Equoterapia: a terapia com cavalos que auxilia no desenvolvimento de habilidades especiais

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Na edição desta segunda-feira (31) do quadro saúde, foi abordado o tema da Equoterapia, um método terapêutico que utiliza cavalos para auxiliar no desenvolvimento de habilidades físicas, emocionais e cognitivas de pessoas com necessidades especiais. Para explicar mais sobre essa abordagem, participaram da entrevista Mônica Possídio, coordenadora e equitadora do Centro de Ecoterapia HBA, e Cassiano Libório, presidente do Haras Bem Amigos, em Petrolina.

Mônica Possídio destacou a importância da Equoterapia e como ela contribui para a qualidade de vida dos praticantes. “Para nós do Centro de HBA e da família Aras Amigos, é um prazer imenso estar no programa Nossa Voz para tentar esclarecer algumas questões sobre Equoterapia e falar da importância dela hoje para o bem-estar e para a vivência de algumas crianças e adultos que necessitam desse tipo de terapia. A ecoterapia tem demonstrado ser um recurso valioso para promover ganhos físicos e emocionais, proporcionando aos praticantes um ambiente de tratamento diferenciado e mais humanizado”.

Cassiano Libório relatou o histórico da iniciativa e a recente conquista de reconhecimento legal da Equoterapia em Petrolina. “Estou aqui como presidente do Haras Bem Amigos, uma associação criada em 2013 por um grupo de amigos apaixonados por cavalos, natureza e cultura. Inicialmente, promovíamos apenas cavalgadas, mas sentimos que podíamos fazer mais. Assim, em 2016, criamos o projeto de Equoterapia, e desde então, temos nos dedicado a expandi-lo. Há dois anos, Mônica abraçou essa causa conosco, contribuindo imensamente para o desenvolvimento do projeto. Em 2024, conseguimos aprovar a lei municipal de ecoterapia, graças ao empenho do ex-vereador Rodrigo Araújo, que elaborou o projeto e garantiu sua aprovação unânime na Câmara. Isso nos honra muito, pois nos permite usar nosso maior patrimônio – o cavalo – para contribuir com a sociedade”.

Questionada sobre a eficácia da terapia assistida por cavalos em relação a outras formas de terapia, Mônica explicou: “O primeiro grande diferencial da Equoterapia é retirar a criança ou o adulto de um ambiente fechado de consultório e levá-lo para um local aberto, cercado de natureza e cavalos. Esse contato já traz um grande benefício. Dependendo da necessidade de cada praticante, os ganhos vão desde a interação com o animal até a melhoria da postura, o fortalecimento muscular e o desenvolvimento do equilíbrio, tudo isso promovido pelo movimento tridimensional do cavalo, que simula o caminhar humano”.

A Equoterapia é indicada para diversas condições clínicas, conforme explicou Mônica. “Atendemos desde pessoas que sofreram AVCs ou passaram por cirurgias e ficaram com sequelas, até indivíduos com síndrome de Down, TEA, TDAH e até mesmo crianças ansiosas. A terapia também é recomendada para idosos com Alzheimer. O cavalo é um animal extremamente sensível e tem uma capacidade impressionante de perceber o estado emocional de quem se aproxima. Se a pessoa estiver ansiosa ou com medo, ele reage de uma forma diferente do que quando a pessoa está tranquila. Isso é um dos fatores que fazem a ecoterapia ser tão eficaz.”

A segurança dos praticantes é uma das principais preocupações no projeto, como explicou Mônica. “Temos regras obrigatórias, como o uso de capacete e colete. Algumas crianças com TEA podem ter dificuldade em aceitar esses equipamentos, então o cuidado da equipe é redobrado. Além disso, os cavalos são criteriosamente selecionados, considerando altura, temperamento e idade. Animais machos precisam ser castrados e passam por um processo de dessensibilização para se acostumarem com os objetos utilizados durante as sessões”.

Sobre a duração e processo de introdução da terapia, Mônica esclareceu: “Cada sessão dura, no máximo, 30 minutos, pois o movimento do cavalo e a exposição ao ambiente podem ser cansativos para algumas crianças. Os praticantes chegam ao Aras muitas vezes sem aviso prévio dos pais, o que torna a experiência mais natural. Ao chegar, a primeira abordagem é o contato inicial com o cavalo, para avaliar qualquer temor. Antes de iniciar as sessões, exigimos um laudo médico recomendando a Equoterapia. No Aras, contamos com uma equipe mínima de três profissionais: um equitador, uma psicóloga e uma fisioterapeuta, ambos treinados em ecoterapia. Além do laudo externo, também realizamos avaliações internas para definir o melhor plano terapêutico para cada praticante”.