
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (9), a delegada Lígia Nunes disse que projeto busca dar maior transparência à investigações de homicídios, sobretudo, para familiares de vítimas e pessoas envolvidas em ocorrências criminais
Lígia Nunes, que por quase oito anos esteve à frente da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior e mais recentemente comandou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Bahia (DHPP), assumiu a Corregedoria da Polícia Civil da Bahia. Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (9), a delegada falou sobre os desafios da nova função e apresentou propostas para fortalecer a transparência e a aproximação da corporação com a sociedade.
Segundo Lígia Nunes, assumir a corregedoria representa uma grande responsabilidade, mas também um reconhecimento pela trajetória construída dentro da Polícia Civil.
“Eu me sinto honrada pela confiança da gestão superior da Polícia Civil e entendo que estou apta a exercer essa função, que tem um grande peso e uma grande responsabilidade dentro da instituição”, afirmou.
A nova corregedora destacou que o papel da Corregedoria vai além da punição de servidores. Para ela, a orientação e a prevenção também são fundamentais para evitar irregularidades.
“Muitas pessoas, quando ouvem falar em corregedoria, pensam logo em punições e apurações disciplinares. Mas uma das nossas principais ações é orientar o servidor, mostrar a forma correta de proceder e evitar que essas infrações administrativas ou penais aconteçam”, explicou.
Projeto de transparência nas investigações
Durante a entrevista, Lígia Nunes revelou que pretende ampliar para toda a Polícia Civil da Bahia um projeto iniciado durante sua gestão no DHPP, com o objetivo de garantir mais acesso da população às informações sobre investigações.
A proposta prevê a criação de canais de atendimento para familiares de vítimas e pessoas envolvidas em ocorrências criminais, especialmente nos casos de homicídios e feminicídios.
“Eu vejo no dia a dia muitas cobranças de familiares de vítimas que querem saber o andamento das investigações. Esse projeto vai possibilitar uma porta de acesso para que essas pessoas tenham informações sobre aquilo que puder ser divulgado e também recebam acolhimento”, explicou.
De acordo com a delegada, a iniciativa busca humanizar o atendimento e aproximar a Polícia Civil da população.
“É uma forma de colocar a Polícia Civil mais próxima do cidadão, mostrando o que está sendo feito e oferecendo um ponto de apoio para essas famílias em um momento tão difícil”, afirmou.
Fiscalização e valorização dos policiais
Sobre denúncias envolvendo servidores da corporação, Lígia Nunes informou que todos os relatos recebidos por canais oficiais passam por análise e investigação preliminar.
As denúncias podem chegar por meio da Ouvidoria, Disque Denúncia, canais da Secretaria de Segurança Pública e da própria Corregedoria. Segundo ela, os casos podem ser arquivados quando não há comprovação ou resultar em sindicâncias e processos administrativos disciplinares.
A delegada também ressaltou que a valorização dos profissionais que atuam corretamente faz parte do trabalho da instituição, citando programas de reconhecimento e premiações por resultados alcançados na redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).
Experiência no Vale do São Francisco
Durante a entrevista, Lígia Nunes relembrou a trajetória de quase oito anos comandando a 17ª Coorpin, em Juazeiro, período que classificou como uma “verdadeira escola”.
Ela destacou as operações realizadas na região, o combate a grupos criminosos e a atuação próxima das unidades policiais dos nove municípios que integram a coordenadoria.
“Foi um momento muito rico para mim. Pude exercer várias atribuições como delegada, conduzir investigações importantes, representar por medidas cautelares e realizar grandes operações”, afirmou.
A delegada também lembrou experiências anteriores em unidades do interior, como Quixabeira e Paulo Afonso, onde atuou no atendimento a grupos vulneráveis, especialmente mulheres vítimas de violência.
Segundo ela, a passagem pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Paulo Afonso foi essencial para compreender a importância do trabalho integrado entre Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública e demais órgãos da rede de proteção.
“Quando conseguimos trabalhar em rede, conseguimos atender a população de uma forma muito mais eficaz”, destacou.
Ao final da entrevista, Lígia Nunes agradeceu aos profissionais e parceiros da segurança pública no Vale do São Francisco e afirmou que pretende retornar à região para apresentar o novo projeto da Corregedoria.
“Espero voltar não só para encontros de amizade, mas também para mostrar o trabalho da corregedoria, que vai muito além da punição e das apurações”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra
A entrevista com a nova corregedora-chefe da Polícia Civil da Bahia, delegada Lígia Nunes, no programa Nossa Voz desta quinta-feira (9), está disponível no canal da Grande Rio FM, no canal do YouTube, através do link.


