Setor produtivo avalia impactos do tarifaço em Pernambuco

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Presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, afirma que a tarifa sobre o açúcar pode chegar a 37,5% - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Estado exportou cerca de US$ 125 milhões em produtos para os EUA somente no ano passado. Representantes do Sindaçúcar-PE, da Fiepe e do governo esperam a derrubada da tarifa

Com a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, na quarta-feira, os setores produtivos de Pernambuco já começam a prever os impactos da medida nas exportações. Atualmente, segundo a Fiepe, o estado exportou cerca de US$ 125 milhões em produtos para os EUA. À nível nacional, o Brasil exportou aproximadamente US$ 40 bilhões em produtos.

A decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), após a investigação da Seção 301, que tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas brasileiras. A taxação entra em vigor a partir da próxima quarta (22).

Um dos produtos que deve sofrer com o tarifaço é o açúcar. Para o presidente executivo da NovaBio e presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, a taxação deve prejudicar o setor.

“O açúcar provavelmente será taxado pela pela Seção 301 e isso vai se agregar aos 12,5% (tarifa do açúcar atual). Era 10%, sobe para 12,5% e vai ter esses 25%, elevando a tarifa para 37,5 %, onerando muito. Os Estados Unidos precisam do açúcar, até porque sempre anunciam cotas adicionais. Eles não reconhecem a essencialidade, mas na prática, o açúcar do Brasil e do Nordeste é essencial para eles”, explicou.

Renato Cunha reforçou que o setor sucroenergético segue atuando junto ao governo federal para reverter a aplicação do tarifaço. “O Sindaçúcar já está fazendo esforços, junto ao Ministério da Agricultura, ao ministro de Indústria e Comércio do Brasil e junto ao Itamaraty, mostrando que a cota deve ser isenta, já que ela retrata uma um tipo de ferramenta que tem por objetivo manter o que sempre houve nessa relação do comércio exterior bilateral, sem tarifas, e mostrar a essencialidade do açúcar”, disse. 

Impacto 
O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, reforçou a preocupação sobre a taxação sobre o açúcar. Ele ainda destacou que a medida vai impactar em 70% da exportação pernambucana para os EUA, especialmente no setor frutífero. 

“É uma medida muito negativa para Pernambuco. Vai impactar em 70% das nossas exportações, sendo as frutas os nossos produtos mais impactados, com exceção da manga. A uva e todas as demais frutas do Vale de São Francisco também estarão (na lista de taxação). O nosso açúcar, muito importante para nossa economia, também vai ser sobretaxado. Então, eu olho isso com muita preocupação”, disse. 

A reportagem procurou a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) para uma avaliação dos impactos no setor frutífero, mas a instituição afirmou que vai esperar mais informações e que deve se pronunciar na próxima semana. 

Mobilização 
Em meio a esse cenário, a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, reforçou que o governo estadual segue monitorando a situação e reforçou que a gestão mantém diálogo com os setores afetados, entre eles o de exportação de frutas. 

“O governo do estado está permanentemente em contato, na escuta. A gente teve esse problema lá atrás e o governo do estado esteve perto o tempo inteiro. Naquele momento, a gente fez um levantamento do impacto que isso causaria. O governo federal se mobilizou também em relação a isso. A gente espera que não se concretize e vamos aguardar, mas todo o setor sabe que vem contando com o apoio do governo do estado”, disse. 

Bruno Veloso também comentou que a Fiepe participou das discussões contra a Seção 301 para evitar o tarifaço e que contou com a ajuda da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

“A CNI nos defendeu juridicamente na Justiça americana. Sabemos que nós fizemos o nosso papel como deveria ser. A indústria sempre está muito preocupada com o comércio exterior”, afirmou.

Folha PE