Fundação Nilo Coelho celebra centenário de Geraldo Coelho em noite de homenagem, memória e reconhecimento em Petrolina

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A noite desta quarta-feira (08) foi marcada por emoção, lembranças e reconhecimento em Petrolina durante a solenidade em homenagem ao centenário de nascimento de Geraldo de Souza Coelho, um dos nomes mais emblemáticos da história política e social do Sertão de Pernambuco. O evento foi realizado na Fundação Nilo Coelho, instituição da qual ele é patrono, e reuniu familiares, amigos, autoridades e representantes da comunidade para celebrar o legado do ex-prefeito, ex-deputado e engenheiro civil que ficou conhecido como o “Trator do Sertão”.

Nascido em 5 de abril de 1926, em Petrolina, Geraldo Coelho construiu uma trajetória marcada pela atuação pública, pela defesa do desenvolvimento regional e pelo compromisso com áreas que considerava essenciais para transformar o Sertão, como educação, abastecimento de água e energia. Ao longo da vida, exerceu os cargos de vereador, prefeito e deputado estadual, deixando obras, projetos e uma marca forte na história do município e da região.

Durante a solenidade, uma série de depoimentos ajudou a reconstruir a imagem de Geraldo Coelho não apenas como homem público, mas também como líder, parceiro de trabalho, pai de família e incentivador de iniciativas voltadas à formação de pessoas.

A vice-presidente da Fundação Nilo Coelho, Beatriz Santana, destacou a convivência de décadas com Geraldo e relembrou o início do trabalho conjunto na instituição. Segundo ela, foi ele quem a convidou para atuar na fundação, ainda nos primeiros anos do projeto social.

“Quando eu cheguei aqui e vi a situação, pensei: ‘o que foi que eu vim fazer aqui?’. Mas ele me mostrou o estatuto, e ali eu entendi a grandeza do que a fundação poderia ser. Trabalhamos juntos durante 44 anos”, afirmou. Beatriz disse ainda que Geraldo era um homem incansável e coerente, lembrado pela capacidade de trabalho e pela firmeza de palavra. “Ele era um exemplo a ser seguido pela honradez, pela seriedade. Era uma pessoa para quem tudo era para hoje, nada para amanhã. Sim, sim; não, não”, declarou.

A diretora das rádios do Sistema Grande Rio de Comunicação, Ana Amélia Lemos, sobrinha de Geraldo Coelho, também falou sobre a dimensão familiar e humana da homenagem. Emocionada, ela relembrou a convivência entre Geraldo e seu pai, o ex-deputado Osvaldo Coelho, e destacou a forte ligação entre os dois irmãos.

“Os dois sempre foram muito unidos, se respeitavam muito e tinham os mesmos valores, os mesmos princípios e o mesmo propósito de vida, que era servir”, afirmou. Ana Amélia também destacou características pessoais de Geraldo que iam além da imagem pública de homem austero e realizador. “Tio Geraldo adorava dançar, adorava uma festa, estava sempre acompanhado de dona Lourdes. Apesar do apelido de Trator do Sertão, ele tinha também esse lado leve, afetuoso e muito humano”, disse.

Filho de Geraldo Coelho, Rodrigo Coelho ressaltou a ligação afetiva do pai com a Fundação Nilo Coelho e lembrou que a instituição ocupou um lugar central em sua trajetória. Segundo ele, a homenagem representou uma retribuição simbólica ao carinho e à dedicação que Geraldo sempre teve com a entidade.

“A fundação foi uma coisa que ele cuidou com muito carinho. Aqui ele passou muito tempo buscando recursos para que ela pudesse prosperar e oferecer oportunidades às pessoas”, afirmou. Rodrigo também chamou atenção para uma das últimas grandes iniciativas idealizadas por Geraldo: a criação da orquestra da fundação. “Ele entendeu que Petrolina merecia e deveria ter uma orquestra. O último trabalho dele foi criar isso”, disse, ao defender a ampliação do projeto por meio da futura Escola Geraldo Coelho de Música.

A filha mais velha, Tereza Coelho, fez um depoimento carregado de emoção e relembrou o pai como um homem completamente dedicado ao serviço público e ao bem das pessoas. Ela contou que, ainda jovem, chegou a se entristecer ao perceber que, mesmo em datas importantes da família, ele priorizava as demandas de Petrolina.

“Meu pai foi um homem muito especial, único. Ele dizia que o povo de Petrolina precisava dele, e tudo o que ele pudesse fazer para melhorar a vida das pessoas, ele fazia”, afirmou. Em outro trecho, resumiu a dimensão do afeto e da admiração que nutria pelo pai: “O legado que ele me deixou foi a vida dele. Ele foi tudo para mim”.

Amigo da família há mais de cinco décadas, Flávio Cabral lembrou que chegou à casa de Geraldo Coelho ainda muito jovem e encontrou ali uma convivência que marcaria toda a sua vida. Segundo ele, o ex-deputado foi referência em várias dimensões.

“Aprendi muito com Dr. Geraldo. Ele foi uma referência como pai de família, como empresário, como político, como ser humano e como católico praticante”, disse. Flávio ressaltou que a amizade entre os dois foi construída sobre respeito, fidelidade, companheirismo e gratidão.

O ex-vereador e ex-assessor José Batista da Gama também prestou homenagem e definiu Geraldo como um homem à frente do seu tempo. Em sua fala, destacou a atenção especial que ele tinha com o interior do município e com as necessidades do homem do campo.

“Foi um homem que andou, trabalhou e viveu além do tempo”, declarou. José Batista lembrou ainda a capacidade de Geraldo de transformar demandas em ações concretas, especialmente em projetos ligados ao abastecimento de água, eletrificação rural e apoio às comunidades mais distantes. “Se ele dissesse ‘vou fazer’, podia confiar. Era um homem de palavra e de resposta rápida ao povo”, afirmou.

Ao longo da noite, os depoimentos reforçaram uma imagem comum: a de um homem público realizador, disciplinado, comprometido com resultados e profundamente ligado à terra onde nasceu. Mais do que recordar obras e cargos, a homenagem na Fundação Nilo Coelho destacou a dimensão humana, familiar e inspiradora de Geraldo Coelho.

O centenário de nascimento de Geraldo, celebrado oficialmente no último dia 5 de abril, foi tratado pelos presentes não apenas como uma efeméride, mas como um momento de reflexão sobre o impacto de sua trajetória na formação de Petrolina moderna e no desenvolvimento do Sertão.

Conhecido como o “Trator do Sertão”, Geraldo Coelho segue lembrado como uma das figuras mais influentes da história política regional, símbolo de trabalho, visão de futuro e compromisso com o interesse coletivo.