Como envelhecer com qualidade de vida, autonomia e dignidade, segundo especialista

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Envelhecer não precisa ser sinônimo de doença. Mas para manter saúde, autonomia e dignidade na terceira idade, especialistas alertam que é preciso planejamento, prevenção e mudanças de hábitos. Em entrevista nesta segunda-feira (2) ao programa Nossa Voz, a médica da família Aline Oliveira explicou como cuidar da saúde na terceira idade e desmistificou conceitos sobre envelhecimento e funcionalidade do corpo.

“Como envelhecer com qualidade de vida, autonomia e dignidade, né? O conceito de saúde mudou bastante. Antigamente, a gente pensava que saúde era ausência de doença, mas hoje a Organização Mundial da Saúde entende saúde como um completo estado de bem-estar físico, mental e social. Ou seja, a saúde do idoso não é apenas não ter doenças; é ter funcionalidade, estar inserido socialmente e reconhecer-se enquanto ser social importante. Envelhecer é um processo que pode ser vivido da forma mais saudável possível, considerando todas essas dimensões”, explicou a médica.

Entre os principais desafios da terceira idade, Aline destaca a sarcopenia, a perda de massa muscular, que compromete a autonomia do idoso. “Quando a gente fala de sarcopenia enquanto doença, estamos falando de uma perda de massa muscular tão grande que a pessoa apresenta fraqueza, astenia e perda de funcionalidade. Esse é um marcador de envelhecimento, porque os idosos frágeis que não cuidam da força muscular envelhecem de forma menos saudável. Precisamos de um corpo capaz de realizar atividades básicas como subir escadas, tomar banho e se alimentar sozinho. Além disso, a perda de massa muscular também impacta funções cognitivas”, afirmou.

A médica também ressaltou a importância de exercícios de força, como musculação e pilates, mesmo para quem já passou dos 65 anos. “Velhice é um estado, mas envelhecimento é um processo contínuo desde o nascimento. Não existe um ‘momento certo’ para começar a prevenir as condições da terceira idade. Estudos mostram que idosos que iniciam atividades físicas mesmo após os 65 anos ainda apresentam ganhos funcionais. O importante é que o tipo de exercício, intensidade e frequência sejam orientados por um profissional, considerando segurança e adequação às condições do idoso. Não podemos simplesmente dizer para um idoso: ‘Vá caminhar’. A caminhada envolve riscos, porque uma a cada três quedas de idosos leva a internação e aumento da mortalidade”, explicou.

Aline reforçou ainda a relevância da alimentação na terceira idade. “O idoso pode apresentar perda de apetite, alteração do paladar ou dificuldade de mastigação. Além disso, muitos envelhecem com múltiplas condições de saúde, como hipertensão, diabetes ou osteoporose, o que exige cuidados na dieta. É essencial pactuar a alimentação com o idoso, considerando suas preferências, limitações e comorbidades, e contar com a orientação de um nutricionista. Além disso, certos sinais, como perda de peso não intencional, são marcadores de fragilidade e devem ser tratados com atenção”, alertou.

Para Aline, envelhecimento saudável envolve atenção integral à saúde física, mental e social. “O idoso precisa sentir-se pertencente ao espaço em que vive. Em um caso que acompanhei, uma senhora parou de se alimentar porque não podia mais cozinhar e sentir que suas refeições não eram valorizadas. Isso mostra que a fragilidade também está relacionada a fatores emocionais e sociais. Cuidar da terceira idade é olhar para o corpo, a mente e o contexto de vida dessa pessoa”, concluiu.