizendo que todos agem assim. Mas, quando uma mulher ocupa espaço e exerce liderança, muitas vezes o tratamento é diferente. Se a gente baixa a cabeça e finge que não aconteceu nada, continua acontecendo.”

A vereadora disse que seguirá defendendo seus posicionamentos técnicos e políticos na Casa Legislativa.

A reportagem procurou os vereadores citados para comentar as declarações. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.