Câmara de Petrolina mantém clima tenso após oposição cobrar detalhes sobre os investimentos previstos para empréstimos de quase R$ 700 milhões

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A sessão da Câmara de Vereadores de Petrolina desta terça-feira (10) foi marcada por novos embates entre vereadores da base governista e da oposição. A tensão veio após a apresentação do Requerimento nº 0086/2026, de autoria do vereador Gilmar Santos (PT). A proposta solicita ao prefeito, Simão Durando, e às secretarias de Planejamento e de Licitações o envio de um relatório técnico detalhado sobre a destinação de um empréstimo contratado pela Prefeitura de Petrolina, cuja soma final se aproxima de R$ 700 milhões, autorizado por leis aprovadas pela própria Casa em 2025. O clima de confronto não foi surpresa. Na quinta-feira passada (05), outro requerimento apresentado pela oposição havia sido rejeitado pela maioria governista, aumentando a tensão entre os dois blocos.

O requerimento apresentado por Gilmar pede documentos e dados detalhados sobre os empréstimos autorizados pelas Leis nº 3.801 e 3.802 de 2025, que tratam de operações de crédito com organismos internacionais e com garantia da União. Entre as informações solicitadas estão cópias dos contratos firmados, cronogramas físico-financeiros das obras, lista de projetos executados com os recursos, percentual de execução de cada obra, impacto das parcelas no orçamento municipal e o nível atual de endividamento do município.

Durante o debate, o líder da oposição, Ronaldo Silva, defendeu a aprovação do requerimento e afirmou que o papel do Legislativo é fiscalizar os recursos públicos. “Nós ganhamos muito bem para exercer o nosso papel, que é fiscalizar cada recurso, cada tostão que entra nos cofres desta prefeitura”, declarou. Ele também disse que o pedido busca esclarecer como parte dos recursos já liberados está sendo utilizada. “Já foi liberado quase R$ 700 milhões e queremos saber onde foi aplicada parte desse recurso”, afirmou.

A reação da bancada governista veio em tom igualmente duro. O vereador Ronaldo Cancão (Republicanos) criticou a iniciativa e acusou a oposição de incoerência por pedir informações sobre um projeto que havia sido rejeitado por seus integrantes. “É muita cara de pau. Votou contra os R$ 800 milhões e agora quer saber como vão ser investidos”, afirmou.

Cancão também destacou investimentos realizados na cidade e disse que os aliados do governo têm legitimidade para defender o projeto. “Respeite os vereadores da bancada, que estão aliados com o governo que transforma Petrolina e tem 79% de aprovação popular”, declarou.

A vereadora Rosarinha Coelho também criticou o argumento de que votar contra o requerimento significaria ser contra a população. “Todos os vereadores têm a prerrogativa de votar. Mas dizer que quem não votar no requerimento está contra o povo não faz sentido”, disse. Ela afirmou que o projeto de empréstimo foi amplamente discutido antes da aprovação. “Nós discutimos muito esse projeto aqui. Perguntamos ao prefeito se com esse dinheiro seria construída a maternidade municipal, e ele disse que sim, além de várias obras estruturadoras”, afirmou.

Outro que saiu em defesa do financiamento foi o vereador e líder do governo, Diogo Hoffmann, que afirmou que os recursos poderão transformar a infraestrutura da cidade. “Estamos falando de R$ 800 milhões que vão chegar para revolucionar Petrolina. Tenho orgulho de ter votado a favor”, declarou. Segundo ele, as obras prometidas poderão beneficiar diversos bairros da cidade. “Logo logo as ruas que pedimos estarão sendo pavimentadas e as obras de drenagem que solicitamos serão atendidas”, afirmou.

O autor da proposta, Gilmar Santos, reagiu às críticas da base governista e rejeitou a ideia de que vereadores que votaram contra os empréstimos não teriam legitimidade para fiscalizar. “É muito interessante quando o vereador diz que quem votou contra não pode agora fiscalizar. Errado, vereador. Respeite a democracia, respeite o povo e respeite este parlamento”, afirmou. Gilmar também citou investigações federais que atingem obras de pavimentação no município. “Não somos só nós que desconfiamos. É a Polícia Federal que está identificando esse esquema de roubalheira. A operação chama-se Vassalos. Este parlamento não pode ser uma vassalagem”, disse.

No fim da discussão, o Requerimento nº 086/2026 acabou rejeitado por 12 votos a 3, com uma abstenção do vereador Wanderley Alves. Votaram a favor da proposta os vereadores Gilmar Santos, Ronaldo Silva e Dhiego Serra. Já os votos contrários foram de Diogo Hoffmann, Roberto da Gráfica, Aero Cruz, Maria Elena, Rosarinha Coelho, Capitão Alencar, Josivaldo Barros, Marquinhos Amorim, Júnior Gás, Cláudia Ferreira, Ronaldo Cancão e Gaturiano Cigano.