“Bolsonaro lançou minha candidatura quatro vezes, mas partido não me deu espaço”, diz Gilson Machado sobre PL

0

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado confirmou, em entrevista recente ao programa Painel 100,7, que a decisão de deixar o Partido Liberal (PL) em Pernambuco foi motivada, principalmente, pela ausência de espaço interno para viabilizar sua candidatura ao Senado nas eleições de 2026. A saída foi oficializada no dia 21 de janeiro e encerra um período prolongado de desgaste político dentro da legenda.

Segundo Machado, apesar de ter sido publicamente lançado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em mais de uma ocasião, a direção estadual do partido não garantiu as condições necessárias para que ele pudesse disputar o cargo. “Eu não tive espaço no PL para ser candidato ao Senado. Apesar de o presidente Bolsonaro ter lançado minha candidatura quatro vezes, o partido infelizmente não me deu esse espaço. Isso se tornou notório”, afirmou.

Na entrevista, o ex-ministro destacou que optou por uma saída sem confronto direto. Disse não ter perfil de gerar conflitos internos e que preferiu deixar o partido “à vontade para seguir em frente”. Mesmo fora da sigla, afirmou que continua torcendo para que o PL obtenha uma boa votação em Pernambuco e reforçou que sua lealdade política a Bolsonaro permanece intacta. “O partido que eu for, vou buscar apoio para falar com Bolsonaro. É isso que a gente faz”, declarou.

O rompimento ocorre em meio à consolidação do grupo liderado por Anderson Ferreira, presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado. A definição interna de lançar apenas um nome para a disputa majoritária acabou isolando Machado, que vinha perdendo espaço na estrutura partidária no estado.

Questionado sobre o futuro político, Gilson Machado afirmou que ainda não definiu a nova legenda, mas confirmou que mantém conversas com diferentes partidos e lideranças nacionais. Ele admitiu que há especulações envolvendo siglas como Podemos e Progressistas (PP), mas evitou confirmar qualquer negociação. “No momento certo, vou dar coletiva e todos vocês vão saber. Negociação a gente não divulga antes”, disse, acrescentando que a definição deve ocorrer apenas em fevereiro.

Durante a entrevista, Machado também buscou se credenciar para a disputa eleitoral ao relembrar ações e investimentos viabilizados enquanto esteve no Ministério do Turismo. Citou aportes superiores a R$ 1 bilhão em obras para Petrolina durante o governo Bolsonaro, a promoção internacional dos vinhos e frutas do Vale do São Francisco em eventos no exterior, além de projetos como a dragagem do Porto do Recife, a valorização do forró como patrimônio cultural e a entrega de equipamentos culturais em cidades como Caruaru. Segundo ele, foram mais de 200 obras em Pernambuco e mais de 3.200 em todo o país.

Ao ser questionado sobre alianças políticas, Machado afirmou que trabalha para construir uma frente ampla no campo da centro-direita e do bolsonarismo, buscando o maior número possível de apoios. Reforçou, no entanto, que só divulgará detalhes após a definição partidária.

Para o caso de uma eventual eleição ao Senado, o ex-ministro afirmou que suas prioridades legislativas iniciais seriam a defesa da liberdade de imprensa, o fortalecimento do equilíbrio entre os poderes e a atuação fiscalizadora do mandato. “A função precípua de um senador é buscar recursos e oportunidades para o seu estado e fiscalizar os demais entes do poder”, concluiu.