Casos de “virose da mosca” aumentam no Sertão e especialista alerta para prevenção e sinais de risco

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Moradores de cidades do Sertão têm procurado com mais frequência unidades de saúde com sintomas de infecção intestinal, popularmente conhecida como “virose da mosca”. Em entrevista ao programa Nossa Voz, nesta segunda-feira (30), a gastroenterologista Camila Araújo explicou as causas, sintomas e cuidados necessários diante do quadro.

Segundo a médica, apesar do nome popular, a condição é conhecida clinicamente como gastroenterite aguda e costuma ter maior incidência em períodos quentes e chuvosos.

“A gente chama de virose da mosca, mas, na verdade, é o que conhecemos como gastroenterite aguda, uma infecção intestinal que, na maioria das vezes, é causada por vírus. Esse nome popular é interessante porque traduz bem a realidade: as moscas funcionam como vetores mecânicos, transportando esses micro-organismos de locais contaminados para alimentos e superfícies dentro de casa. E, como estamos em um período sazonal, com mais calor e chuva, há um aumento tanto desses vírus quanto da presença das moscas”, explicou.

A especialista detalhou ainda como ocorre a contaminação e por que o inseto representa risco à saúde.

“Os vírus ficam presentes em ambientes como fezes e lixo. A mosca pousa nesses locais e depois leva esses agentes para dentro das casas, contaminando alimentos e superfícies. Isso acontece de forma muito rápida no dia a dia. Entre os vírus mais comuns estão norovírus, rotavírus, adenovírus e outros, que acabam sendo responsáveis por boa parte dos casos de infecção intestinal nesse período”, afirmou.

Entre os sintomas mais comuns estão diarreia líquida, dor abdominal, náuseas e vômitos. Em alguns casos, pode haver febre. A médica alerta, no entanto, para sinais que indicam agravamento.

“O quadro geralmente começa de forma rápida, com diarreia frequente, cólicas e, às vezes, febre baixa. Mas é importante observar sinais de alerta, como presença de sangue ou muco nas fezes, febre persistente por mais de três dias, sintomas que duram mais de uma semana ou dor abdominal intensa. Além disso, sinais de desidratação, como sede excessiva, boca seca, urina escura e olhos fundos, indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediato”, destacou.

A automedicação também foi citada como um dos erros mais comuns entre os pacientes.

“Muita gente recorre à automedicação logo nos primeiros sintomas, mas o principal tratamento, na maioria dos casos, é a hidratação. O ideal é investir no soro de reidratação oral, seja caseiro ou industrializado, e utilizar medicamentos apenas para aliviar sintomas, quando necessário. O uso inadequado de remédios pode mascarar sinais importantes e até agravar o quadro”, alertou.

Grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade, exigem atenção redobrada.

“Esses grupos têm maior risco de evoluir de forma desfavorável, principalmente por causa da desidratação. Nem sempre o quadro será grave, mas qualquer sinal de alerta precisa ser avaliado com mais cuidado. Por isso, a recomendação é não esperar a piora para buscar atendimento”, disse.

Em relação à prevenção, a orientação é reforçar cuidados básicos de higiene e conservação dos alimentos.

“A prevenção passa por medidas simples, como higienizar bem as mãos, lavar frutas e verduras, manter os alimentos sempre cobertos e descartar o lixo corretamente. Evitar a presença de moscas dentro de casa é fundamental para quebrar esse ciclo de transmissão. Além disso, garantir uma boa hidratação durante o quadro ajuda na recuperação e na manutenção do organismo”, concluiu.