Câmara de Petrolina vai homenagear 46 mulheres durante programação da Semana da Mulher

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Dentro da programação da Semana Internacional da Mulher, a Câmara de Vereadores de Petrolina realiza, no próximo dia 19, uma solenidade especial para homenagear 46 mulheres de diferentes segmentos da sociedade. A iniciativa foi detalhada nesta quarta-feira (4) pela vereadora Maria Helena de Alencar, em entrevista acompanhada por integrantes do Instituto Sociocultural do Movimento de Mulheres do Sertão Pernambucano.

De acordo com a parlamentar, cada um dos 23 vereadores indicou duas mulheres para receber a homenagem, contemplando lideranças comunitárias, trabalhadoras, mães e representantes de diversos espaços de atuação.

“Você sabe que nunca passou em branco o Dia da Mulher na Câmara. Em outros anos eu mesma articulei as indicações, convenci meus colegas da importância de trazer essas mulheres, mas entendi que precisava ampliar essa participação. Agora é uma prática da Casa: todos os vereadores indicam duas mulheres. É uma forma democrática de reconhecer quem realmente faz a diferença em Petrolina”, afirmou.

A vereadora explicou que a solenidade não será realizada no dia 8 de março por conta do calendário legislativo.

“Os trabalhos começaram mais tarde este ano e a pauta está muito apertada. Temos projetos do Executivo, audiências públicas e muitas demandas da população. Por isso, a solenidade ficou para o dia 19. A Câmara precisa dar vazão aos problemas da cidade”, disse.

Maria Helena defendeu, inclusive, a ampliação do número de sessões semanais.

“Cada sessão reúne 23 vereadores produzindo, debatendo, apresentando propostas. Eu vou provocar meus colegas para discutirmos três sessões por semana. Não é para aparecer, é para dar oportunidade ao povo de cobrar, acompanhar e participar mais”, destacou.

Violência contra a mulher preocupa

Durante a entrevista, a vereadora também chamou atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher.

“A violência contra a mulher, desde a doméstica até o feminicídio, tem percorrido um caminho muito rápido. São crimes que têm acontecido com frequência e a sociedade nos questiona. Precisamos transformar essa luta em ações concretas e permanentes”, afirmou.

A preocupação é compartilhada pelo Instituto Sociocultural do Movimento de Mulheres, representado na entrevista por Cristiane Damasceno e outras integrantes.

Cristiane ressaltou que muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades.

“A maioria das mulheres que sofre violência nunca fez a primeira denúncia. Cerca de 80% não denunciaram antes de algo mais grave acontecer. Por isso, nosso trabalho começa dando voz, mas também organizando essas falas para que se transformem em ações concretas”, explicou.

Segundo ela, o instituto reúne profissionais de diversas áreas, como psicólogas, assistentes sociais, advogadas, engenheiras e lideranças comunitárias.

“O instituto nasce da própria organização das mulheres. A gente se reúne, escolhe projetos, define a melhor forma de agir. Temos psicólogas, assistentes sociais, advogadas, mulheres do comércio, donas de casa, mulheres negras. São experiências diversas que fortalecem essa rede”, disse.

Projeto “Fala Mulher que eu te escuto” começa dia 11

Uma das primeiras ações do ano será realizada no dia 11, na comunidade de Mandacaru, com uma roda de conversa intitulada “Fala Mulher que eu te escuto”.

“Nossa primeira agenda será em Mandacaru, na casa de dona Vaneide. Vamos ouvir 30, 40 mulheres, entender as sobrecargas e vivências. Não é só falar por falar. Essas conversas serão organizadas, acompanhadas por profissionais, para gerar encaminhamentos”, afirmou Cristiane.

Ela reforçou que o trabalho não se limita ao mês de março.

“A gente não vem aqui só porque é 8 de março. É um trabalho contínuo, que acontece o ano inteiro. Estaremos nas comunidades, com mulheres trabalhadoras, no comércio, em todos os espaços”, destacou.

Maria Helena lembrou que o instituto foi criado em 2008 e que a atuação vai além do mandato parlamentar.

“É importante que a população saiba que não é só a vereadora Maria Helena. Somos um grupo de mulheres envolvidas nesse instituto desde 2008. Existe uma rede organizada que trabalha em parceria com o poder público e com a sociedade”, afirmou.

Parcerias e aplicação das leis

A vereadora também enviou mensagem à Secretaria da Mulher do município, defendendo integração entre os órgãos de proteção.

“Contem com a Câmara. Sempre encaminho às instituições um kit com todas as leis que temos aprovadas para proteção da mulher, do idoso, dos animais. Mas não adianta só discurso. É preciso aplicar, fazer valer”, concluiu.