O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco em Petrolina manteve, ao longo de 2025, uma média de cerca de 2.100 ocorrências atendidas, número semelhante ao registrado em 2023 e 2024. O balanço foi apresentado pelo tenente Patrick Barbosa, oficial do 4º Grupamento de Bombeiros, em entrevista nesta quarta-feira (7) ao programa Nossa Voz.
“As ocorrências de 2025 não saíram do padrão dos anos anteriores. Desde 2023, a gente observa uma média de aproximadamente 2.100 ocorrências durante o ano. É um volume que se mantém estável e mostra que a demanda pelo serviço do Corpo de Bombeiros continua muito alta na região”, afirmou.
Segundo o tenente, os atendimentos pré-hospitalares lideram as estatísticas. “A maioria das nossas ocorrências é de atendimento pré-hospitalar. Na rua, a população vê muito a ambulância rodando e a gente divide essa atribuição com as equipes do Samu. Mesmo assim, esses atendimentos continuam sendo os campeões, principalmente quedas de moto e acidentes diversos”, explicou.
Na sequência aparecem os incêndios e as ocorrências de salvamento. “Depois vêm as ocorrências de incêndio e, logo em seguida, as de salvamento, que envolvem eventos com pessoas, com animais, capturas de animais, salvamentos aquáticos e também algumas ocorrências com produtos perigosos, como vazamento de GLP. No geral, a gente mantém uma média de seis ocorrências por dia”, detalhou.
Afogamentos preocupam no início de 2026
O tenente Patrick Barbosa chamou atenção para os registros de afogamentos no início de 2026, período marcado por férias escolares e altas temperaturas.
“Infelizmente, o ano de 2026 começou com uma estatística triste. Tivemos afogamentos tanto do lado de Petrolina quanto do lado de Juazeiro. No Rodeador houve registro de afogamento e na Ilha do Fogo também. São situações que se repetem e que, muitas vezes, poderiam ser evitadas”, lamentou.
De acordo com ele, o perfil das vítimas costuma ser semelhante. “Na maioria das vezes, é aquela pessoa que, entre aspas, sabe nadar, tem uma certa confiança e acaba se colocando numa situação de risco. Ela entra mais no rio, cai numa corrente, tenta voltar para o mesmo lugar de onde saiu, não consegue, se cansa e acaba se afogando”, explicou.
O oficial destacou ainda o consumo de bebida alcoólica como um fator recorrente. “Eu não posso generalizar e dizer que são todas as ocorrências, mas muitas envolvem bebida alcoólica. Isso é um fator de risco muito grande, porque a pessoa acaba ficando com uma coragem a mais e se expondo a situações perigosas”, alertou.
Como principal orientação, o tenente reforçou uma regra simples e conhecida entre os guarda-vidas. “A gente usa muito um ditado que diz: água no umbigo é sinal de perigo. Para quem não tem prática de natação em águas abertas ou até mesmo em piscina, essa é a profundidade ideal para aproveitar o banho de forma mais segura, sem se colocar em risco”, ressaltou.
Correnteza e variação do nível do rio aumentam o perigo
Outro ponto destacado na entrevista foi a influência da vazão da Usina de Sobradinho no nível do Rio São Francisco.
“A profundidade do rio varia de acordo com a vazão liberada pela usina de Sobradinho. No dia 31, por exemplo, houve um aumento dessa vazão. Em poucas horas, quando nossa equipe estava na Ilha do Fogo após a recuperação de um corpo, o nível da água subiu cerca de um metro”, relatou.
Segundo o tenente, essa mudança rápida representa um risco adicional para os banhistas. “A morfologia do rio e das ilhas é delicada para quem não conhece. Existem áreas de remanso, onde a água parece parada, a pessoa fica ali tranquila, mas dá um passo para o lado e a correnteza pega com força. É um perigo real”, explicou.
Ele também reforçou a necessidade de atenção com crianças. “Os pais precisam ter uma preocupação redobrada. O rio muda de profundidade muito rapidamente, e isso pode pegar qualquer pessoa de surpresa”, completou.
Atendimento regional e efetivo do 4º Grupamento
O Corpo de Bombeiros de Petrolina não atende apenas o município. Segundo o tenente Patrick Barbosa, o 4º Grupamento integra a Área Integrada de Segurança 26, que engloba Petrolina, Afrânio e Dormentes.
“A nossa sede aqui em Petrolina atende essas três cidades. Além disso, temos uma segunda seção de bombeiros em Santa Maria da Boa Vista, que faz parte da AIS 25 e atende Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó e Orocó. No total, são sete municípios sob nossa responsabilidade”, explicou.
Atualmente, o grupamento conta com 99 militares. “Temos hoje uma força de 99 militares, entre oficiais e praças, que compõem o quadro administrativo e o quadro operacional”, afirmou.
Em Petrolina, há três guarnições ordinárias em serviço. “Temos diariamente a guarnição de salvamento, a de resgate e a de incêndio. Além disso, contamos com a guarnição de mergulho, que é um serviço muito específico”, detalhou.
Sobre essa equipe, o tenente acrescentou: “A guarnição de mergulho é responsável, muitas vezes, pela recuperação de corpos em casos de afogamento e também atende ocorrências em outras cidades. Não é raro essa equipe sair de Petrolina para atuar em locais como Ouricuri, Araripina, Salgueiro e até Serra Talhada”.
O Corpo de Bombeiros Militar completa 40 anos de atuação em Petrolina, consolidando-se como uma das principais forças de resposta a emergências no Sertão do São Francisco.



