Vigilantes anunciam paralisação por tempo indeterminado após quatro meses sem salário em Petrolina

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Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta quarta-feira, representantes do sindicato dos vigilantes de Petrolina confirmaram a realização de uma assembleia geral e anunciaram a paralisação por tempo indeterminado da categoria. A mobilização ocorre após trabalhadores denunciarem atraso de quatro meses nos salários e seis meses sem vale-alimentação.

A assembleia está marcada para as 19h, na sede do sindicato, no bairro Gercino Coelho. A partir desta quinta-feira, segundo a entidade, os serviços de vigilância em escolas estaduais devem ser suspensos.

Segundo o presidente do sindicato, Laércio Vasconcelos, a situação dos trabalhadores chegou ao limite.

“São quatro meses sem salário e seis meses sem vale-alimentação. Os vigilantes não têm mais condição de continuar trabalhando. Muitos não têm dinheiro sequer para o transporte até o posto de serviço, nem para garantir a alimentação dentro de casa”, afirmou.

Ele destacou ainda que a categoria já tentou outras alternativas antes de decidir pela paralisação.

“A gente já fez uma paralisação em dezembro, mas não houve solução. Os trabalhadores voltaram às atividades com a esperança de mudança, mas nada foi resolvido. Agora, a paralisação será por tempo indeterminado”, disse.

De acordo com o sindicato, cerca de 40 vigilantes em Petrolina são diretamente afetados. Em todo o Sertão de Pernambuco, o número chega a 168 trabalhadores na mesma situação.

O membro do sindicato, Cláudio, também relatou o cenário enfrentado pela categoria e classificou o momento como crítico.

“É um clamor total. Tem trabalhador indo a pé para o serviço para não perder o emprego. As empresas não dão respaldo e a situação só piora. A gente esteve em Recife e o cenário é o mesmo em outras regiões”, afirmou.

Ele também cobrou respostas mais concretas das autoridades.

“Falam que vão resolver, que vai mudar a empresa, mas ninguém diz quando. Enquanto isso, os trabalhadores seguem sem salário e sem alimentação”, completou.

O sindicato informou que já entrou com ação na Justiça solicitando o bloqueio de recursos para garantir o pagamento direto aos trabalhadores, mas, mesmo assim, decidiu manter a paralisação diante da gravidade da situação.

Ainda segundo a entidade, novas rodadas de negociação com representantes das empresas estão previstas para os próximos dias.

A paralisação deve impactar diretamente o funcionamento de escolas estaduais na região, que podem ficar sem vigilância.