CIPE Caatinga celebra 25 anos em Juazeiro com ações voltadas à memória, à tropa e à comunidade

0

A CIPE Caatinga completa 25 anos de atuação como uma das unidades mais estratégicas da Polícia Militar da Bahia, com presença marcante no enfrentamento à criminalidade em áreas desafiadoras do Sertão. Para celebrar a data, uma programação especial está sendo realizada em Juazeiro, reunindo ações institucionais, atividades de aproximação com a comunidade e iniciativas de valorização da história da tropa.

Em entrevista ao programa Nossa Voz, o comandante da unidade, major Érico de Carvalho, destacou que a trajetória da CIPE Caatinga está diretamente ligada à necessidade de resposta a um cenário de violência que atingia fortemente o interior baiano no início dos anos 2000.

“É um orgulho para a gente estar aqui hoje completando 25 anos, uma unidade que, desde a sua fundação, buscou atender a necessidade do sertanejo, da população que sofria as mazelas”, afirmou. Segundo ele, a criação da tropa foi resultado de um movimento regional. “Em 2001, essa região nossa estava bem sofrida e 28 prefeitos se reuniram e clamaram por essa necessidade”, lembrou.

De acordo com o comandante, os desafios da segurança pública no Sertão não desapareceram ao longo do tempo, mas foram se transformando. Ele explicou que a unidade precisou evoluir para acompanhar as mudanças no perfil da criminalidade. “O desafio não muda, ele acrescenta. Continuam os mesmos de antes, só que nós nos adaptamos e evoluímos também”, disse.

Ao falar sobre o diferencial da CIPE Caatinga, major Érico ressaltou que o trabalho especializado vai além da atuação operacional. Segundo ele, a unidade se tornou referência nacional tanto na capacitação quanto nos resultados obtidos.

“Hoje a CIPE Caatinga se especializou e se tornou referência nacional, tanto na capacitação quanto nos resultados”, afirmou. Ele destacou ainda que o policiamento da unidade reúne preparo técnico e conhecimento do território, ponto considerado decisivo em uma região onde, historicamente, criminosos tentavam se aproveitar das dificuldades geográficas do Sertão para escapar da ação policial.

“O policiamento da Caatinga tem um conhecimento mais técnico, além da parte de conhecimento do terreno”, explicou.

Como parte da programação comemorativa, a unidade abriu as portas do quartel para a visita de estudantes de escolas públicas, em uma ação voltada à aproximação com a comunidade e ao fortalecimento do vínculo com as novas gerações.

“Nesta semana, abrimos o quartel para as escolas públicas, para a criança conhecer a nossa história, nossos equipamentos e essa aproximação com a educação”, disse o comandante. Segundo ele, o contato com os estudantes também tem forte impacto simbólico para os policiais. “A gente vê o brilho da criança olhando para a gente, querendo abraçar um policial. Isso dá uma satisfação e uma motivação”, afirmou.

A preparação dos policiais para atuar em um ambiente com características tão específicas como a Caatinga também foi destacada pelo comandante. De acordo com ele, a capacitação é uma das bases do trabalho da unidade. “Nós temos os cursos que capacitam o policial. Temos o curso de adaptação à Caatinga, de uma semana, e o curso de operações rurais, de dois meses”, detalhou.

Outro momento importante da celebração é o lançamento de um livro sobre a origem da tropa, iniciativa que busca preservar a memória institucional e registrar o contexto histórico da criação da CIPE Caatinga. “Muita gente não sabe a história, o que passou, os motivos. Muito sangue e suor foram derramados por isso”, afirmou major Érico. Ao lembrar os primeiros anos da unidade, ele citou áreas como Barra do Tarrachil, onde, segundo ele, a população convivia com assaltos em estradas, assaltos a banco, plantio de maconha e restrições até mesmo ao acesso à água.

“Hoje a gente vê uma sensação totalmente diferente. Não que tenha acabado, mas diminuiu”, pontuou.

O comandante também ressaltou que a atuação da CIPE Caatinga inclui o combate ao crime organizado, em articulação com outras forças de segurança. Segundo ele, há uma integração constante com instituições como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e forças de segurança de Pernambuco, diante da dinâmica interestadual da criminalidade na região.

“Essa parceria tem enfrentado a marginalidade, porque ela não tem fronteira”, afirmou.

Atualmente, a CIPE Caatinga atua em 22 municípios. Major Érico lembrou que a unidade foi a primeira da modalidade na Bahia e que sua criação foi motivada, inclusive, pelo deslocamento de criminosos de Pernambuco para o território baiano. O modelo se consolidou a ponto de inspirar a criação de outras unidades semelhantes no estado.

“Deu tão certo na Bahia que hoje nós temos mais de 12 unidades da mesma modalidade. Então a CIPE Caatinga é a mãe dessas unidades”, disse.

Ao projetar os próximos anos, o comandante afirmou que o trabalho seguirá centrado em três pilares: investimento, adaptação e proximidade com a população.

“A gente precisa dessa aproximação. Fomos criados para a comunidade”, declarou. Para ele, os 25 anos da unidade representam também um momento de agradecimento à sociedade, às instituições parceiras, às prefeituras e aos comerciantes que contribuíram com a consolidação da tropa.

“É um momento de agradecer e de reafirmar que estaremos sempre à disposição para o que a sociedade precisar”, concluiu.