Após reclamação de moradora, associação nega desaparecimento de trator e detalha uso do equipamento em comunidade rural de Petrolina

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Um dia após a ouvinte Cíntia questionar, ao vivo, o paradeiro de um trator agrícola no programa Nossa Voz, o presidente da Associação de Moradores e Produtores do Projeto Maria Teresa, Francisco de Assis Pereira de Souza, participou da edição desta quinta-feira (19) para esclarecer a situação. O projeto fica na zona rural de Petrolina, no Sertão de Pernambuco.

A denúncia levantada pela moradora apontava um possível desaparecimento do equipamento, adquirido por meio de emenda parlamentar. Durante o programa, a produção também recebeu vídeos indicando que o trator teria reaparecido na comunidade, o que ampliou a repercussão entre os moradores.

Diante do caso, a equipe solicitou esclarecimentos à associação, à Codevasf e abriu espaço para o contraditório, ouvindo o representante da comunidade.

Trator nunca saiu da comunidade, diz presidente

Segundo Francisco, o equipamento nunca esteve desaparecido e sempre permaneceu dentro da área do Projeto Maria Teresa.

“Esse trator a gente conseguiu através de uma emenda, como você falou, do nosso querido deputado. E esse trator se encontra lá no Maria Teresa. Ele nunca esteve sumido, nunca saiu em nenhum momento. Toda a vida esteve lá. O que acontece é que a gente teve muito cuidado com essa máquina, porque é um equipamento caro e importante para os produtores. A responsabilidade é grande e exige zelo.”

Ele reforçou que o trator pertence à associação, mas tem finalidade específica: atender produtores rurais da região, e não moradores da vila.

“Essa máquina é da associação, mas foi adquirida para prestar serviço aos produtores. Não é para uso geral da comunidade, para quem mora na vila. É um equipamento grande, pesado, pensado para preparar o solo, principalmente depois das chuvas e dos prejuízos que a gente tinha com os ventos que derrubavam os bananais. É uma demanda antiga dos produtores.”

Uso do equipamento segue critérios e não é gratuito

O presidente também explicou que o trator já foi utilizado para cumprir as primeiras horas exigidas pelo fabricante e que agora está disponível mediante agendamento.

“A gente precisou fazer cerca de 200 horas para amaciar o motor, como diz o manual. Isso foi feito com apoio de produtores, inclusive em áreas como o Pontal. Depois disso, ele já prestou alguns serviços, mas ainda estamos estruturando melhor o uso, porque falta, por exemplo, uma grade para complementar o trabalho. A máquina está pronta, mas não completa.”

Francisco destacou ainda que o uso não é gratuito e segue um modelo de custeio coletivo.

“O produtor que precisar faz o requerimento, a gente agenda e a máquina vai. Mas não é de graça. Os custos com combustível, operador e manutenção são pagos pelo produtor. Esse valor retorna para a associação, justamente para manter o equipamento funcionando e disponível para todos. É uma forma de garantir que ele não pare.”

Falta de transparência é contestada

Sobre as críticas de moradores em relação à gestão do equipamento, o presidente afirmou que não foi procurado diretamente antes das denúncias.

“Em nenhum momento essa pessoa me procurou. Ela sabe onde eu moro, tem meu telefone, a gente se conhece desde criança. Se tivesse vindo conversar, a gente explicava tudo. A máquina está à disposição dos produtores, sempre esteve, e a associação não tem nada a esconder.”

Problemas no abastecimento de água também são alvo de queixas

Além do trator, moradores também relataram dificuldades no abastecimento de água na comunidade. Francisco explicou que o sistema depende do Distrito de Irrigação.

“A água para consumo humano depende do distrito. Quando eles ligam as bombas, chega água nas casas. Quando não ligam, não chega. A associação faz a gestão local, como se fosse um condomínio, rateando os custos entre os moradores. É um sistema coletivo que exige a colaboração de todos.”

Ele apontou ainda um problema de inadimplência que impacta diretamente o serviço.

“Hoje a gente tem mais de 1.500 casas, mas menos da metade paga a taxa de água, que é de R$ 18. Em alguns meses, os diretores tiram do próprio bolso para cobrir despesas, pagar energia e funcionários. Isso dificulta muito manter o sistema funcionando e garantir regularidade no abastecimento.”

Obra de reforço no abastecimento está parada

Sobre possíveis soluções, o presidente informou que uma obra para melhorar o fornecimento de água está incompleta.

“Foi iniciada uma obra com a Codevasf e a prefeitura, com construção de adutora e caixa d’água. Está mais de 60% pronta, mas parou. A gente não sabe exatamente o que aconteceu com o recurso, mas já cobramos várias vezes. A expectativa é que seja retomada para melhorar o abastecimento de toda a comunidade.”

Comunidade cobra respostas

O caso do trator e os problemas de infraestrutura expõem um cenário de tensão entre moradores e a associação no Projeto Maria Teresa, em Petrolina. Enquanto parte da população cobra mais transparência e melhorias, a gestão local aponta dificuldades financeiras e falta de colaboração.