O trânsito de Juazeiro, no norte da Bahia, vive um momento decisivo. Com as obras da travessia urbana da BR-407 em andamento e o aumento no fluxo de veículos na ponte Presidente Dutra, que liga a cidade a Petrolina (PE), congestionamentos e mudanças na mobilidade têm gerado debates e reclamações entre motoristas e moradores.
Para enfrentar esses desafios, a prefeitura nomeou recentemente o novo diretor-presidente da Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT), Paulo Lima, inspetor aposentado da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta terça-feira (10), ele apresentou um diagnóstico inicial da situação do trânsito no município e destacou que o principal problema é a baixa capacidade operacional do órgão.
Segundo o gestor, atualmente Juazeiro conta com apenas 16 agentes de trânsito atuando nas ruas, número considerado insuficiente para atender à demanda da cidade.
“Eu precisava primeiro entender como funciona a AMTT, porque a Polícia Rodoviária Federal eu conheço bem, sei como são as estruturas internas. Aqui, foi necessário fazer um diagnóstico para saber qual é a nossa capacidade operacional. E a primeira constatação foi exatamente essa: muita gente reclama da ausência de agentes nas ruas, e de fato o número é muito pequeno para o tamanho da demanda. Hoje nós temos apenas 16 agentes na atividade operacional. É um efetivo muito reduzido para uma cidade com tantos desafios de mobilidade”, afirmou.
Diante da limitação, a gestão pretende ampliar a atuação integrada com outros órgãos de segurança.
“Nós vamos buscar apoio institucional, principalmente da Polícia Militar e também da Guarda Municipal, que tem previsão legal para atuar em conjunto nessas ações. É impossível resolver tudo sozinho com um efetivo tão pequeno. A solução passa pela cooperação entre os órgãos e também por medidas de organização do trânsito e educação da população”, disse.
Cultura no trânsito também preocupa
Durante a entrevista, Paulo Lima destacou que os problemas de mobilidade não estão ligados apenas à fiscalização, mas também ao comportamento dos próprios condutores.
“A gente precisa passar por um processo de conscientização no trânsito. Muitas vezes a pessoa critica, reclama da fiscalização, mas quando você vai observar a situação dela, o veículo está atrasado, a pessoa não tem habilitação ou está cometendo irregularidades. A gente vê motociclista subindo em calçada, estacionamento irregular, desrespeito à faixa de pedestres. Então o trânsito é um sistema. Não adianta apenas cobrar do poder público se cada cidadão também não fizer a sua parte”, explicou.
O diretor também citou problemas relacionados ao uso irregular de espaços públicos por estabelecimentos comerciais.
“Existe uma situação muito comum em Juazeiro: alguém abre uma oficina, por exemplo, e coloca vários carros na rua, impedindo a passagem. Depois o problema acaba recaindo sobre a AMTT. Na prática, o problema começou com o cidadão que abriu um empreendimento sem planejamento. Nesses casos, o órgão precisa agir com notificação e até recolhimento dos veículos, porque a lei precisa ser cumprida”, afirmou.
Caminhões cegonha na ponte
Outro tema abordado foi a circulação irregular de caminhões cegonha na região da ponte Presidente Dutra, situação registrada várias vezes desde o início das obras da travessia urbana.
De acordo com o gestor, a responsabilidade pela fiscalização nesse trecho é de órgãos federais, como a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
“A competência direta naquele trecho é da PRF e do DNIT. O que acontece é que muitos desses veículos entram pela BR-407 e deveriam ter sido barrados antes. Quando chegam à região da ponte, acabam gerando problemas no tráfego. A AMTT atua pelo princípio da cooperação, ajudando na organização e sinalização, mas a fiscalização principal é federal”, explicou.
Ele também destacou que a falta de efetivo é um problema enfrentado por vários órgãos de fiscalização.
“Todos os casos que ocorreram foram autuados, mas existe uma dificuldade prática: sem a presença constante de agentes, a fiscalização fica limitada. Para ter uma abordagem eficiente, você precisa de pessoas nas vias. Tecnologia ajuda, mas não substitui completamente o agente que está ali fazendo a fiscalização”, disse.
Falta de estrutura para remoção de veículos
Paulo Lima também apontou um problema estrutural que, segundo ele, dificulta a atuação do órgão: a ausência de um sistema próprio para remoção de veículos irregulares.
“Quando eu cheguei à AMTT, percebi que o órgão não tinha estrutura para remover veículos. Muitas vezes o agente autua, mas não consegue retirar o carro que está irregular. E isso enfraquece a fiscalização. Para remover, você precisa de guincho, contrato, pátio adequado para armazenar os veículos. Estamos agora estruturando isso, inclusive com convênio com o Detran, para que o órgão tenha capacidade operacional de agir de forma mais efetiva”, explicou.
Travessia urbana e previsão de conclusão
Sobre as obras da travessia urbana da BR-407, que têm impactado o trânsito da região, o diretor acredita que pelo menos parte do cronograma poderá ser cumprida.
“Pelo que temos acompanhado, acredito que o viaduto 01, que fica próximo à ponte, tem condições de ser entregue até julho. A obra já avançou bastante e está em um estágio importante. Depois ainda ficam as ligações de pavimentação entre os viadutos. A expectativa é que, se não for no final deste ano, no começo do próximo a obra esteja totalmente concluída”, afirmou.
Mesmo com as intervenções em andamento, ele avalia que mudanças estruturais mais profundas serão necessárias no futuro.
“A ponte Presidente Dutra hoje já não tem capacidade para suportar todo o fluxo que passa por ali. O crescimento da região aumentou muito a circulação de veículos. Essa obra vai melhorar bastante a mobilidade, mas também precisamos pensar no planejamento urbano e em novas soluções de mobilidade para acompanhar esse crescimento”, concluiu.



