
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (13), o Coordenador Regional do Sindicato do Trabalhador e da Trabalhadora em Educação de Pernambuco (SINTEPE), Robson Nascimento, falou sobre o início do recesso escolar na rede estadual e destacou sobre a importância do período de descanso diante dos desafios inerentes à profissão e das situações adversas relacionadas à infraestrutura precária de muitas escolas
O período de recesso escolar na rede estadual de Pernambuco teve início, oficialmente, na última sexta-feira (10) em todas as unidades de ensino. As aulas do segundo semestre retornam normalmente no dia 27 de julho. Para falar sobre a importância desse período de recesso para os trabalhadores da educação da rede pública de ensino do estado, o coordenador regional do Sindicato do Trabalhador e da Trabalhadora em Educação de Pernambuco (SINTEPE) no Sertão do São Francisco, Robson Nascimento, esteve no programa Nossa Voz desta segunda-feira (13).
Robson Nascimento começou destacando sobre a importância do recesso para os trabalhadores da educação, sobretudo, para aqueles que atuam em escolas de tempo integral.
“É um período de uma pausa dada na educação nesse semestre. Muito importante para a categoria, tendo em vista que nossos trabalhadores passam esse primeiro semestre numa sobrecarga de cobranças, de exaustão mental, sobretudo nas escolas de tempo integral. Esses professores passam a semana na escola, 8 horas por dia na escola. Então, é um esgotamento físico e mental muito grande”, afirmou.
Segundo ele, além das questões que envolvem o próprio exercício da profissão nessa modalidade de ensino, em Petrolina há escolas estaduais que apresentam problemas de infraestrutura que afetam a qualidade de vida dos trabalhadores dentro do ambiente profissional.
“Hoje nós temos em Petrolina 40 e poucas escolas de regime regular. O restante é tudo de tempo integral e temos escolas com muito problema, problema de climatização, problema de estrutura, diversos problemas na estrutura escolar e isso somado a outros fatores de exaustão dá um esgotamento físico e mental muito grande na categoria”, destacou.
O coordenador regional do SINTEPE reforçou que o recesso escolar é um direito garantido por lei e deve servir como um momento de descanso aos trabalhadores da educação.
“Nós conquistamos lá em 1996, na Lei 11.329, que é o Estatuto do Magistério, nós garantimos na lei que os professores teriam 30 dias de férias e uns 15 dias de recesso, que seria feito entre um semestre e outro. Esse recesso escolar é muito importante para que a gente possa recarregar as baterias, para que a gente possa descansar”, disse.
Período para cuidar da saúde
Robson Nascimento explicou que o cuidado com a saúde é o foco principal do recesso escolar para muitos trabalhadores da educação.
“Infelizmente muitos trabalhadores que não têm tempo de cuidar da sua saúde aproveitam esses 15 dias para colocar em dia suas consultas médicas, fazer exames que estão atrasados, com todas as dificuldades que nós temos no atendimento à saúde”, disse.
Ele ressaltou que o cuidado com a saúde mental dos profissionais da rede de ensino no estado faz parte da luta da categoria dentro da campanha salarial. Segundo ele, não há nenhum programa específico na rede pública de ensino de Pernambuco que especifique essa questão.
“A gente tem cobrado na nossa pauta de campanha salarial, na parte de saúde dos trabalhadores, que dê uma atenção melhor a essa questão de saúde mental. Infelizmente não tem nada específico. O professor na escola, o trabalhador em educação, ele infelizmente tem que fazer o papel de tudo: de pai, de mãe, de professor, de psicólogo, de guarda de segurança, porque acontece de tudo na escola”, afirmou.
Adoecimento da categoria
De acordo com Robson Nascimento, esse cenário de sobrecarga tem tornado expressivo o número de afastamentos da função no estado.
“Infelizmente o quadro é alarmante. Se você for olhar não só no Estado de Pernambuco, mas nos municípios também, cerca de 30% da categoria está adoecida, está afastada, está readaptada de função”.
O coordenador regional do SINTEPE disse que a categoria tem sido afetada, sobretudo, por doenças emocionais.
“A síndrome de burnout é o que mais atinge a categoria e nós, infelizmente, temos uma quantidade grande de professores afastados do seu trabalho por conta do acometimento dessas doenças emocionais, doenças psicológicas. Isso devido a uma sobrecarga, tanto da questão da cobrança institucional, mas também daquela situação que os professores veem na escola, a realidade das famílias, a realidade dos estudantes e a realidade socioeconômica dos estudantes”, explicou.
Apesar das dificuldades, categoria registra conquistas recentes em Pernambuco
O coordenador regional do SINTEPE no Sertão do São Francisco concluiu a entrevista destacando sobre as conquistas recentes da categoria no estado.
“Nós concluímos a nossa campanha salarial educacional desse ano. Todos tiveram reajuste, tivemos reajuste agora no vale-alimentação que foi criado na educação em 2010 e desde lá não tinha tido reajuste”, disse.
Robson Nascimento também informou sobre avanços no regime de progressão de carreira dos docentes.
“Conseguimos destravar o plano de cargos e carreira dos professores, na parte de progressão por desempenho. Os professores já estão se preparando para essa avaliação no final do ano para que eles tenham essa progressão”.
Para ele, essas conquistas dão fôlego aos profissionais, diante do cenário de sobrecarga e desafios inerentes à profissão.
“São conquistas importantes que dão também um fôlego à categoria para que eles possam desempenhar o seu trabalho da melhor forma possível”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra
A entrevista completa com o o coordenador regional do Sindicato do Trabalhador e da Trabalhadora em Educação de Pernambuco (SINTEPE) no Sertão do São Francisco, Robson Nascimento, no programa Nossa Voz desta segunda-feira (13), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.


