Guilherme Coelho destaca integração entre Canal do Sertão e Ferrovia Transnordestina, mas ressalta que recursos são entrave

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Foto: Mídias Sociais/Nossa Voz

Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quarta-feira (15), o presidente do Conselho de Administração da Embrapa falou sobre os benefícios das obras para o desenvolvimento da fruticultura irrigada e aumento no potencial de exportação do Vale do São Francisco e afirmou que trabalhará em Brasília pelo andamento do projeto. Representantes do Comitê Pró-Canal do Sertão também ressaltaram a importância do projeto

Projeto estratégico para o futuro do agronegócio regional, o Canal Adutor do Sertão Pernambucano, concebido para ampliar a segurança hídrica, a produção agrícola e o desenvolvimento econômico de municípios do Sertão Pernambucano, ainda depende de definições sobre recursos, cronograma e também execução. Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quarta-feira (15), o presidente do Conselho de Administração da Embrapa e ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho falou sobre as potencialidades desse projeto para o desenvolvimento do agronegócio no Vale do São Francisco.

Guilherme Coelho falou sobre as influências de seu pai, Osvaldo Coelho, ao verificar a necessidade de uma obra desse porte para desenvolver o potencial de irrigação do sertão pernambucano há cerca de 30 anos. Coelho destacou que a obra foi pensada para ser viabilizada a longo prazo, mas que impasse sobre recursos que, segundo ele, existem, precisa ser transposto.

“O que Osvaldo Coelho fazia, na minha cabeça como filho e como quem participou, era ouvir as pessoas. As ideias dele eram ideias das pessoas que ele ouviu. Ele tinha as dele, mas também tinha as ideias das pessoas que ele ouviu. Eu tenho a impressão que tem 30 anos, mais ou menos isso, essa ideia é uma ideia que veio de lá. Então essa ideia, ele tentou fazer com que ela fosse viabilizada. Mas é uma coisa que a gente tem que entender que isso é uma coisa de muito longo prazo e que existe muito recurso, mas que tá na hora de chegar”, afirmou.

De acordo com Guilherme Coelho as áreas previstas para a passagem do Canal do Sertão, na região do Sertão do Araripe, são produtivas e estratégicas, principalmente, para o barateamento do projeto.

“O Araripe tem umas terras fantásticas. Eu esses dias, no estudo básico que eu ouvi falar, você vai pegar água da barragem, você vai botar uma água sob pressão, depois tem uma declividade muito boa. Uma gravidade muito boa que ajuda a fazer com que esse projeto seja um projeto mais barato”, destacou.

Nesse sentido, Guilherme Coelho ressaltou sobre a iminência da obra que levará para outros municípios o desenvolvimento visto em áreas irrigadas de Petrolina, Juazeiro e Casa Nova, municípios do norte baiano.

“Já está na hora de outras cidades terem o que Petrolina tem, o que Juazeiro tem, o que Casa Nova tem, o que os arredores tem. Quando a água chega, chega o agro e chega tudo junto”, disse.

Segundo informações da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, o projeto está em fase de estudos, aquisição de terras, implantação de infraestrutura básica de uso comum e medidas de proteção ambiental, executadas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). 

Coelho ressaltou sobre a luta de lideranças políticas e da sociedade civil em torno da viabilização das obras e, firmando compromisso com o andamento do projeto, Guilherme Coelho afirmou que trabalhará em Brasília para que o Canal do Sertão seja encaminhando de forma mais célere.

“Eu estou a disposição e conversando bastante com eles para ver como presidente do Conselho, como o acesso que eu tenho em Brasília, pode, efetivamente, fazer com que essas coisas andem numa velocidade maior do que a gente precisa”, afirmou.

Integração Canal do Sertão e Ferrovia Transnordestina

Durante a entrevista, Guilherme Coelho destacou sobre a integração entre o projeto do Canal do Sertão e as obras da Ferrovia Transnordestina, que ligará Salgueiro ao Porto de Suape, no Recife, e estão em fase de retomada com foco nos primeiros 73 km (entre Custódia e Arcoverde), mas ainda precisando da aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), quanto aos recursos.

De acordo com Coelho, o conjunto das obras, na prática, reduz distâncias entre Petrolina e o porto de Suape, no Recife. Atualmente, as frutas exportadas pelo Vale do São Francisco passam, principalmente, pelo porto de Pecém, no estado do Ceará. Um percurso de 900 km que, segundo Coelho, pode ser reduzido para 250 km com a conclusão das obras da Ferrovia Nordestina.

“Tem 12 anos que o Vale do São Francisco não exporta frutas para o Suape. Nosso roteiro é Pecém e Salvador. O Porto de Salvador é um porto menor. Então, 80% vai pelo Ceará. E nós temos que levar 900 km para chegar pegar de Petrolina ao Porto de Pecém. Quando a Transnordestina tiver toda OK, nós vamos passar desses 900 km, por rede rodoviária, para 250 km. Então será uma integração fantástica”, ressaltou.

Cristino Guimarães Leite, coordenador executivo do Porto de Suape e produtor de uva há 25 anos, em Petrolina, em participação no programa, disse que os investimentos em modernização no porto tem alavancado o patamar de exportações, sobretudo, com a implantação de um terminal 100% elétrico, único existente na América Latina. Segundo ele, o trabalho feito pela coordenação é destravar a logística entre o porto de Suape e o Vale do São Francisco.

“Meu trabalho aqui, através do convite que foi feito por Guilherme, à época presidente da Abrafrutas, junto com Suape, é da gente tentar destravar o gargalo logístico que há entre o Vale e e Suape”, afirmou.

Comitê Pró-Canal do Sertão

Presente na entrevista, o engenheiro agrônomo e mestre em dinâmica do desenvolvimento do Semiárido, Zacarias Ribeiro Filho, que integra a Comissão Pró-Canal do Sertão, também ressaltou sobre a importância e dimensão da obra que, segundo ele, é a maior existente em Pernambuco.

“Nós estamos aqui ratificando a grandiosidade que é esse canal do Sertão. Não existe nenhum projeto estruturante pensado maior do que esse aqui para Pernambuco. Não existe. Ele precisa gerar impacto de longo prazo. Integração de várias áreas econômicas e sociais, alinhado com estratégia de atingimento de metas mais amplas, complexidade. Tem muitas etapas. São intervenções que mudam a dinâmica da região”, afirmou.

O ex-deputado estadual, Antonio Fernando, uma das lideranças do sertão do Araripe que atua em defesa do canal do sertão, através do comitê, falou sobre a realização de audiências públicas em diversos municípios da região e também ressaltou sobre a importância da viabilização do canal para o estado.

“A gente está retornando já há 2 anos uma luta do comitê em prol do Canal do Sertão, a gente já inclusive fez audiências em algumas localidades, já fez em Trindade, já fez aí em Petrolina, também na Assembleia Legislativa. E também vamos fazer agora no dia 25 na cidade de Cedro. É um projeto muito audacioso do nosso saudoso Osvaldo Coelho, para fazer irrigação em 17 municípios. Maior projeto de irrigação da história de Pernambuco, senão do Brasil”, relatou.

Confira a entrevista na íntegra

A entrevista completa sobre o Canal do Sertão e a Ferrovia Transnordestina no programa Nossa Voz desta quarta-feira (15), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.