Os Correios já iniciaram as articulações para tentar levantar até junho os R$ 8 bilhões extras necessários para tocar seu plano de reestruturação, por meio de novo empréstimo ou aporte da União. A estratégia busca evitar que a empresa enfrente uma nova crise em pleno período eleitoral.
Os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 por meio de operação de crédito contratada com cinco bancos -dois deles controlados pelo governo federal- devem durar até meados deste ano, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela reportagem.
O prazo pode se estender um pouco mais, caso medidas como o PDV (programa de demissão voluntária) sejam bem-sucedidas. Mesmo assim, a avaliação é que resolver o quanto antes o valor pendente é essencial para afastar o risco de um buraco no caixa em meio à campanha, o que daria munição para os adversários do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os Correios estimaram uma necessidade total de R$ 20 bilhões para tocar seu plano de reestruturação. O dinheiro será usado para regularizar dívidas, financiar medidas de ajuste (como incentivos à adesão ao PDV e mudanças no plano de saúde) e manter em dia as demais obrigações da companhia.
Do empréstimo já contratado, R$ 10 bilhões entraram no caixa no fim do ano passado, e outros R$ 2 bilhões serão repassados até o final de janeiro.
Em entrevista coletiva no fim de dezembro, o próprio presidente da empresa, Emmanoel Rondon, destacou que a companhia precisaria de mais R$ 8 bilhões para honrar seus compromissos.
Nesta semana, o comando da empresa iniciou os contatos com instituições financeiras para medir o apetite para uma nova operação de crédito, mas há intenção também de buscar a concretização do aporte sinalizado pelo Ministério da Fazenda na contratação do empréstimo com os bancos.



