Operação Publicanos apura esquema de corrupção na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina. Diretor afastado e outros servidores são suspeitos de cobrar propina para conceder regalias a presos.
A Polícia Civil de Pernambuco apura um suposto esquema de corrupção na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes (PDEG), em Petrolina, no Sertão do estado. Segundo relatório obtido pelo Diario de Pernambuco, o diretor da unidade, Alessandro Barbosa Martins de Sousa, e a esposa dele, Ana Paula Lopes Bezerra, movimentaram R$ 3,3 milhões entre agosto de 2022 e abril deste ano.
O valor seria incompatível com a renda declarada do casal, de R$ 12,3 mil mensais. A investigação aponta que parte expressiva dos depósitos foi feita em dinheiro vivo: R$ 315,6 mil em 271 depósitos, a maioria abaixo de R$ 2 mil, realizados em terminais de autoatendimento.
Principal alvo da Operação Publicanos, deflagrada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), Alessandro está afastado do cargo. Os investigados negam irregularidades.
Esquema de propina
De acordo com a Polícia Civil, presos pagavam propina para ter acesso a celulares, bebidas alcoólicas e até para mudar de pavilhão. Também eram cobrados valores para o aluguel de cantinas, saídas ilegais e alteração de rotas de tornozeleira eletrônica.
Os cargos de “chaveiros” (detentos que atuam como auxiliares dos agentes) e “cantineiros” (responsáveis pelas cantinas) custariam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Além disso, presos que ocupavam essas funções deveriam pagar “mesadas” de até R$ 4 mil mensais. A unidade tem oito pavilhões, somando 16 postos de liderança.
Segundo as investigações, parte do dinheiro era recolhida pelos presos e repassada a policiais penais ligados a Alessandro. Um deles seria Vinícius Diego Sousa Colares, apontado como “testa de ferro” do diretor e responsável por receber pagamentos via Pix. Ele teria gasto mais de R$ 470 mil em cartões de crédito nos últimos seis anos e comprado 28 celulares no período.
Outro servidor citado é Ronildo Barbosa dos Santos, apontado como a segunda maior autoridade da penitenciária e responsável por facilitar a entrada de eletrodomésticos.
Movimentações financeiras
Entre 2017 e 2023, Alessandro e dois policiais penais teriam movimentado R$ 6,3 milhões.
- Vinícius Diego: R$ 3,6 milhões entre agosto de 2023 e abril de 2025, apesar de declarar renda mensal de R\$ 7,8 mil.
- Ronildo Barbosa: quase R$ 500 mil entre outubro de 2024 e abril de 2025, também incompatíveis com sua renda declarada, de R$ 10 mil.
Todos os agentes públicos foram afastados.
O que diz o governo
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização informou que “não compactua com quaisquer atos ilícitos no sistema prisional de Pernambuco” e que “segue colaborando com as investigações policiais”.