Medidas apresentadas durante encontro do governo federal incluem ampliação de políticas de convivência com o semiárido, distribuição de água e cestas básicas e ações voltadas à agricultura familiar e à pecuária
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) apresentou, nesta quinta-feira (3), em Juazeiro, no norte da Bahia, um conjunto de ações voltadas à mitigação dos efeitos da seca e das mudanças climáticas no Semiárido. As medidas foram discutidas durante o Diálogo Regional El Niño 2026/2027, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República com representantes do governo federal, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
Entre as principais iniciativas destacadas pelo superintendente do MDA em Pernambuco, Caetano de Carli, está um aporte de R$ 849 milhões para a formação de estoques públicos, principalmente de milho. Segundo ele, a medida busca contribuir para conter a alta do preço do produto, considerado essencial para agricultores familiares e criadores de bovinos, caprinos, ovinos e aves.
“A gente tem 75 municípios em Pernambuco decretando seca e a gente tem no Governo Federal um aporte de 849 milhões que vai ser direcionado para a formação de estoques públicos, principalmente de milho”, afirmou Caetano de Carli.
De acordo com o superintendente, a estratégia está relacionada diretamente aos efeitos econômicos provocados pela estiagem. Com a redução da disponibilidade de pastagem e de outros recursos para alimentação animal, aumenta a dependência dos produtores em relação à ração, elevando os custos da atividade pecuária.
“Para conter o preço do milho, que é muito importante para os todos os agricultores familiares e demais criadores também de bovinos, de caprinos, de ovinos, de frango dentro de todo o Semiárido de Pernambuco”, explicou.
Reforço das políticas de convivência com o Semiárido
Em entrevista à Grande Rio FM 100,7, Caetano de Carli também destacou que a estratégia do governo federal não se limita às medidas emergenciais. Segundo ele, diferentes políticas públicas já existentes deverão ser ampliadas para preparar a população para um período de estiagem.
Entre as ações citadas estão a ampliação da distribuição de água por carros-pipa e de cestas básicas, além de programas desenvolvidos em parceria com organizações da sociedade civil que atuam na convivência com o Semiárido.
O superintendente mencionou ainda programas de assistência técnica e iniciativas relacionadas ao acesso à água e à produção rural. Entre elas estão uma chamada do programa Dom Hélder Câmara voltada à convivência com o semiárido e ações relacionadas às cisternas.
Também foram citados o Terra Mesa e o Garantia-Safra, políticas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e à proteção dos produtores diante dos efeitos de perdas provocadas por eventos climáticos.
“Diversas políticas que já são feitas dentro do Governo Federal para o fortalecimento da convivência com o Semiárido, que serão muito importantes serem ampliadas para que a gente possa preparar o nosso povo nesse período de seca que está vindo”, afirmou.
El Niño e os impactos no Semiárido
A participação do MDA ocorreu dentro da programação do Diálogo Regional El Niño 2026/2027, que teve como objetivo apresentar à sociedade civil organizada as políticas públicas federais de preparação e resposta aos efeitos do fenômeno climático.
Para Caetano de Carli, a necessidade de antecipar medidas está relacionada às consequências que a mudança climática e o novo episódio de El Niño já provocam no semiárido.
“A gente veio aqui junto com a equipe da Secretaria Geral da Presidência da República, diversos ministérios para trabalhar ações já de mitigação aos efeitos de mudança climática e deste novo El Niño que já mostra as consequências aqui no Semiárido”, declarou.
O encontro em Juazeiro reuniu representantes de diferentes órgãos federais, entre eles a Casa Civil, o MDA, o Ministério das Cidades, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Ministério da Saúde e a Defesa Civil.
A agenda faz parte de uma série de sete encontros presenciais realizados em diferentes regiões do país. As reuniões passaram pelo Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza, Santarém e Campo Grande antes de chegar a Juazeiro. O último encontro está previsto para Porto Alegre, no dia 9 de setembro.
A proposta é ampliar a articulação entre governo federal e sociedade civil para fortalecer a preparação do país diante dos efeitos de eventos climáticos extremos, com atenção às particularidades de cada região. No Semiárido, as medidas apresentadas pelo MDA têm como foco tanto a resposta aos efeitos imediatos da estiagem quanto o fortalecimento de políticas permanentes de convivência com a seca.



