Um ato público marcado para o próximo dia 7 de março, a partir das 9h, na Praça do Bambuzinho, em Petrolina, promete reunir mulheres, movimentos sociais e representantes da sociedade civil em defesa de políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero. A mobilização é organizada pelo Coletivo Mulheres de Bamba e pelo coletivo Mãos Solidárias.
O evento integra a programação do mês das mulheres e traz como pauta central a cobrança por medidas concretas do poder público, como a implementação do Dossiê Mulher no município e a adesão formal ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.
“Sem dados, não existe política pública”, afirma representante do Mãos Solidárias
De acordo com Domícia Pessoa, representante do Mãos Solidárias, o ato é um chamado urgente à responsabilidade coletiva.
“O ato convoca todas as mulheres vivas porque a gente entende que esse é um chamado urgente. É um chamado que cobra responsabilidade do poder público, dos órgãos competentes, para que estejam mais presentes e atuantes. A gente precisa de uma rede de proteção eficiente, com controle, fiscalização e políticas que realmente funcionem na prática.”
Ela reforça que a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema privado.
“A sociedade não pode ser cúmplice da violência contra a mulher. A violência não é uma questão individual, ela é uma doença social. E como toda doença social, precisa ser enfrentada de forma coletiva, com informação, prevenção e responsabilização. Quando a sociedade silencia, ela contribui para que essa violência continue.”
Uma das principais reivindicações é a implementação do Dossiê Mulher, previsto em lei municipal desde 2019, mas que ainda não saiu do papel.
“Sem dados, a gente não consegue construir política pública. O Dossiê Mulher vai organizar informações sobre a violência no município, apontar quais bairros são mais vulneráveis, qual o perfil das vítimas, onde a rede precisa ser fortalecida. A invisibilidade mata mulheres. Quando não temos números consolidados, não conseguimos agir de forma estratégica.”
Capoeira como instrumento de resistência e ressignificação
O Coletivo Mulheres de Bamba surgiu em 2021, a partir da vivência pessoal de violência sofrida pela fundadora, Mariane Nunes. A proposta é usar a capoeira como ferramenta de fortalecimento físico, emocional e político.
“O coletivo nasce depois de uma violência que eu sofri. A capoeira já fazia parte da minha vida há mais de 14 anos, e eu trouxe ela como elemento de superação. A gente oferece aulas práticas e também momentos teóricos, porque eu também sou historiadora, e buscamos mostrar que a capoeira é mais do que luta: é resistência, é identidade, é fortalecimento.”
Segundo Mariane, as aulas são voltadas exclusivamente para mulheres e funcionam como espaço de acolhimento e defesa pessoal.
“A prática corporal fortalece, mas também dá noção de defesa pessoal. Muitas mulheres chegam fragilizadas, com medo, e aos poucos vão recuperando a autoestima, a autonomia e o senso de coletividade. É um instrumento de resistência e de reconstrução.”
Atualmente, o coletivo já atua em Juazeiro e Petrolina e deve iniciar um novo núcleo na Associação das Mulheres Rendeiras, no bairro José e Maria.
Pacto nacional e outras pautas
Entre as reivindicações do ato também estão a adesão do município ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e outras pautas sociais que, segundo as organizadoras, impactam diretamente na segurança das mulheres.
“Assumir o pacto significa sair do discurso e formalizar um compromisso. É planejar, traçar metas, estabelecer mecanismos de controle e avaliação. Quando o município assina esse pacto, ele assume publicamente que vai priorizar a vida das mulheres”, explica Domícia.
Além disso, o ato também vai levantar discussões sobre o fim da escala 6×1, direito à moradia e transporte público seguro.
“Transporte seguro também é política de proteção à mulher. Moradia digna também é política de enfrentamento à violência. Tudo isso está interligado. Quando a mulher tem condições básicas garantidas, ela tem mais chance de romper ciclos de violência.”
Convite se estende a homens
As organizadoras destacam que o ato não é exclusivo para mulheres e reforçam a importância da participação masculina.
“A gente precisa dos nossos companheiros presentes. Os homens precisam tomar consciência do que está acontecendo. Todos os dias milhares de mulheres sofrem violência dentro e fora de casa. Esse é um problema da sociedade inteira”, afirma Mariane.
A programação inclui falas públicas, confecção de cartazes, apresentações culturais e momentos de socialização entre coletivos da região.
“Vai ser um espaço de cultura, de arte e também de esperança. Um momento para falar das violências, mas também para valorizar o trabalho das mulheres da cidade. É um ato político, mas também é um espaço de encontro e fortalecimento.”
O ato acontece no sábado, dia 7, a partir das 9h, na Praça do Bambuzinho, em Petrolina. A participação é gratuita e aberta ao público.



