A sessão da Câmara de Vereadores de Petrolina da última quinta-feira(05) voltou aos embates em torno da Operação Vassalos, investigação da Polícia Federal que apura o uso de recursos públicos ligados a emendas parlamentares em obras do município e o estopim veio no novo desafio do vereador Ronaldo Silva pela instalação de uma CPI para investigar contratos da Prefeitura com a empresa Liga Engenharia.
Ao retomar o assunto em plenário, Silva subiu o tom e desafiou os colegas a assinarem a comissão. “Vocês que se apresentam como paladinos da moralidade, assinem a CPI. Assinem a CPI para que possamos investigar esse contrato e vários outros contratos que a Prefeitura de Petrolina mantém com a Liga Engenharia”, afirmou. Em outro trecho, o vereador disse que “não falta dinheiro para pagar a Liga Engenharia”, mas alegou que empresas locais estariam sem receber há meses por serviços prestados ao município.
Em um dos momentos mais tensos da sessão, o líder da oposição também insinuou que a investigação pode alcançar agentes políticos com atuação no próprio Legislativo municipal. Sem citar nomes diretamente, o vereador afirmou que haveria “laranjas” na Casa Plínio Amorim e disse que, caso as apurações avancem, “mais gente” poderá ser alcançada.
Segundo Ronaldo, o problema não estaria apenas na investigação federal, mas também no tratamento dado a fornecedores locais. “Hoje, Petrolina dá calote nos construtores, nos fornecedores da nossa cidade, nos donos de máquinas”, declarou. Na mesma fala, ele voltou a citar o inquérito da Polícia Federal e afirmou que, se houver avanço das apurações, novas pessoas podem ser alcançadas. Para o vereador, a CPI seria o instrumento político adequado para aprofundar as informações no âmbito municipal.
A reação da base governista veio em seguida. O vereador Ronaldo Cancão rebateu o colega e classificou o movimento como tentativa de transformar o caso em espetáculo político. “O vereador provoca esta Casa a fazer CPI, mas uma CPI para fazer espetáculo”, disse. Cancão ressaltou que o material mencionado em plenário não correspondia ao inquérito completo e advertiu contra julgamentos antecipados. “Aparência não é ser, e não se pode fazer presunção sobre a conduta das pessoas”, afirmou.
Na defesa das lideranças citadas no debate, Cancão foi direto: “Fernando Bezerra não tem um processo criminal, não tem conta rejeitada por onde passou”. Também citou o ex-prefeito Miguel Coelho, o deputado Fernando Filho e o prefeito Simão Durando, afirmando que é preciso “prudência na fala e respeito às pessoas”. Para ele, o momento exige cautela, já que a fase atual é de investigação, não de condenação.
O vereador, Gilmar Santos, também entrou no tema ao relacionar a discussão local ao debate nacional sobre o chamado orçamento secreto. Na avaliação do vereador, a Operação Vassalos dialoga com um modelo de destinação de recursos públicos que, segundo ele, deveria ter permanecido sob execução direta do Governo Federal. “O orçamento secreto é, na verdade, um grande esquema criminoso construído entre o governo anterior e setores do Congresso Nacional”, declarou.
Gilmar foi além e citou nomes que aparecem na esfera política da discussão em Petrolina. “Os principais personagens suspeitos de comandar uma organização criminosa que estaria desviando recursos da população brasileira e da população de Petrolina são o senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado Fernando Filho e o ex-prefeito Miguel Coelho”, afirmou. Na sequência, ponderou que não fazia juízo de condenação, mas defendeu que a investigação avance: “Ninguém está dizendo aqui que haverá condenação, mas esperamos que haja justiça”.
Pela base governista, o vereador Aero Cruz respondeu em defesa do grupo político ligado à família Coelho e procurou enquadrar o momento como mais uma etapa de apuração já vista antes. “Passamos por várias denúncias e investigações e, em todas elas, Fernando Bezerra, Fernando Filho e, agora, Miguel Coelho foram inocentados”, afirmou. Para ele, o que existe neste momento é uma investigação, e não uma sentença. “A denúncia chega, a Polícia Federal faz o seu trabalho, e chega o momento de o denunciado prestar contas e mostrar que aquilo era apenas uma denúncia”, disse.
Aero associou a discussão ao histórico administrativo do grupo em Petrolina. “A emenda chegou, o dinheiro saiu da conta e a obra foi entregue à população”, declarou, acrescentando que tem orgulho de integrar a base do prefeito Simão Durando. Na visão do vereador, a população já conhece a trajetória política dos nomes citados e saberá tirar suas conclusões.
Ao rebater Gilmar Santos, o vereador Aero Cruz também tentou deslocar o debate para o cenário nacional e citou o escândalo envolvendo descontos indevidos no INSS, atribuindo responsabilidade ao partido do oposicionista. Em tom duro, afirmou que Gilmar silenciaria sobre o tema por envolver “o seu partido” e criticou o fato de, segundo ele, o vereador não trazer o assunto à tribuna. Aero disse ainda que não se pode transformar investigação em condenação antecipada e classificou como “palanque político” a tentativa de associar diretamente Fernando Bezerra, Miguel Coelho, Fernando Filho e Simão Durando a irregularidades antes da conclusão das apurações.



