A menos de um mês da eleição, 27% dos pernambucanos ainda não sabem em quem votar para o Senado

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Das 81 cadeiras do senado, 54 serão decididas neste ano - Carlos Moura/Agência Senado

Levantamento revela que 18% pretendem votar em branco ou nulo; transferência de votos e crise no STF podem influenciar na escolha

Quase um terço dos pernambucanos ainda está indeciso sobre o voto para o Senado a menos de um mês das eleições. É o que mostra a pesquisa Quaest publicada no último dia 8 de setembro, revelando que 27% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar. Diante das urnas, os pernambucanos deverão escolher dois nomes para o cargo, em um pleito que vai renovar um terço da Casa.

O levantamento da Quaest também mostra que 18% dos eleitores vão apertar o botão “branco” ou “nulo” no dia 4 de outubro. Apesar do recuo de 6 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, o cenário ainda revela que o Senado é um cargo negligenciado pelo eleitor. Os fatores são múltiplos, mas a falta de entendimento sobre a função parece pesar mais, como observa a cientista política Priscila Lapa.

“A eleição para o senador ainda é muito desafiadora, porque requer um conjunto de elementos informacionais que o eleitor nem sempre está disponível para processar. Ele foca na escolha para o Executivo, faz ainda um pouco de esforço para a escolha para deputado, e, para o senador, é um voto meio que decidido realmente de última hora”, fez a leitura.

Quanto aos 27% de indecisos, o professor da Universidade Federal do Piauí e cientista político Elton Gomes também enxerga o reiterado desinteresse e desconhecimento do eleitor médio sobre o papel do senador e os cargos legislativos. “O eleitor, não só o pernambucano, mas o eleitor brasileiro de modo geral, tem pouco entendimento e pouco interesse de fato pela atividade legislativa”, avalia.

Assim como Priscila, Gomes também aponta que a falta de representatividade de um senador em todo o território do estado faz com que muitos eleitores decidam o voto em cima da hora. O cientista usa o cargo de deputado como exemplo, mas aponta que “o cargo de senador é ainda mais negligenciado”. O especialista ainda projeta uma queda ainda maior na indecisão quando, por exemplo, faltar uma semana para o domingo de votação.

Transferência

Segundo os especialistas, um fator capaz de mudar a conjuntura dos 12 candidatos ao Senado pelo estado é o apoio que carregam em suas campanhas. Postulantes que compõem as chapas de candidatos relevantes ao governo estadual podem se beneficiar da transferência de votos. Pretendentes ao Senado que se associam ao bolsonarismo ou ao lulismo também têm a chance de abocanhar um contingente importante de eleitores.

“A depender do estado ou do grupo político, apoiar ou ser de oposição ao governante pode ser um fator-chave para alcançar a vitória eleitoral. Em Pernambuco, não é diferente: há figuras que disputam o Senado e aparecem ligadas à própria governadora e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ou a João Campos e, no plano político nacional, ao lulopetismo. Essa capacidade de transferência existe e não é desprezível, mas não é o único fator que conta”, aponta Gomes.

Priscila olha para o fenômeno da transferência como um movimento que “sempre existiu”. Indo ao encontro de Gomes, a especialista enxerga que a figura do senador é cada vez mais compreendida como um agente político local. Por isso, o apoio por parte dos candidatos ao governo estadual é uma marca histórica.

“Existe a associação do senador quase como um braço acessório do governo estadual, ainda mais na era das emendas parlamentares. As emendas são um elemento político muito importante para os políticos mostrarem como direcionam recursos para os estados. Cada vez mais, as pessoas associam o candidato a senador a alguém atrelado a um projeto político local, e não nacional”, argumenta.

Suprema Corte

O cientista político Elton Gomes ainda sinaliza a importância da eleição para o Senado neste pleito. Diante da crise que o STF vive e da responsabilidade de indicar quatro novos ministros para a Corte no ano que vem, o professor alerta sobre as atribuições do cargo.

“Cargo da mais fundamental importância diz respeito à Câmara do Congresso Nacional, responsável, dentre outras coisas, por aprovar a indicação desses ministros e é também juiz natural dos ministros da Suprema Corte para casos de crime de responsabilidade, também sabatinando outras autoridades, como o procurador-geral da República”, descreve.

Folha PE