Vigilantes protestam em frente à GRE de Petrolina após três meses sem salários e vale-alimentação

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Vigilantes que atuam em unidades ligadas à Gerência Regional de Educação de Petrolina realizaram um ato na manhã desta quarta-feira (4), em frente ao prédio do órgão, no Centro da cidade. A categoria cobra uma resposta da gestão regional diante do atraso de salários, férias e do pagamento do vale-alimentação. Segundo o sindicato, os trabalhadores estão há mais de três meses sem receber.

De acordo com os representantes, a situação tem provocado dificuldades financeiras para dezenas de famílias. A categoria afirma que já entrou em estado de paralisação e que os serviços estão suspensos até que haja uma solução.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes em Petrolina, Laércio Vasconcelos, disse que o problema vem se arrastando desde o ano passado e que, até o momento, não houve retorno oficial da gestão regional.

“A última vez que estive aqui já falávamos sobre os atrasos, mas agora a situação se agravou. São três meses de salários em aberto, cinco meses de vale-alimentação e trabalhadores que saíram de férias desde outubro já enfrentando atraso. A gente entrou em estado de paralisação porque não há mais como continuar trabalhando sem receber. Até agora, não tivemos nenhuma resposta oficial por parte da Gerência Regional de Educação.”

Laércio afirma ainda que há divergência de informações sobre os repasses financeiros.

“O que dizem para a gente é que o pagamento foi feito, mas os trabalhadores não receberam. A empresa alega que não recebeu os valores desde dezembro. Nós consultamos o portal da transparência e vimos movimentações, mas, independente disso, é obrigação do órgão fiscalizar o contrato. Não é justo que mais de 160 trabalhadores estejam sofrendo e passando necessidade por falta de fiscalização.”

Segundo o sindicato, 168 vigilantes estariam nessa situação apenas na área de abrangência da regional.

Cláudio, representante sindical, relatou que as principais dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores envolvem despesas básicas do dia a dia.

“A maior dificuldade é colocar comida dentro de casa. Tem trabalhador com aluguel atrasado, conta de água e luz acumulando, pensão alimentícia em débito. A gente está aqui fazendo esse ato para tentar uma resposta concreta, porque até agora ninguém assume a responsabilidade. A empresa diz que não recebeu, a regional diz que pagou, e os vigilantes ficam no meio desse impasse, sem salário e sem perspectiva.”

O sindicato informou que uma mobilização também está prevista na capital pernambucana, onde representantes da categoria pretendem buscar diálogo com instâncias estaduais.

Entre os trabalhadores, o clima é de apreensão. O vigilante Cirino contou que a falta de pagamento tem impactado diretamente a rotina da família.

“É muito difícil você ter compromissos e não ter como honrar. As cobranças chegam todos os dias. Tem colega prestes a ser despejado, outros com risco de prisão por atraso de pensão. Já teve trabalhador que precisou juntar latinha para vender e conseguir dinheiro para o transporte. Eu mesmo levei cesta básica para colegas que estavam passando aperto. A gente quer trabalhar, mas precisa receber pelo que faz.”

Até a última atualização desta reportagem, a Gerência Regional de Educação de Petrolina não havia se manifestado oficialmente sobre as denúncias. O espaço segue aberto para posicionamento.