Diretor-presidente da AMTT de Juazeiro diz que lentidão no trânsito é problema sistêmico e que cronogramas do DNIT têm impactado mobilidade urbana

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Foto: Mídias Sociais

Segundo Paulo Lima, o fluxo diário na ponte e nas vias em Juazeiro quase triplicou e DNIT tem antecipado interdições sem aviso prévio aos órgãos municipais

Condutores de Juazeiro e Petrolina estão enfrentando um maior congestionamento no trânsito após mais uma interdição do DNIT, em Juazeiro, na Bahia, para as obras da Travessia Urbana. A passagem que dá acesso à avenida Santos Dumont, para quem sai da Avenida Raul Alves e da Rua do Paraíso, no pontilhão que fica em frente aos Correios, foi interditada no último sábado (2), gerando transtornos no trânsito de Juazeiro e também de Petrolina, no lado pernambucano.

Durante entrevista ao programa Nossa Voz desta terça-feira (05), o diretor-presidente da Agência Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT), Paulo Lima falou sobre essa interdição e sobre o que tem impactado o trânsito no contexto das obras da Travessia Urbana.

Segundo ele, o isolamento da área realizado no sábado ocorreu para a instalação de 24 pontos de fixação de estacas para a construção do viaduto 01, mas há a possibilidade de a interdição durar menos dias do que o previsto e a via ser liberada antes do dia 12 de maio, como estava definido. “Acreditamos que esse prazo vai ser menor e a gente acredita que no curto espaço de tempo aquela fluidez ali será garantida”, informou.

Paulo Lima prosseguiu explicando que o congestionamento não foi gerado pela interdição, em si, mas pela mudança no fluxo rodoviário gerado pelas obras. “Não foi em especial esse ponto que gerou congestionamento. Esse congestionamento já existe porque o fluxo rodoviário, hoje, passa por dentro da cidade. Antes, ele passava pela BR e não descia e aí, hoje, o fluxo está extremamente congestionado, estrangulado. As avenidas Raul Alves e a Santos Dumont não comportavam tamanho fluxo”, explicou. De acordo com Paulo Lima, um fluxo de 45.000 veículos por dia tem passado nessas avenidas, gerando impacto no trânsito das regiões de Juazeiro e Petrolina.

Diante desse cenário, o diretor-presidente reconheceu que a equipe da AMTT é reduzida para tamanha demanda gerada pelas obras do DNIT. “A AMTT, vale salientar, tem uma equipe pequena, com 16 homens apenas, temos a necessidade de um concurso e fazemos ali um esforço todos os dias. Temos algumas equipes distribuídas na Santos Dumont e na Raul Alves para tentar garantir a fluidez nessas vias e em algumas faixas de pedestres. A gente sabe que o trânsito é feito não só de veículos, é feito de pedestres também”, disse.

Sobre o fluxo na ponte que tem apresentado congestionamento diário, Paulo Lima disse que há, hoje, um aumento expressivo na quantidade de veículos que o trecho tem capacidade de receber, sem gerar transtornos aos condutores. “Esse é um grande problema que temos hoje, que é um problema sistêmico. Uma ponte construída para receber não mais do que 20.000 veículos quando foi construída, hoje recebe 50.000 veículos por dia. Isso gera um grande impacto e como essa é a única ligação, qualquer problema na ponte trava toda região”, explicou.

O diretor-presidente ressaltou a parceria da AMTT com órgãos de trânsito, como a Polícia Rodoviária Federal e a AMMPLA, de Petrolina, para sanar problemas no fluxo do trânsito, como acidentes, intempéries climáticas e imprudência dos motoristas. Quanto a isto, Paulo Lima reforçou a importância de os condutores seguirem as regras de trânsito, sobretudo, nas áreas onde a obra estiver em andamento.

“A gente tem cobrado muito, colocado inclusive no terreno agentes da AMTT. Do lado de cá, também é necessário a AMMPLA, a presença da ampla da Polícia Rodoviária Federal. Não era para ter mais, mas temos circulação de veículos articulados, que são proibidos de circular pela manhã e no horário de pico muitos ainda circulando”, disse Paulo Lima exemplificando um tipo de imprudência frequente que tem gerado congestionamento na descida da ponte.

O diretor-presidente também falou sobre o papel do DNIT na dinâmica do trânsito das duas cidades. De acordo com Paulo Lima, a mobilidade urbana local tem sido comprometida por mudanças de cronograma que não estavam previamente acordadas com os órgãos municipais, que possuem capacidade operacional pequena.

“O DNIT também tem que cumprir alguns cronogramas. Vamos dar só um exemplo. Essas intervenções, que agora estão sendo realizadas no cronograma tinham sido acordadas que só seriam feitas após a entrega da rotatória, que está prevista por baixo do viaduto 01. Mas quando eles antecipam, eles estão, na verdade, na perspectiva de bater o cronograma, eles de certa forma, comprometem toda a mobilidade urbana. Porque a rotatória implantada e sendo usada pela população, você vai garantir a mobilidade”, relatou.

Paulo Lima reforçou que, enquanto as obras estiverem em andamento, os condutores precisam ter paciência. A previsão de término do viaduto 01 está prevista para junho, mas a finalização completa da obra tem prazo previsto para janeiro do ano que vem. Ele pediu que os condutores tentem evitar os horários de pico.

“Nós colocamos os agentes nos grandes congestionamentos. Uma forma de minimizar é os condutores se anteciparem. Tem muito condutor que deixa para sair em cima da hora. Esse é o momento da gente fazer aquele investimento e acordar mais cedo. Eu ainda resido em Petrolina e desloco para Juazeiro todos os dias às 6:20 da manhã. Não tem fluxo, está tranquilo ainda nesse horário. Quando você se aproxima 7 horas em diante, aí começa o congestionemento e aí o desespero de quem chegou já atrasado que tem que levar menino na escola, para depois de trabalhar. Então, se você fizer um bom planejamento, vai dar certo”, orientou.