A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) emitiu nota nesta quarta-feira (25) após ser citada na Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de direcionamento de verbas federais em Pernambuco.
Em nota, a Codevasf informou que repudia quaisquer eventuais desvios na administração pública. A companhia afirmou ainda que atua em ativa cooperação com órgãos de fiscalização e controle e que presta suporte integral ao trabalho das autoridades policiais e da Justiça.
“Em atenção a notícias veiculadas sobre a Operação Vassalos, da Polícia Federal, com menções à Codevasf, a Companhia registra que repudia quaisquer eventuais desvios na administração pública, que atua em ativa cooperação com órgãos de fiscalização e controle e que provê suporte integral ao trabalho de autoridades policiais e da Justiça.“
Segundo a investigação, a cúpula da 3ª Superintendência Regional da estatal, com sede em Petrolina, teria atuado sob influência direta da família Coelho, grupo político tradicional do estado.
De acordo com a PF, o então superintendente Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva mantinha relação de subordinação informal com integrantes da família e enviava mensagens periódicas de prestação de contas. Antes de assumir o cargo na Codevasf, ele atuou como assessor parlamentar do ex-senador Fernando Bezerra Coelho. A apuração indica que, mesmo após a nomeação, em 2016, ele teria continuado a reportar decisões e ações ao grupo político.
Para os investigadores, a influência teria sido essencial para o funcionamento de um suposto esquema de direcionamento de recursos, especialmente emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, para projetos previamente escolhidos.
Parte das verbas, segundo a PF, teria beneficiado empresas ligadas ao grupo político, entre elas a Liga Engenharia, que acumulou mais de R$ 100 milhões em contratos de pavimentação em Petrolina desde 2017.
Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram ainda que o então senador Fernando Bezerra Coelho demonstrou preocupação com a permanência de Aurivalter no comando da superintendência. Em diálogo com o general Luiz Eduardo Ramos, à época ministro-chefe da Secretaria de Governo, o senador reclamou da possibilidade de substituição do indicado. A frase atribuída ao ministro — “Pernambuco é do senhor, senador” — é citada na investigação como indicativo do grau de influência política exercido sobre a estatal.
A Operação Vassalos apura suspeitas de organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.



