Nesta quarta-feira, 02 de abril, completa-se uma década da morte de Carlos Augusto, um dos maiores nomes da comunicação do Sertão nordestino. Natural de Petrolina, onde nasceu em 1941, o radialista deixou um legado imensurável como defensor da cultura popular, voz das comunidades rurais e símbolo da identidade nordestina. Dez anos depois, a cidade ainda sente sua ausência – e faz questão de manter viva sua história.
Durante sessão realizada nesta terça-feira (1º), vereadores de Petrolina, parlamentares, familiares e amigos acompanharam as novas homenagens ao comunicador, relembrando sua trajetória e defendendo o reconhecimento permanente do seu legado.
O vereador Gabriel Menezes foi quem levou o tema à tribuna ao plenário, que funciona de forma provisória no auditório da Fundação Nilo Coelho. “Carlos Augusto, para mim, é uma fonte perene de inspiração. Petrolina precisa homenagear mais, lembrar mais. O que ele fez pelo Capim e por tantas outras comunidades, com cobranças por eletrificação, asfaltamento, poços e barragens, foi resultado da força do rádio”, disse o parlamentar, que sugeriu a criação de um memorial dedicado ao radialista. “A Jecana do Capim é o maior evento de massa que temos. É a cara de Carlos Augusto, que deixou marcas que o tempo não apaga”, destacou.
Gabriel também relembrou que artistas locais como Adãozinho de Rajada, que começou nos microfones dos programas apresentados por Carlos Augusto. “Quando alguém diz que meu programa matinal lembra Carlos Augusto, isso não é presunção, é honra. Seu legado é inalcançável”, declarou, emocionado, dirigindo-se à filha do radialista, Maíra Amariz, que acompanhava a sessão.
O vereador Gilmar Santos também prestou homenagem, lembrando como Carlos Augusto influenciou diretamente sua formação cultural. “Minha memória musical, meu gosto pela cultura nordestina, veio das manhãs em que meu pai ligava o rádio para ouvir Carlos Augusto. Luiz Gonzaga era trilha constante em seu programa. A gente aprendia sem perceber. Ele defendia a cultura, mas também o meio ambiente. Até hoje ouço gente repetindo uma frase dele que ficou marcada: ‘A natureza não sabe se defender, mas sabe se vingar’”.
Já o vereador Ronaldo Silva fez questão de destacar a atuação de Carlos Augusto fora do rádio. “Como vice-prefeito de Petrolina entre 1989 e 1992, ele também contribuiu com a cidade de forma direta na gestão pública. Era uma voz do povo no microfone e no gabinete.”
Durante o programa Nossa Voz de hoje, o radialista Chico Fernandes, colega de longa data de Carlos Augusto, também prestou seu tributo. “Convivi com ele durante muitos anos. Era o peso da manhã da Rádio Grande Rio AM. Ele tinha sua sala, sua máquina de datilografia, seus textos… Era de pouca conversa, mas dominava o rádio com uma força impressionante. Não é exagero dizer: Carlos Augusto foi o rei do rádio do São Francisco.”
Emocionada, Maíra Amariz, filha do comunicador, falou em nome da família. “É difícil acreditar que já fazem 10 anos. Mas o carinho de todos vocês da imprensa, que continuam trazendo meu pai para o centro das conversas, faz com que ele nunca desapareça da memória coletiva. Ele era íntimo do povo, estava todos os dias dentro das casas das pessoas. A saudade é grande, mas o orgulho também.”
Carlos Augusto faleceu em 2 de abril de 2015, aos 74 anos, após sofrer uma parada cardíaca e ser internado em Juazeiro-BA. O velório, na Câmara de Vereadores, reuniu uma multidão de amigos, ouvintes e admiradores, muitos deles levando objetos e histórias para se despedir do comunicador que se confundia com a própria história de Petrolina.
Criador da Festa do Vaqueiro e da irreverente Jecana do Capim, foi também fundador da Emissora Rural A Voz do São Francisco e um dos pilares da Rádio Grande Rio AM, onde comandou por décadas o popular programa Forró do Povo.
Agora, passados 10 anos, a luta para preservar sua memória segue firme. Propostas como a criação do Memorial do Vaqueiro Carlos Augusto Amariz reacendem o compromisso de Petrolina com aquele que deu voz às tradições, aos trabalhadores, aos sertanejos — e à alma de um povo inteiro.