Especialista alerta sobre consequências da desinformação e destaca importância do jornalismo ético

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A doutora em Comunicação pela UFPE, Teresa Leonel, em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (31). Foto: Mídias Sociais/Nossa Voz

Em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (31), a Doutora em Comunicação pela UFPE, Teresa Leonel, explicou sobre o chamado linchamento midiático e sobre a importância do jornalismo ético no combate à desinformação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou na última semana a página de checagem de informações ‘Fato ou Boato’ com o objetivo de ampliar o acesso da população a informações verificadas sobre o processo eleitoral e ainda fortalecer o combate à desinformação.

Para tratar sobre esse tema, o programa Nossa Voz recebeu a doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Teresa Leonel. Para além das eleições, a especialista destacou sobre o potencial destrutivo da desinformação no âmbito das chamadas ‘fake news’: “Fake news e e a desinformação matam”, enfatizou.

Leonel apresentou exemplos de casos no Brasil sobre a morte de pessoas que foram vítimas da desinformação. O primeiro deles, o de Fabiane Maria de Jesus, morta por linchamento em via pública em 2014, após a publicação de informações falsas nas redes sociais que atribuíam a ela suspeita de crimes de sequestro de crianças.

“Ela foi morta porque uma página do Facebook chamada Guarujá Alerta publicou um boato acompanhado de um retrato falado. A postagem, afirmava falsamente que uma mulher estava sequestrando crianças no bairro de Morrinhos que utilizava rituais de magia negra, pegava essas crianças para rituais. Fabiane foi confundida com essa mulher”.

O segundo caso foi o da morte por suicídio de um reitor, em Santa Catarina, após ser acusado de desvio de verba na universidade.

“Luiz Carlos Cancellier tirou a vida dele no dia 2 de outubro de 2017. Ele entrou no shopping e se suicidou se atirando do último andar do shopping naquele móvel e onde todos viram. Ele foi alvo de uma operação policial baseada em denúncias sem provas substanciais e gerou um forte linchamento público e disseminação de informações distorcidas e falsas na imprensa e nas redes sociais”.

Linchamento midiático, imprensa e plataformas digitais

A especialista enfatizou sobre o papel da imprensa na difusão da desinformação através da espetacularização dos fatos, gerando o chamado linchamento midiático.

“Eu estou contando aqui para vocês um fato que ocorreu feito pela imprensa. Foi a imprensa que fez a ‘zoada’ toda em relação à polícia federal. Muitas vezes a pessoa não tem nenhuma presunção de inocência, ela já é condenada, ela é julgada, condenada pelas plataformas digitais”, disse.

Segundo ela, no atual contexto de disseminação em massa da desinformação nas redes sociais, o linchamento midiático possui raízes seculares.

“Qual é a diferença desse linchamento midiático, dessa morte que ocorre hoje em relação ao século da época de antes de Cristo, 260 anos antes de Cristo, com os gladiadores em Roma. A diferença é que lá era o boca-a-boca, a pessoa que chamava para ir para Arena para matar ou salvar aquela pessoa que estava ali na Arena naquelas brigas. E hoje a diferença é que a plataforma está aumentando, vamos dizer assim, verbalizando mais ainda o ódio das pessoas”, destacou.

O papel das plataformas digitais e da sociedade no combate à desinformação

Teresa Leonel frisou ainda que a responsabilidade no combate à desinformação deve ser tanto das plataformas digitais quanto da sociedade, inclusive, em período eleitoral.

“Quem tem mais responsabilidade no combate à desinformação, justiça eleitoral, plataformas, candidatos, por exemplo, em ano eleitoral ou o próprio eleitor? Todos eles. Todos têm responsabilidade”.

De acordo com ela, a plataforma não deve se isentar de verificar um conteúdo que pode ser danoso, mas o embate com as grandes empresas existe, pois em detrimento da qualidade da informação, se sobrepõe o lucro financeiro.

“Todos têm responsabilidade e as plataformas elas querem se isentar dessas consequências. Elas querem dizer não, eu veiculo apenas o que o que postaram lá, eu estou colocando […] Se está veiculando na plataforma, ela tem que suspender, ela tem que derrubar. Só que para ela fazer isso, primeiro ela ganha dinheiro, ela monetiza isso através dos algoritmos”.

Conteúdo falso x conteúdo verdadeiro manipulado

A doutora em Comunicação também orientou como o usuário que se informa através de plataformas digitais pode diferenciar o conteúdo falso de um conteúdo verdadeiro manipulado.

“O olhar dele tem que ser sempre desconfiando. Isso de fato é verdadeiro? Um dos pontos mais importantes que eu sempre digo, quando você vê uma notícia sensacionalista, isso é um ponto, porque ela é feita exatamente com um processo de manipulação, a primeira coisa que você que recebe a aquele material via plataforma digital, WhatsApp, Telegram ou qualquer coisa do gênero, você deve pensar: “Isso é verdadeiro? Ou seja, isso é fato ou é fake?” Isso é fato ou isso foi aumentado, foi exagerado?”, orientou.

A busca por canais oficiais é a principal solução.

“Então, você vai para os canais oficiais, que é muito simples, é só você acessar qualquer plataforma do Google se perguntar se é mentira ou verdade ou qualquer fact or fake que temos aí. Essa própria agora que foi criada, recentemente, que já existia e foi fortalecida do Fato ou boato”.

Leonel finalizou informando sobre a importância do jornalismo ético no combate à desinformação direto da fonte.

“Essas pessoas precisam ser aprimoradas, ou seja, se de fato elas não conseguem fazer um jornalismo que se diz ser isento, coerente, capaz de atender a sociedade, porque para mim o jornalismo tem um tripé. O tripé do jornalismo está centrado na produção de um bom conteúdo, da apuração desse conteúdo e na ética. Ele tem que estar nesse tripé. Se ele não estiver nesse tripé, não é jornalismo”.

Veja a entrevista na íntegra

A entrevista completa com a doutora em Comunicação pela UFPE, Teresa Leonel, no programa Nossa Voz desta segunda-feira (31), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.