Pesquisador Carlos Gava assume chefia-geral da Embrapa Semiárido em setembro

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O pesquisador Carlos Alberto Tuão Gava assume, a partir de 1º de setembro de 2026, a chefia-geral da Embrapa Semiárido – uma das Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizada em Petrolina-PE. Ele substitui a pesquisadora Lúcia Helena Piedade Kiill, que ocupava interinamente o cargo desde janeiro de 2025.

Com 25 anos de atuação na Empresa, Carlos Gava exercia interinamente o cargo de Chefe-Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Semiárido, desde janeiro de 2025, tendo se afastado em março deste ano para concorrer ao cargo de Chefe-Geral. Candidato único, ele passou por todas as etapas previstas na Norma de Recrutamento e Seleção de Candidatos ao Cargo de Chefe-Geral de Unidade Descentralizada da Embrapa, incluindo a apresentação do Plano de Trabalho em audiência pública.

Gava é Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde também cursou mestrado em Agronomia (Ciências do Solo), com especialização em Microbiologia do Solo. Tem doutorado em Produção Vegetal, com concentração na área de Proteção de Plantas, pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), e especialização em Controle Microbiano de Pragas, além de especialização em Biotecnologia pelo CNPq/Biobrás/Unimontes.

Toda a sua carreira na Embrapa foi dedicada à área de Microbiologia agrícola, atuando principalmente com controle biológico de pragas, manejo integrado e agricultura orgânica. Sua linha central de pesquisa é a seleção e desenvolvimento de agentes microbianos de controle para aplicação agrícola.

Na instituição, liderou diversos projetos de pesquisa e construiu uma produção científica expressiva, com mais de 250 publicações registradas nos repositórios institucionais, entre artigos científicos, trabalhos em eventos, capítulos de livros e outros. Também atuou como secretário-executivo do Comitê Técnico Interno (CTI) da Embrapa Semiárido entre 2015 e 2021.
Olhar para o futuro

A proposta de gestão apresentada por Carlos Gava tem como eixo a consolidação da lógica de “Convivência com o Semiárido” e a ampliação de oportunidades. Sua visão combina a competitividade da fruticultura irrigada – já consolidada como uma das principais atividades econômicas da região -, com o fortalecimento de uma agricultura familiar resiliente, inclusiva e digital.

Para materializar essa visão, ele afirma que as pesquisas da Empresa terão foco em soluções de alto impacto, com aplicação da ciência na fronteira do conhecimento. Entre os temas considerados estratégicos para o futuro da agropecuária regional estão a transição agroecológica, a adaptação dos sistemas produtivos às mudanças climáticas, o desenvolvimento de novos bioinsumos, a agricultura biossalina e a agregação de valor às cadeias associadas à biodiversidade da Caatinga.
“Faremos ciência de ponta, mas com os pés no chão, garantindo que a tecnologia da Embrapa chegue de forma simples e barata a quem mais precisa”, reforça.

Valorização das pessoas e parcerias

Outro eixo da nova gestão, de acordo com Gava, será o fortalecimento das parcerias e da capacidade de captação de recursos. Entre as propostas está a estruturação de um Escritório de Projetos, com o objetivo de ampliar a participação da Unidade em parcerias público-privadas e em projetos estruturantes, inclusive em articulação com outras Unidades da Empresa, posicionando a Embrapa Semiárido como referência em inovação aberta.

A valorização das pessoas aparece como outro componente central do plano de trabalho, considerando que “todos os processos que viabilizam o desenvolvimento de soluções na Unidade são executados por pessoas”, como pontuou o gestor. Para tanto, deverá ser adotada uma cultura ativa feedback e de escuta, iniciativas voltadas à equidade, inclusão e qualidade de vida, além da integração entre as diferentes gerações de empregados.
Um terceiro pilar para a eficiência gestão interna, segundo ele, é a desburocratização, focando na simplificação de processos administrativos internos, além da modernização da infraestrutura de tecnologia da informação, laboratórios e campos experimentais.
Transição segura

Visando garantir a estabilidade da instituição, a nova gestão propôs “um plano de transição seguro, estruturado de forma a mitigar qualquer risco de descontinuação de projetos ou sobrecarga de equipes”, destaca Gava. Ele inicia sua gestão ao lado dos três chefes-adjuntos, que permanecem nos cargos que já ocupavam. Conheça os perfis:

Luis Magno Silva de Menezes (Chefe-Adjunto de Administração) – Possui graduação em Ciências Contábeis e especialização em Auditoria e Mensuração Contábil pela Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) e mestrado em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas – EBAPE/FGV. É Analista da Embrapa Semiárido desde 2005, onde foi supervisor do Setor de Gestão Orçamentária e Financeira e do Núcleo de Desenvolvimento Institucional. Está na Chefia-Adjunta de Administração desde setembro de 2021. Também atua como professor assistente da Facape desde 2003.

Reginaldo Alves Paes (Chefe-Adjunto de Transferência de Tecnologia) – Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Faculdade de Formação de Professores de Petrolina, possui mestrado em Desenvolvimento Sustentável, com ênfase em Política e Gestão Ambiental, pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB/CDS). É analista da Embrapa desde 1989, com ampla atuação na área de transferência de tecnologia. Tem experiência nos temas: desenvolvimento sustentável do semiárido, inovação, gestão de ativos, relacionamento com o setor produtivo e propriedade intelectual.
Diogo Denardi Porto (Chefe-Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento) – Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutorado em Biologia Molecular pela mesma Instituição. Desde 2014, é pesquisador da Embrapa Semiárido, atuando na área de Uso Sustentável de Recursos Naturais, com pesquisas voltadas à geração de bases científicas para o manejo e o uso sustentável da flora do bioma Caatinga. Também exerceu a função de secretário-executivo do Comitê Técnico Interno (CTI) da Unidade.

A Unidade

A Embrapa Semiárido é uma Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que atua, prioritariamente, no fortalecimento de sistemas de produção adaptados ao clima da região. Suas pesquisas buscam inovações tecnológicas que contribuem para o desenvolvimento e a sustentabilidade da agropecuária no Semiárido brasileiro, preservando os recursos naturais e a diversidade do Bioma Caatinga.

Para tanto, conta com três Núcleos Temáticos – Recursos Naturais, Agricultura Irrigada e Agropecuária Dependente de Chuva -, dentro dos quais a pesquisa é organizada e definida em linhas prioritárias de atuação, com equipes multi e interdisciplinares e uma abordagem sistêmica.