A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (28) redesenhou o cenário da disputa pelo Governo de Pernambuco. A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece com 43% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) registra 37%.
Apesar da vantagem numérica de seis pontos, os dois estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Na sequência aparecem Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão), todos com 1%. Os indecisos representam 11%, enquanto 6% declararam voto branco, nulo ou disseram que não pretendem votar.
Em uma eventual disputa de segundo turno, Raquel também aparece à frente, com 45%, contra 39% de João Campos. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 8%, mesmo percentual dos indecisos.
Mudança de direção
Mais do que a vantagem numérica de Raquel Lyra, a pesquisa revela uma mudança significativa na trajetória da disputa.
Na rodada anterior da Genial/Quaest, divulgada em abril, João Campos liderava o primeiro turno com 42%, contra 34% da governadora. Em três meses, Raquel cresceu nove pontos, enquanto João recuou cinco.
No segundo turno, a inversão também foi expressiva. João tinha 46% em abril, contra 38% de Raquel. Agora, a governadora aparece com 45%, enquanto o socialista registra 39%.
A comparação entre as duas rodadas indica que Raquel conseguiu transformar a melhora na avaliação de seu governo em intenção de voto. Segundo a pesquisa mais recente, a administração estadual é aprovada por 68% dos pernambucanos e desaprovada por 23%.
As rejeições dos dois principais adversários estão praticamente empatadas: 35% afirmam que não votariam em Raquel Lyra, enquanto 34% dizem o mesmo sobre João Campos.
O resultado fortalece a governadora politicamente, amplia sua capacidade de atrair prefeitos, vereadores e lideranças regionais e reduz a percepção, predominante até meses atrás, de que João Campos seria o favorito isolado da eleição.
Raquel passa a ocupar, pelo menos momentaneamente, a posição de candidata a ser alcançada, embora ainda não tenha construído uma vantagem suficientemente ampla para caracterizar uma liderança consolidada.
João Campos fala em “completo equilíbrio”
Ao comentar o levantamento, João Campos minimizou a mudança e afirmou que Pernambuco vive um cenário de disputa aberta.
“Pernambuco mostra um cenário de completo equilíbrio da disputa, o que é algo previsível”, declarou o socialista em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista Veja.
João também recorreu à trajetória eleitoral do pai, o ex-governador Eduardo Campos, para argumentar que pesquisas anteriores ao período mais intenso da campanha não determinam o resultado das urnas.
“Vi meu pai sair com 3% das intenções de votos numa pesquisa para o governo do Estado, vencer a eleição e ser o maior governador da história de Pernambuco”, afirmou.
A reação de João revela uma mudança importante em seu discurso. Antes tratado como favorito, o socialista agora procura se apresentar como um candidato com espaço para crescimento, especialmente quando começar a percorrer o interior e a expor de maneira mais intensa suas propostas para o estado.
Segundo ele, sua agenda esteve praticamente concentrada no Recife até abril, em razão das responsabilidades à frente da prefeitura.
“Grande parte da minha agenda, ou quase sua totalidade, era na cidade”, explicou.
João afirmou que a campanha entrará agora em uma nova etapa, com viagens e atividades em diferentes regiões de Pernambuco.
“A gente começa agora a andar por todo o Estado, podendo falar do futuro, podendo apresentar o que a gente acredita e, principalmente, mostrar a nossa identidade”, disse.
Outra aposta de João Campos será reforçar sua vinculação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nós estamos com o presidente Lula, não só em Pernambuco, mas em todo o Brasil”, afirmou.
De acordo com João, mais de 60% dos eleitores pernambucanos ainda não saberiam que sua candidatura representa o palanque apoiado por Lula no estado. O socialista acredita que a associação com o presidente, somada à apresentação de suas ações na Prefeitura do Recife, poderá alterar o cenário.
“Tenho certeza que esse alinhamento político, quando a gente mostrar tudo o que eu fiz como prefeito e aquilo que a gente vai fazer enquanto governador do Estado, vai ter uma diferença muito grande”, declarou.
A estratégia mostra que João pretende transformar a eleição estadual também em uma disputa pela preferência do eleitorado lulista. O desafio será consolidar essa associação diante de Raquel Lyra, que integra o PSD, mantém diálogo com o governo federal e também busca construir pontes com partidos da base de Lula.
A pesquisa ouviu 900 eleitores entre os dias 22 e 26 de julho. O levantamento possui margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-03810/2026 e PE-09649/2026.



