O Sindicato dos Servidores Municipais de Petrolina (Sindsemp) e a gestão municipal deram mais um passo nas negociações da campanha salarial 2026. A pauta inclui reajuste anual, valorização do magistério, revisão de gratificações e melhorias nas condições de trabalho.
Em entrevista ao Nossa Voz, o presidente do Sindsemp, Walber Lins, afirmou que houve avanço nas tratativas, embora a negociação ainda não esteja concluída. Segundo ele, parte das propostas já foi aprovada em assembleia realizada na última semana, mas outros pontos seguem em discussão na mesa permanente de negociação.
De acordo com o sindicato, a proposta inicial defendida pela entidade era de 6,7% de reajuste, somando a reposição inflacionária, calculada em 4,26%, ao índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
A proposta apresentada pela prefeitura prevê 5,5% de reajuste geral para os servidores e 6,5% para o magistério, percentual acima do piso nacional concedido pelo governo federal, que foi de 5,4%.
“Além da reposição da inflação, conseguimos um ganho real. Não foi exatamente o percentual que defendíamos, mas houve avanço”, destacou o presidente do sindicato, ressaltando que o índice representa o quarto ano consecutivo de reajustes com ganho acima da inflação.
Também foram discutidos reajustes em gratificações, como a estabilidade financeira, o que impacta diretamente servidores aposentados que têm direito à paridade.
Infraestrutura preocupa servidores
Apesar do avanço salarial, o sindicato afirma que as condições de trabalho seguem como ponto sensível nas negociações. Um dos casos citados envolve a unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), onde, segundo o sindicato, problemas estruturais têm afetado a rotina dos profissionais.
“Recebemos denúncia de retorno de esgoto dentro da unidade e falta de água durante o plantão. Estamos falando de uma equipe que atua 24 horas salvando vidas e que não pode sequer utilizar o banheiro adequadamente”, afirmou Walber Lins.
O sindicato informou que a situação foi comunicada à Secretaria de Saúde e aguarda providências. A entidade também cobra melhorias em climatização de unidades, reposição de equipamentos e mobiliário, além de celeridade na distribuição de materiais já adquiridos.
Concurso público e plano de carreira
Outro ponto destacado na negociação é a necessidade de ampliação do quadro efetivo por meio de concurso público. Segundo o sindicato, atualmente a rede municipal de educação conta com cerca de 10 mil servidores, sendo aproximadamente 70% contratados.
Para a entidade, o alto número de vínculos temporários enfraquece o instituto de previdência municipal e compromete a estabilidade do serviço público.
“O concurso é fundamental para garantir reposição de massa e fortalecer o quadro efetivo”, afirmou o presidente.
O sindicato também voltou a defender a criação de um plano de carreira unificado para os servidores municipais que ainda não possuem estrutura própria. Segundo Walber, a discussão esbarra principalmente em questões financeiras.
Negociação segue aberta
A assembleia da última quinta-feira aprovou parte das propostas apresentadas, mas o sindicato afirma que a campanha salarial não está encerrada.
“A negociação não se fecha. A mesa é permanente. Vamos continuar discutindo os demais pontos até que haja avanço em toda a pauta”, concluiu o presidente do Sindsemp.



