Entrevista foi concedida nesta segunda-feira (23) ao programa Nossa Voz, Nossa Voz Saúde
O uso excessivo de celular, a rotina de home office e as longas jornadas em frente ao computador têm contribuído para o aumento de casos de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). O alerta foi feito nesta segunda-feira (23) pelo professor de educação física Gleidson de Paulo, durante entrevista ao programa Nossa Voz.
Segundo o especialista, os primeiros sinais costumam ser ignorados, mas merecem atenção imediata.
“Os sinais iniciais geralmente começam de forma leve, com um formigamento nas regiões afetadas, pequenos inchaços, perda de força e aquela dor persistente no fim do dia, que muitas vezes a pessoa acha que é apenas cansaço. Quando essa dor passa a ser constante e começa a se repetir diariamente, já é um indicativo de que algo não está funcionando bem no corpo”, explicou.
“É importante que o trabalhador não normalize esse desconforto. O corpo sempre dá sinais antes de um quadro mais grave se instalar.”
Profissionais mais vulneráveis
De acordo com Gleidson, trabalhadores que executam movimentos repetitivos estão entre os mais vulneráveis. Isso inclui profissionais administrativos, operadores de caixa, digitadores, motoristas e até trabalhadores da área da saúde.
Ele destaca que o aumento do trabalho remoto ampliou a exposição ao risco.
“Hoje a gente tem uma carga repetitiva muito grande, durante horas seguidas e em dias consecutivos. Isso vai gerando uma sobrecarga nas articulações, nos músculos, nos tendões e até na cartilagem. O movimento constante de digitação, o uso contínuo do celular e a postura inadequada contribuem diretamente para o surgimento dessas lesões”, afirmou.
“E não é só punho e mão. Muitas pessoas associam LER e DORT apenas a essas regiões, mas coluna, cervical e quadril também são áreas bastante afetadas.”
Quando procurar ajuda?
O professor orienta que o trabalhador procure um especialista logo nos primeiros sintomas.
“Sentiu dor frequente, inchaço, formigamento ou perda de força? Já é momento de buscar avaliação. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de controle e até reversão do quadro”, disse.
“Esperar a dor ficar insuportável só torna o tratamento mais demorado.”
Tratamento e prevenção
O tratamento pode envolver fisioterapia, fortalecimento muscular, alongamentos específicos e técnicas como eletroterapia. Em casos mais avançados, o acompanhamento precisa ser contínuo.
“A cura vai depender da intensidade e do tempo em que o quadro já está instalado. Em muitos casos é possível controlar e devolver qualidade de vida ao paciente. Mas o ideal é não deixar chegar a esse ponto”, explicou.
A prevenção, segundo ele, é o caminho mais eficaz. A prática de ginástica laboral e pausas ao longo da jornada são medidas simples que fazem diferença.
“O corpo não foi feito para ficar parado. A cada uma hora de trabalho sentado, o ideal é levantar, caminhar um pouco, alongar braços, pernas e coluna. Isso melhora a circulação, lubrifica as articulações e reduz o risco de lesões”, orientou.
“Se a empresa puder implementar um programa de ginástica laboral, melhor ainda. O benefício é tanto para o trabalhador quanto para a produtividade.”
Impacto nas empresas
As lesões também têm impacto direto no mercado de trabalho. Segundo o professor, afastamentos por LER e DORT são comuns e podem ser prolongados.
“É uma realidade presente. Muitos trabalhadores acabam afastados por meses, às vezes até mais, justamente por falta de prevenção. Isso gera prejuízo para a empresa e para o próprio profissional, que muitas vezes fica limitado para atividades simples do dia a dia”, pontuou.
Casos na cidade
De acordo com relatos de profissionais da área, a procura por atendimento tem aumentado.
“A gente observa isso tanto em academias quanto em clínicas de fisioterapia. Muitos colegas relatam aumento significativo de pacientes com dores relacionadas a esforço repetitivo e sedentarismo”, destacou.
Orientação final
Ao encerrar a entrevista, Gleidson deixou um recado aos ouvintes:
“Não se torne uma pessoa sedentária. A falta de movimento é um dos principais fatores para o surgimento de doenças incapacitantes. Procure orientação profissional para iniciar uma atividade física, mantenha hábitos saudáveis e cuide da alimentação”, aconselhou.
“Movimento é saúde. Quanto mais cedo você adotar esse hábito, menores serão as chances de desenvolver limitações no futuro.”



