O deputado federal Fernando Filho comentou o debate em torno da PEC que trata do fim da escala 6×1 e também reagiu à tentativa do vereador Gilmar Santos de apresentar, na Câmara de Petrolina, uma moção de repúdio contra seu posicionamento no tema.
Ao falar sobre a tramitação da proposta, Fernando Filho afirmou que o assunto vinha sendo tratado com muita antecipação e que exigia discussão mais ampla, sem paixões políticas. Segundo ele, apesar da ansiedade em torno do tema, era necessário avaliar os impactos práticos da medida sobre a economia.
“Foi movimentado, a gente concluiu a votação da PEC do final da escala 6 por 1. Muita gente ansiosa, muita gente se antecipando, falando muita coisa, prevendo votação, mas um tema como esse, a gente pode ter as nossas opiniões pessoais, eu acho que a gente tem que deixar de lado as paixões e a gente tem que ouvir todo mundo”, declarou.
Na avaliação do deputado, o debate não poderia ser reduzido apenas ao desejo de ampliar o tempo de descanso do trabalhador. “Isso não é simplesmente você chegar e perguntar se você é a favor ou contra de ter mais tempo para sua família. Todo mundo é a favor. Não é perguntar se você é a favor ou contra de ter mais um dia de descanso. Todo mundo é a favor, mas isso tem impacto na economia real”, afirmou.
Fernando Filho argumentou que a mudança pode repercutir diretamente na rotina de funcionamento de estabelecimentos comerciais e na contratação de mão de obra. “A verdade é que tem muitos comércios que talvez, quando forem fazer a conta entre funcionar meio expediente no sábado ou contratar um novo funcionário com todas as obrigações que a lei exige, talvez façam a opção agora de não funcionar mais ao sábado”, disse.
Segundo o deputado, durante a discussão também estavam em análise alternativas de jornada para contemplar diferentes realidades do país. “Estava sendo discutido também a possibilidade da gente ter não só a escala 5 por 2, mas ter também outros regimes de contratação para quem quisesse trabalhar aos sábados, aos domingos. Isso não quer dizer obrigar ninguém a trabalhar 7 dias na semana, é a gente dar a possibilidade para um país tão grande e tão diverso como o nosso”, pontuou.
Ao final, Fernando Filho afirmou que ficou satisfeito com o desfecho da votação e sustentou que o resultado foi compatível com a posição que já vinha defendendo. “A gente concluiu ontem a votação, feliz de poder… essa sempre foi a nossa posição. A gente sempre tinha dito às pessoas que tinham nos procurado que nós éramos a favor, mas de que a gente tinha que, de fato, fazer o debate sem paixão e ouvindo todo mundo”, declarou.
O deputado lembrou ainda que a proposta agora segue para o Senado. “Foi para o Senado agora. Hoje eu já li uma notícia de que a mesa do Senado já mandou para a CCJ e eu acho que logo em breve a gente vai ter a promulgação da PEC”, afirmou.
Ao ser questionado sobre as críticas feitas por Gilmar Santos na Câmara de Petrolina, Fernando Filho disse que recebeu os comentários com naturalidade e atribuiu a iniciativa ao papel de oposição exercido pelo vereador. “Acho que com muita naturalidade. Ele tá fazendo o papel dele de oposição e eu respeito”, disse. O parlamentar, no entanto, criticou o fato de a moção de repúdio ter sido apresentada antes mesmo da conclusão da tramitação da proposta. “Pelo que chegou ao meu conhecimento, ele queria fazer uma moção de repúdio, não sei, algo parecido, de algo que sequer tinha sido ainda votado. Sequer tinha sido votado ainda na comissão especial, nem no plenário da Câmara tinha chegado ainda”, afirmou.
Na avaliação de Fernando Filho, houve precipitação. “Eu acho que ele se antecipou, se afobou, talvez por estarmos próximos da eleição, todo mundo quer criar aí um movimento, mas eu respeito a posição do vereador”, declarou. Apesar da crítica, o deputado fez questão de manter o tom conciliador e disse ter admiração por Gilmar Santos. “Respeito a posição do vereador, a quem eu tenho muita admiração, por sinal”, afirmou.
Fernando Filho também disse que espera que seu voto favorável à proposta seja reconhecido por quem o criticou. “Ele deveria falar que eu votei a favor e que a gente, enfim, fez o que nós sempre dissemos que ia fazer quando esse texto chegasse na Câmara para votar. Eu tenho certeza que isso ele não vai falar”, comentou.
Ao encerrar, o deputado associou o episódio ao ambiente político pré-eleitoral. “Todo ano de eleição, a gente sabe que os ânimos ficam um pouco mais à flor da pele, mas eu entendo, tô nesse jogo já há muito tempo”, concluiu.



