Participação da Embrapa aborda restauração da Caatinga, manejo de solo e água e tecnologias sociais para adaptação ao Semiárido
Soluções desenvolvidas no Semiárido brasileiro para restaurar áreas degradadas e ampliar a resiliência às mudanças climáticas são apresentadas na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorre de 17 a 28 de agosto, na Mongólia. As experiências integram o Projeto EtnoCaatinga e envolvem práticas de manejo e conservação de solo e água, conservação de sementes nativas, sistemas agroflorestais e tecnologias sociais voltadas à recuperação de terras secas e a adaptação das comunidades aos efeitos do clima.
A participação brasileira ocorre no contexto das discussões sobre desertificação e restauração de áreas degradadas, com foco em soluções adaptadas às realidades regionais. A pesquisadora da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE) Bárbara Dantas, coordenadora técnica do EtnoCaatinga, integra a delegação brasileira e participa da programação do evento. O projeto é executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA).
Tecnologias sociais e restauração da Caatinga
Desenvolvido nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, o Projeto EtnoCaatinga atua em 15 comunidades tradicionais, incluindo territórios indígenas, quilombolas e de fundo de pasto. A abordagem combina conhecimento científico e saberes locais em ações de diagnóstico socioambiental, planejamento da restauração, implantação de tecnologias e acompanhamento dos resultados.
Entre as soluções utilizadas estão barragens subterrâneas, barreiros-trincheira, sistemas de reúso de água, fogões ecoeficientes, sistemas agroflorestais, viveiros de mudas, casas de sementes e sistemas de energia solar, além de tecnologias como o Sisteminha Embrapa/UFU/Fapemig e iniciativas relacionadas à apicultura. As ações buscam melhorar o manejo de solo e água, diversificar os sistemas produtivos e ampliar a capacidade de adaptação das comunidades às condições do Semiárido.
O projeto também contempla práticas de recaatingamento, com recuperação do solo, produção e manejo de mudas e sementes de espécies nativas e implantação de sistemas agroflorestais. Outra frente é a conservação e o beneficiamento de sementes, que contribuem para ampliar a disponibilidade de material vegetal adaptado às condições locais.
Experiências brasileiras em debate internacional
Na COP17, as experiências do EtnoCaatinga integram diversos debates. No dia 21 de agosto, a pesquisadora Bárbara Dantas participou de mesa-redonda no Pavilhão do Brasil dedicada ao recaatingamento, às tecnologias sociais e à cooperação entre países do Sul Global para a restauração de terras secas na África e na América Latina.
A programação segue no dia 25 de agosto, com a participação da pesquisadora em três painéis que discutirão produção sustentável e resiliência dos territórios; restauração de terras, protagonismo feminino e resiliência climática em regiões secas; e a contribuição das florestas brasileiras para a agenda climática global.
No dia 27, Dantas participa de outros três painéis, com discussões sobre soluções desenvolvidas no Sul Global para enfrentar as mudanças climáticas e a desertificação; o potencial do Nordeste brasileiro como referência para outras regiões semiáridas; e estratégias integradas de uso da água e da terra para fortalecer a segurança hídrica e alimentar.
Para a pesquisadora, a participação no evento amplia as possibilidades de intercâmbio técnico e compartilhamento de experiências. “A COP17 possibilita apresentar experiências desenvolvidas no nosso Semiárido e, ao mesmo tempo, conhecer estratégias adotadas em outras regiões. Esse intercâmbio é muito importante para aprimorar metodologias de restauração e identificar soluções que possam ser adaptadas às diferentes realidades sociais e ambientais”, ressalta.
Sobre a COP17
Conduzida sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança.”, a COP17 da UNCCD busca pactuar ações emergenciais para reverter um cenário global no qual a degradação atinge até 40% das superfícies terrestres.
O Pavilhão Brasil, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reúne atividades voltadas ao intercâmbio de experiências e à cooperação internacional sobre desertificação, degradação da terra e seca.
Com informações da ascom



