Pré-candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado escancara disputa na federação União-PP e tensiona projeto de Miguel Coelho em Pernambuco

0
Eduardo da Fonte e Miguel Coelho disputam vaga ao Senado na chapa majoritária da governadora. Fotos: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco; Pipo Fontes/Divulgação

A definição da chapa majoritária da federação União-PP em Pernambuco ganhou novos contornos nesta segunda-feira (29) e expôs, de forma aberta, uma disputa interna pelo Senado que envolve o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e a própria direção nacional da federação.

Após reunião realizada pela manhã para discutir os nomes da chapa majoritária no Estado, Eduardo da Fonte confirmou sua pré-candidatura ao Senado pela federação. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a decisão foi respaldada pela executiva estadual da União-PP. “Isso é um indicativo muito importante, consistente e que consolida a nossa pré-candidatura ao Senado Federal”, declarou.

O movimento, porém, não veio sem ruído. A decisão estadual contrariou uma nota do presidente nacional da federação, Antônio Rueda, que desautorizou a escolha de candidaturas majoritárias em Pernambuco sem unanimidade entre as duas legendas. No comunicado, a direção nacional afirmou que qualquer encaminhamento adotado sem consenso “não produzirá nenhum efeito perante a Executiva Nacional”.

A sinalização política dada em Pernambuco ganhou ainda mais peso quando o copresidente nacional da federação, o senador Ciro Nogueira, adotou posição oposta à de Rueda e reconheceu a pré-candidatura de Eduardo da Fonte. Em nota oficial, Ciro afirmou que a indicação do parlamentar estava ratificada “conforme aprovação da Executiva Estadual” e acrescentou que a decisão do núcleo estadual estaria respaldada pelo “Estatuto e com as normas que regem a organização partidária”.

No centro desse embate está também a pré-candidatura de Miguel Coelho, que participou da reunião, deixou o local sem falar com a imprensa e, pouco depois, decidiu se pronunciar em vídeo publicado no Instagram. Em tom firme, o ex-prefeito de Petrolina reafirmou que continua pré-candidato ao Senado e disse que qualquer definição sem unanimidade passa, obrigatoriamente, pela instância nacional da federação.

“Fala, pessoal, estou aqui para a gente ter um papo reto, sem arrodeios. Sou pré-candidato ao Senado Federal, porque esse é um projeto que foi construído a muitas mãos, para renovar a representação e a força política de Pernambuco em Brasília. Faço parte da Federação União Progressista, que é composta por dois grandes partidos, o PP e o União Brasil. Duas legendas independentes, mas que caminham juntas sem nenhum tipo de imposição”, afirmou.

Na sequência, Miguel tratou de colocar em dúvida o efeito prático da decisão estadual e citou diretamente o estatuto da federação. “O nosso estatuto é muito claro: quando não houver unanimidade nos estados, quem decide candidaturas majoritárias é a Executiva Nacional. O resto é papo furado”, disse.

O ex-prefeito também vinculou a definição da disputa ao calendário eleitoral e ao palanque da governadora Raquel Lyra (PSD). “O momento de definição será nas convenções e sob a liderança da governadora Raquel Lyra. Estamos firmes em nossa caminhada ao Senado, com a força do povo pernambucano ao nosso lado, para ganharmos as eleições e reeleger a governadora Raquel”, declarou.

Do outro lado, Eduardo da Fonte procurou reduzir o impacto do impasse e tratou a divergência como parte natural do processo político. Questionado sobre a reação de Miguel e sobre a nota de Rueda, o deputado afirmou que a decisão estadual está mantida e minimizou a tensão dentro da federação.

“Miguel é um amigo de longas datas, está bem tranquilo. Isso é um movimento político e estaremos juntos na eleição, trabalhando para que a gente possa fortalecer cada vez mais a nossa federação no estado de Pernambuco”, disse.

Ao comentar a publicação feita por Miguel nas redes sociais após deixar a reunião, Eduardo argumentou que a presença do ex-prefeito no encontro reforçaria a legitimidade do que foi decidido. “Veja, é um ponto de vista, mas ele veio, ele estava presente, então a presença dele valida a reunião. Vamos aguardar com calma, com cautela, tudo isso, mas isso faz parte do processo político”, afirmou.

Na avaliação do parlamentar, sua pré-candidatura já estaria formalmente confirmada dentro da estrutura estadual da federação e também respaldada nacionalmente por Ciro Nogueira. “Já está confirmada pela executiva estadual da federação. É quem tem o direito a voto no estado de Pernambuco. E referendada também pelo copresidente Ciro Nogueira. E, para qualquer mudança de qualquer espécie, precisa das duas assinaturas”, declarou.

Apesar do tom mais duro da disputa, Eduardo insistiu no discurso de unidade futura. “Eu tenho certeza de que ele está torcendo para que dê certo, torcendo pela união, e a gente vai estar todo mundo unido na eleição. Vamos estar juntos com todos os integrantes da federação. Eleição é um processo muito duro”, completou.