
Principal anfitrião do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, em Petrolina, o deputado estadual, Lucas Ramos (PSB), avaliou o peso político da primeira agenda oficial de pré-campanha no Sertão do São Francisco, dentro do movimento “Chega Junto Pernambuco”. Ramos tratou a escolha da cidade como um gesto simbólico do PSB em direção ao interior e aproveitou para fazer críticas duras à governadora Raquel Lyra e ao ex-prefeito Miguel Coelho.
Logo no início da entrevista, Lucas afirmou que a agenda de João Campos no Sertão não é casual. Segundo ele, o movimento resgata uma tradição política associada a Eduardo Campos, que também iniciou caminhadas importantes pelo interior de Pernambuco. “A nossa expectativa é de que amanhã (11), recebendo o pré-candidato a governador, João Campos, a gente dê continuidade a uma intensa agenda de visitas do ex-prefeito da capital pernambucana, que começou a sua caminhada para o governo do Estado a partir do Sertão pernambucano”, afirmou.
Para o deputado, a largada pelo Sertão tem peso político e afetivo para o PSB. “Eu acho que essa é uma grande demonstração de compromisso, de responsabilidade e sobretudo de prioridade, de uma agenda que começou no Sertão do Araripe, depois de receber as bênçãos em Juazeiro do Norte, de Padre Cícero, assim como fez o seu pai, Eduardo Campos, em 2006, e assim fez também em 2014, quando candidatou-se a presidente da República. João vem resgatar as raízes, inspirado no modelo e na forma de trabalhar do melhor governador que o nosso Estado já teve, o pai dele. Eu acho que João vem a Petrolina para mostrar o seu compromisso com a principal cidade sertaneja, a capital do Sertão”, declarou.
A agenda deve reunir lideranças políticas de diferentes municípios da região. Lucas citou Afrânio, Dormentes, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Orocó e Cabrobó como cidades de onde são esperadas representações para acompanhar o encontro em Petrolina.
Questionado sobre a necessidade de João Campos se tornar mais conhecido fora da Região Metropolitana do Recife, Lucas reconheceu que o ex-prefeito carrega a força da gestão na capital, mas precisa traduzir esse legado para o interior. Segundo ele, o caminho será apresentar as entregas feitas no Recife como exemplo de capacidade de gestão. “Os seis anos que João esteve à frente da Prefeitura do Recife deram a ele uma credibilidade muito grande sob a ótica da gestão pública. A capacidade de execução de João é reconhecida nacionalmente”, afirmou o deputado, destacandoentre as ações da gestão de Campos, a política de creches e o impacto direto na vida das mães.
Ao ser questionado sobre a busca pelo reconhecimento do Sertão a um possível candidato da capital, Lucas Ramos mirou a gestão Raquel Lyra em áreas consideradas sensíveis para Petrolina e para o Sertão, como abastecimento de água, agricultura irrigada, infraestrutura rural e assistência técnica. O deputado afirmou que a governadora passou anos criticando gestões anteriores, mas não teria conseguido resolver o problema da falta d’água.
“A governadora Raquel Lyra passou três anos e meio da gestão dela criticando o ex-governador Paulo Câmara por não ter resolvido o problema de abastecimento de água em Pernambuco. A pergunta que faço é se ela resolveu. Eu acho que não. As pessoas continuam vivendo em situação de calamidade com falta de água, com situações que se prorrogam no desabastecimento e vivendo a insegurança de rodízio em muitas cidades, em muitos bairros petrolinenses e pernambucanos”, afirmou.
O parlamentar também associou a crítica ao ex-prefeito Miguel Coelho. Segundo Lucas, Miguel prometeu resolver os problemas de saneamento em Petrolina quando foi eleito prefeito, mas também não teria conseguido entregar a solução. “Ela se junta em Petrolina com o ex-prefeito Miguel Coelho, que quando eleito em 2016 dizia que ia resolver o problema do abastecimento de água na cidade e que também não resolveu”.
Outro ponto levantado foi a agricultura irrigada. Lucas afirmou que, na avaliação dele, o atual governo estadual não teria avançado na ampliação de áreas irrigadas. “A governadora Raquel Lyra não fez um hectare irrigado sequer. Isso é deprimente, porque não dá condições para a agricultura familiar, porque não dá ferramentas para os pequenos produtores”, criticou.
O deputado também cobrou atuação da Agência de Fomento de Pernambuco, da Secretaria de Agricultura, do IPA e de políticas voltadas ao pequeno produtor, à agricultura familiar e ao setor produtivo irrigado do Vale do São Francisco. Segundo ele, produtores da região acabam dependendo principalmente de instituições federais, como Banco do Nordeste, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Para Lucas, a eleição de 2026 será uma oportunidade de avaliação direta sobre o resultado da atual gestão estadual. “A pergunta que tem que ser feita ao eleitor no dia 4 de outubro é se a vida melhorou. Isso é uma eleição que serve de reflexão, que serve de oportunidade de ajustes, que serve de colocar no trilho do desenvolvimento o Estado de Pernambuco novamente”, afirmou.
O deputado também tratou da composição política da chapa de João Campos em Pernambuco e minimizou possíveis ruídos nacionais envolvendo o Republicanos. Segundo ele, no plano estadual, o partido está integrado ao palanque de João e Lula.
No fim da entrevista, Ranis optou por nacionalizar o debate estadual ao contrapor o palanque de João Campos ao grupo político da governadora Raquel Lyra, mencionando alianças com forças ligadas ao bolsonarismo. O deputado afirmou que pretende levar essa discussão para a campanha em Pernambuco. “A gente vai fazer essa discussão nacional acontecer aqui em Pernambuco também, para mostrar quem é que está no time de Lula e quem é que está no time de Bolsonaro”, declarou.

