Guerra no Oriente Médio fecha aeroportos e amplia tensão global; brasileira relata rotina sob alertas em Dubai

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A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã mantém o Oriente Médio em alerta máximo e provoca reflexos em diferentes partes do mundo. Pelo terceiro dia consecutivo, forças americanas e israelenses anunciaram novos ataques a alvos estratégicos iranianos, enquanto Teerã intensifica a retaliação com mísseis e drones.

O mapa da região tem se transformado em um tabuleiro de guerra, com impactos diretos também em países que abrigam bases militares americanas, como Arábia Saudita e Líbano. O grupo extremista Hezbollah anunciou apoio ao regime iraniano e abriu um novo фронte de tensão.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump declarou que a ofensiva pode durar semanas e afirmou que a ação seguirá “pelo tempo que for necessário”. Já o regime iraniano enfrenta um momento delicado com o processo de reorganização interna após a morte de seu líder supremo, figura central que comandou o país por quase quatro décadas.

Aeroportos fechados e impacto global

Um dos reflexos mais imediatos da guerra foi no setor aéreo. O Aeroporto Internacional de Dubai, considerado um dos mais movimentados do mundo, amanheceu fechado e praticamente vazio na segunda-feira. O fechamento faz parte de uma das maiores interrupções recentes da aviação comercial na região.

Companhias aéreas cancelaram voos, rotas foram alteradas e passageiros enfrentam incertezas. O tráfego aéreo global sofreu impacto direto, com conexões internacionais comprometidas.

“É assustador acordar com o som de bombas”, diz brasileira

Morando em Dubai há um ano e meio, a corretora de imóveis Ana Beatriz Ferreira Marinho conversou com o programa Nossa Voz nesta terça-feira e relatou como está a rotina na cidade.

Segundo ela, apesar do clima de tensão, o governo local orientou que moradores trabalhem de casa como medida preventiva.

“A situação agora está estabilizada, mas o governo pediu que todos trabalhem de casa. Os shoppings continuam funcionando, empresas privadas também, mas a recomendação é evitar circulação desnecessária. A vida segue normal dentro do possível, mas sempre com atenção redobrada”, afirmou.

Ana Beatriz relatou que já ouviu explosões próximas de onde mora.

“É muito assustador acordar com o barulho das bombas e ver pelo céu a interceptação dos mísseis. A gente confia muito na segurança daqui, porque Dubai sempre foi considerada uma das cidades mais seguras do mundo, mas viver isso é algo que nunca imaginei passar.”

O aeroporto reabriu parcialmente nesta terça-feira, operando apenas alguns voos e priorizando a realocação de passageiros afetados nos últimos dias.

“Ainda não são todos os voos. Eles estão reorganizando quem perdeu conexão. Não há uma corrida para sair do país, mas quem quiser deixar Dubai está recebendo apoio para ir por terra até outros países e embarcar de lá.”

Comunidade brasileira acompanha com cautela

A brasileira também destacou que a embaixada, localizada em Abu Dhabi, tem prestado suporte à comunidade.

“A embaixada está trabalhando junto ao governo local para dar assistência a quem precisar. Até agora, não há um movimento grande de brasileiros querendo sair. A principal orientação é manter a calma e buscar informações em fontes confiáveis.”

Para familiares no Brasil, a mensagem é de tranquilidade.

“A preocupação da família aumenta porque estamos longe, mas reforço que Dubai continua sendo um dos países mais seguros. Muitos ataques foram interceptados. É importante não acreditar em tudo que circula na internet.”

O que pode acontecer agora?

Especialistas avaliam que a ampliação do conflito pode provocar impactos econômicos globais, especialmente no preço do petróleo e nas cadeias logísticas internacionais. Há também o temor de que novos aliados entrem formalmente na guerra, ampliando o número de países envolvidos.