“Hoje a gente vê alunos saindo da capital para estudar no Sertão”: IF Sertão-PE nomeia 60 professores para reforçar campi do interior

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Em entrevista nesta quarta-feira (28) ao programa Nossa Voz, o reitor do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), Jean Carlos Coelho de Alencar, destacou a nomeação de 60 novos professores aprovados em concurso público realizado em 2025, que passam a atuar nos campi de Petrolina, Petrolina Zona Rural, Salgueiro, Ouricuri, Santa Maria da Boa Vista, Serra Talhada e Floresta. Segundo ele, o reforço chega em um momento em que a instituição vive uma inversão histórica, atraindo estudantes das capitais para o interior.

De acordo com o reitor, o volume de nomeações é um dos maiores já registrados na história do Instituto, fora os períodos de criação de novas unidades.

“O Instituto, desde 2008, salvo os momentos de implantação de novos campi, nunca tinha vivido um volume de nomeação de servidores desse tamanho. Esses 60 professores chegam para reforçar uma instituição que já é forte, mas que hoje vive um novo momento, com mais demanda, mais cursos e uma procura crescente, inclusive de alunos que vêm de fora para estudar aqui no Sertão.”

Apesar de o IF Sertão-PE estar em processo de implantação dos campi de Araripina e Águas Belas, Jean Carlos explicou que os docentes nomeados não serão destinados a essas novas unidades.

“Mesmo com a implantação de novos campi, esses professores agora nomeados não são para essas unidades. Eles vêm justamente para recompor a força de trabalho dos campi já existentes, garantindo qualidade no ensino, suprindo carências históricas e acompanhando esse crescimento que a instituição vem vivendo nos últimos anos.”

Reforço planejado e movimentação interna

Durante a entrevista, o reitor explicou que a distribuição dos docentes passa por um processo interno de reorganização antes das nomeações.

“Antes de nomear um servidor novo, a gente faz uma consulta interna. Existe um edital para saber se os professores que já estão no Instituto desejam se movimentar de um campus para outro. Só depois desse processo é que a gente define, de fato, as vagas efetivas que precisam ser preenchidas. Isso garante uma distribuição mais equilibrada e respeita também o desejo dos servidores.”

Ele ressaltou que alguns campi receberam um número expressivo de docentes nesta etapa.

“Tem campus que, nessa leva agora, está recebendo 19 professores, outros recebem 13. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que havia um déficit desse tamanho. Em muitos casos, parte desses docentes já estava na unidade e se movimentou para outro campus, o que gera essa recomposição.”

Petrolina e a dinâmica entre os campi

Sobre os campi de Petrolina — João de Deus e Zona Rural — o reitor explicou que as unidades receberam menos professores diretamente do concurso, por conta da movimentação interna.

“Os dois campi de Petrolina acabam recebendo menos docentes do concurso porque houve muita movimentação interna de professores de outros campi para cá. Então, oficialmente, cada um recebe em torno de dois professores, mas, na prática, o reforço é maior, porque chegam também servidores que optaram por essa mudança.”

Jean Carlos lembrou que essa dinâmica faz parte da história do IF.

“Eu mesmo entrei no Instituto no campus Floresta, depois passei por Ouricuri e só em 2020 vim para Petrolina. Isso é natural dentro da instituição e ajuda a fortalecer as unidades.”

Inversão histórica e impacto regional

O reitor destacou ainda que o fortalecimento dos campi no interior tem provocado uma mudança no fluxo educacional no estado.

“Hoje a gente vê algo muito significativo, que é essa inversão da lógica. Antes, o comum era o estudante do interior ir para a capital. Agora, a gente tem alunos saindo da capital para estudar no Sertão. Temos casos recentes, como em Ouricuri, de alunos que vieram de Recife para fazer graduação aqui.”

Segundo ele, esse movimento reforça o papel do Instituto no desenvolvimento regional.

“Quando um campus se consolida, ele movimenta a economia local, traz novas culturas, novas demandas e transforma a cidade. Esses 60 novos professores chegam exatamente para fortalecer esse processo e garantir que a educação pública continue sendo um instrumento de desenvolvimento no interior.”